PMs de Bom Conselho serão intimados por delegado federal

Os cinco policiais militares que participaram da perseguição aos dois homens que assaltaram a agência dos Correios, no município de Bom Conselho, no Agreste do estado, e que resultou na morte da professora Alexandra Machado, 33 anos, serão intimados a depor nos próximos dias. No primeiro depoimento, os militares já afirmaram que não sabiam que havia reféns no carro além do assaltante.

Foto: Blog do Tiago Padilha/Reproducao da Internet

Carro da professora ficou crivado. Foto: Blog do Tiago Padilha/Reproducao da Internet

Segundo o capitão Gilson Cerqueira, que comanda as buscas aos criminosos, o delegado da Polícia Federal (PF) que investiga o caso entrou em contato com ele para dizer que iria intimar o cabo e os quatro soldados que trocaram tiros com o ladrão que dirigia o Fiat Uno onde estavam a professora e uma criança de apenas um ano. O delegado quer saber se o tiro que matou Alexandra foi disparado por um dos PMs ou pelo suspeito e ainda se a bala teve entrada pelas costas ou pelo peito da vítima.

PMs fizeram e ainda seguem fazendo buscas na cidade. Foto: TV Globo/Reprodução

PMs fizeram e ainda seguem fazendo buscas na cidade. Foto: TV Globo/Reprodução

“O delegado entrou em contato comigo para dizer que eles iriam ser intimados para um segundo depoimento. No entanto, não falou em datas. E quanto às buscas aos suspeitos do assalto, nossas equipes continuam em diligências”, afirmou Cerqueira. A PF deve liberar até o final desta semana o retrato falado dos dois suspeitos.

Enquanto isso, o delegado aguarda o resultado do laudo tanatoscópico e do exame de balística. Alexandra foi encontrada morta dentro do próprio carro, sentada no banco do passageiro. Um bebê que também estava no veículo não foi ferido. Um dos ladrões entrou no carro da professora quando ela chegava à escola da filha para levá-la para casa. O crime chocou os moradores da cidade de pouco mais de 45 mil habitantes.

Professora de Bom Conselho pode ter sido morta por policiais

Depois da dor e da revolta, a dúvida. Familiares e amigos da professora Alexandra Machado, 33 anos, estão se perguntando até agora de onde realmente partiu o tiro que a matou após um intenso tiroteio entre policiais e assaltantes. O crime aconteceu no final da manhã dessa quarta-feira, no município de Bom Conselho, no Agreste, e deixou grande parte da população do estado revoltada.

Alexandra tinha 33 anos. Foto: Facebook/Reproducao da Internet.

Alexandra tinha 33 anos. Foto: Facebook/Reproducao da Internet.

Até o momento, a polícia não tem pistas dos dois suspeitos de assaltarem a agência dos Correios e fazeram Alexandra e uma criança de um ano reféns. A cidade de 45 mil habitantes está de luto. Nessa quinta-feira, a cidade parou para acompanhar o sepultamento do corpo da professora. Muita gente levou faixas e cartazes homenageando Alexandra e cobrando justiça.

Foto: Blog do Tiago Padilha/Reproducao da Internet

Carro da professora Alexandra. Foto: Blog do Tiago Padilha/Reproducao da Internet

O “Blog do Poeta”, editado em Bom Conselho, publicou supostas fotos do carro da vítima, no qual ela morreu. O veículo, um Fiat Uno, tem 14 marcas de tiro. Na cidade, circulou o boato de que Alexandra teria sido morta durante o tiroteio entre a polícia e o bandido e não assassinada pelo assaltante na zona rural do município, como foi divulgado pela polícia. Apesar do caso está sendo investigado pela Polícia Federal (PF), o secretário de Defesa Social, Wilson Damázio, comentou que apenas com o final do inquérito é que vai ser possível afirmar de onde partiu o tiro que matou Alexandra.

“Dentre em breve, a gente terá o desfecho desse caso. As informações preliminares davam conta que o tiro que a matou teria partido do assaltante, mas só o inquérito que está sendo conduzido pela Polícia Federal poderá dizer de que forma ela realmente foi morta”, afirmou Damázio. De acordo com o assessor de imprensa da PF, Giovani Santoro, a possibilidade de Alexandra ter sido morta por tiros disparados pelos policiais militares não está descartada. “Tudo está sendo investigado”, afirmou.

Governo do estado apresenta redução de assassinatos um dia após crime que chocou Pernambuco

Enquanto os secretários de Defesa Social e de Planejamento e Gestão do estado, Wilson Damázio e Fred Amâncio, estiverem anunciando que Pernambuco fechou o mês de setembro com redução de 20,3% na taxa de Crimes Violentos Letais Intencionais os parentes da professora Alexandra Machado, 33 anos, estarão cuidando do enterro do corpo de mais uma vítima da violência urbana. O sepultamento deve acontecer ainda nesta quinta-feira.

De acordo com a Secretaria de Defesa Social (SDS), o mês de setembro ganhou destaque em 2013, como o mês com a maior redução de homicídios em relação ao mesmo período do ano passado. Para os familiares de Alexandra, no entanto, outubro chegou com uma marca que eles jamais esquecerão. A professora chegava à escola onde a filha estuda para buscá-la quando foi feita refém e assassinada na manhã dessa quarta-feira, no Agreste do estado.

Antes mesmo que pudesse se encontrar com a menina, foi rendida por um bandido e terminou sendo vítima de um dos mais covardes crimes que já viram os moradores de Bom Conselho, a 287 km do Recife, em um dia de terror que parou a cidade. Alexandra virou refém de um dos dois assaltantes que fugiam da polícia após invadir a agência local dos Correios. Obrigada a dirigir seu carro em direção à zona rural, foi assassinada a tiros durante o percurso e teve seu corpo abandonado ao lado de uma criança de um ano também feita refém.

As polícias Federal, Militar e Civil procuram os responsáveis pelo dia de terror na cidade de 45 mil habitantes, que parou em meio à perseguição policial e notícias desencontradas. Até o início da manhã desta quinta-feira, nenhum suspeito do crime que revoltou a população da cidade havia sido localizado pela polícia.

Leia matéria completa da edição impressa do Diario de Pernambuco desta quinta-feira.