Vidas que valem mais e vidas que valem menos. Uma reflexão

Já havia comentado aqui no blog sobre a diferença de tratamento dada aos casos de mortes de dois servidores do Estado ligados à segurança pública. O primeiro a ter vida interrompida foi o promotor Thiago Faria Soares. O segundo, foi o soldado da Polícia Militar Alisson Ribeiro. O que muita gente questiona é o destaque dado a um e a outro caso. Abaixo, segue um texto do delegado Igor Leite sobre esse tema. Com a licença dele, estou reproduzindo para a análise de vocês.

Igor Leite escreveu sobre o caso em sua página no Facebook. Foto: Reprodução/Facebook

Igor Leite escreveu sobre o caso em sua página no Facebook. Foto: Reprodução/Facebook

Confira o texto do delegado:

Um Policial Militar do 6º BPM voltava para casa de motocicleta, quando foi emboscado por um veículo com homens armados, que efetuaram diversos disparos de arma de fogo e ceifaram a vida do policial, que não teve qualquer oportunidade de defesa. Crime relacionado ao trabalho? É bem possível. Mas ninguém ouviu falar do caso e, se ouviu, foi certamente muito pouco.

Infelizmente, não foi montada equipe especial para apurar o feito. Não foram designados diversos delegados, equipes multidisciplinares com dezenas de policiais e peritos, nem surgiu apoio do Ministério Público, OAB ou coisa alguma. Não existiu alarde, mas silêncio. Alguns poucos colegas trabalharam na hora de folga para tentar solucionar o caso. E só! Em contrapartida, há dias um promotor de Justiça foi assassinado de modo similar e todos sabem o que aconteceu. Pelo menos uma centena de funcionários públicos trabalharam no caso e a mobilização foi hercúlea, com repercussão até internacional.

Ao que me parece, ainda que sejam todos funcionários públicos que trabalham pela justiça, há vidas que valem mais e vidas que valem menos. Talvez seja importante refletir sobre isso, antes de enfiar a cara na próxima boca de fumo…

Igor Leite – Delegado da Polícia Civil de Pernambuco

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Parentes e amigos do PM assassinado pedem mais empenho nas investigações

Parentes e amigos do PM assassinado cobram empenho nas investigações

Alisson Lima Ribeiro, 24 anos, era soldado da Polícia Militar de Pernambuco. Trabalhava com o objetivo de diminuir a violência em nosso estado. No sábado passado, Alisson foi baleado na BR-232, quando deixava o trabalho e seguia para casa. Nessa quarta-feira, passou a fazer parte das estatísticas de criminalidade. Morreu no Hospital Otávio de Freitas depois de passar três dias internado na UTI.

Soldado era constantemente homenageado. Foto: Divulgação

Soldado (à dir.) era constantemente homenageado pelos superiores. Foto: Divulgação

Seu corpo foi sepultado nessa quinta-feira, no Cemitério Parque das Flores. Parentes e amigos não contiveram a emoção no último adeus. Alisson tinha uma vida inteira pela frente e era visto como um excelente policial pela corporação. Seu caminho, no entanto, foi interrompido bruscamente. Resta agora à polícia investigar quem foram os responsáveis pela morte do jovem.

Nas redes sociais, amigos do militar cobram empenho das autoridades para esclarecer o caso e prender os assassinos. Muitos deles estão revoltados com a violência do crime e chegaram a questionar porque não houve o mesmo tratamento dado ao assassinato do promotor Thiago Faria Soares, morto em Itaíba, no dia 14 de outubro.

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Morre policial militar do 6º Batalhão baleado na BR-232

Morre policial militar do 6º Batalhão baleado na BR-232

Deve ser sepultado na manhã desta quinta-feira o corpo do policial militar Alisson Lima Ribeiro, 24 anos, que era lotado no 6º Batalhão da Polícia Militar. O PM estava internado desde o último sábado após ter sido baleado no final da tarde, na rodovia BR-232, próximo a cidade de Moreno, após sair do trabalho.

Alisson tinha 24 anos. Foto: Reprodução/Facebook

Alisson tinha 24 anos. Foto: Reprodução/Facebook

Alisson morreu no por volta das 12h desta quarta-feira, no Hospital Otávio de Freitas, no bairro do Sancho, no Recife. O militar estava em sua moto quando um carro ainda não identificado emparelhou ao seu lado e fez vários disparos. Dois tiros atingiram o soldado. A polícia está investigando o crime, mas ninguém foi preso ainda.

Soldado era constantemente homenageado. Foto: Divulgação

Soldado era constantemente homenageado. Foto: Divulgação

Segundo colegas da Polícia Militar, o soldado Alisson Ribeiro era considerado um policial honesto, destemido, prestativo e sempre disposto a trabalhar. Homenagens ao mesmo eram uma rotina, de acordo com o capitão Manoel Augusto do Rego Barros de Lima. Alisson servia na 4ª  Companhia do 6º BPM,  em Moreno.