Alunos do Agnes são suspeitos da morte do professor Betinho

Dois alunos do Colégio Agnes são os suspeitos de assassinar o pedagogo José Bernardino da Silva Filho, 49 anos. A investigação conduzida pelo Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) e a análise das impressões digitais feitas por peritos papiloscopistas do Instituto de Identificação Tavares Buril (IITB) levaram a polícia aos nomes dos suspeitos.

Crime está sendo investigado pelo delegado Alfredo Jorge do DHPP. Foto: Roberto Ramos/DP/D.A Press

Professor morava no Edifício Módulo. Foto: Roberto Ramos/DP/D.A Press

O corpo do professor foi encontrado em seu apartamento, no Edifício Módulo, na Conde da Boa Vista, em 16 de maio. Ele estava despido da cintura para baixo, com as pernas amarradas por um fio de ventilador e com um fio de ferro elétrico enrolado no pescoço. A polícia disse ainda que o ferro foi usado para dar pancadas na cabeça da vítima que morava sozinha no imóvel.

As digitais dos estudantes foram encontradas nos instrumentos utilizados para matar o professor, provavelmente, no dia 14 de maio. Os jovens já prestaram depoimento e negaram envolvimento com o crime. Segundo fontes da cúpula da Polícia Civil, os estudantes serão intimados novamente a prestar depoimentos ao delegado Alfredo Jorge, responsável pelas investigações.

Professor trabalhava no Agnes e na rede municipal de ensino. Foto: Arquivo Pessoal

Betinho trabalhava no Agnes e na rede municipal de ensino. Foto: Arquivo Pessoal

Aproximadamente 25 pessoas já foram ouvidas pela polícia no inquérito que apura a morte de Betinho do Agnes, como a vítima era conhecida. Além do colégio particular, o pedagogo também trabalhava na Escola Municipal Moacir de Albuquerque, no bairro de Nova Descoberta, de onde havia pedido transferência uma semana antes de ser assassinado por ter sido flagrado em um banheiro dos professores, em situação constrangedora.

Apesar da polícia já saber quem matou Betinho e ter provas de autoria contra os suspeitos, o caso ainda não foi concluído porque os investigadores não conseguiram descobrir o que motivou o crime. Na semana passada, o delegado Alfredo Jorge descartou a possibilidade de latrocínio ou ligação com tráfico ou dívida de drogas.

Entre os depoimentos colhidos pela polícia até o momento estão ainda os de moradores e funcionários do Edifício Módulo, alunos e funcionários do Colégio Agnes e da Escola Moacir de Albuquerque, dois rapazes que frequentavam o apartamento do professor e ainda vários familiares da vítima.

Nas ouvidas, a polícia descobriu que Betinho costumava receber visitas em casa e que ele consumia drogas em sua residência. Cachimbos e latas usados para fumar crack foram encontrados no apartamento de Betinho. Os familiares da vítima afirmaram desconhecer o envolvimento do professor com drogas e também não sabiam se ele recebia pessoas em casa. A polícia também não revelou se conseguiu obter novas informações a partir da análise das imagens da câmera de monitoramento do edifício.

Polícia colhe novos depoimentos sobre morte do professor Betinho

Pelo menos cinco pessoas prestarão depoimentos hoje no Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) sobre as investigações da morte do pedagogo José Bernardino da Silva Filho, 49 anos. Pela manhã, três estudantes do Colégio Agnes, onde Betinho era coordenador pedagógico, serão ouvidos pelo delegado Alfredo Jorge. À tarde, duas pessoas ligadas à vítima serão interrogadas. Durante todo o dia de ontem, oito pessoas prestaram esclarecimentos à polícia. Também ontem, um irmão e uma irmã de Betinho procuraram o delegado para saber como andam as investigações.

Depoimentos estão sendo tomados no DHPP. Fotos: Wagner Oliveira/DP/D.A Press

Depoimentos estão sendo tomados no DHPP. Fotos: Wagner Oliveira/DP/D.A Press

O auxiliar administrativo Silvio Pereira, 40, veio acompanhado de uma irmã e da esposa e afirmou que a família espera justiça para o caso. “Viemos para falar com o delegado e saber se há novidades. O que a gente quer é que a pessoa que matou meu irmão venha até a delegacia e confesse o crime. Ninguém pode tirar a vida de outra pessoa e ficar impune”, desabafou Silvio. Na manhã de ontem, a única pessoa interrogada pela polícia foi um aluno do Agnes. O jovem veio acompanhado do avô que já foi diretor do colégio particular e também conhecia a vítima. “Vim acompanhar meu neto que respondeu as perguntas do delegado sobre se ele conhecia Betinho e se ele sabia das atividades dele fora do colégio”, afirmou o pastor Adauto Lins.

Irmão do professor Betinho procurou o delegado ontem para saber das investigações

Irmão do professor Betinho procurou o delegado ontem para saber das investigações

À tarde, a movimentação foi intensa no DHPP. Mais sete pessoas prestaram depoimentos aos policiais que investigam o caso. Um morador do edifício Módulo que era vizinho do pedagogo, duas funcionárias e a mãe de um aluno do Agnes, além da diretora, da vice e uma estagiária da Escola Moacir de Albuquerque, onde a vítima também trabalhava, foram ouvidos. “Falava com ele apenas de bom dia e boa noite. Nem o nome dele eu sabia”, disse o vizinho que preferiu não revelar seu nome e afirmou morar no local há poucos meses.

Dois alunos da escola particular onde Betinho trabalhava estão sendo investigados pela polícia. Eles prestaram depoimento na quinta-feira passada e negaram participação no assassinato. A polícia, no entanto, afirma ter indícios contra os dois estudantes, sendo um adolescente. Betinho foi encontrado morto dentro do seu apartamento na noite do último dia 16. Ele estava despido da cintura para baixo, com as pernas amarradas por um fio de ventilador e com um fio de ferro elétrico enrolado no pescoço. A polícia disse ainda que o ferro foi usado para dar pancadas na cabeça da vítima que morava sozinha no imóvel.

Polícia recebeu imagens do prédio onde pedagogo foi assassinado

As imagens do circuito interno de câmeras do Edifício Módulo, localizado na Avenida Conde da Boa Vista, onde foi assassinado o pedagogo José Bernardino da Silva Filho, 49 anos, já estão em poder da polícia. O delegado Alfredo Jorge, do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), recebeu ontem as imagens registradas no edifício da quinta-feira até o último sábado, dia em que o corpo da vítima foi encontrado dentro do seu apartamento.

 

Crime está sendo investigado pelo delegado Alfredo Jorge do DHPP. Foto: Roberto Ramos/DP/D.A Press

Crime está sendo investigado pelo delegado Alfredo Jorge do DHPP. Foto: Roberto Ramos/DP/D.A Press

De acordo com o delegado, as imagens começarão a ser analisadas hoje. Também hoje prestarão depoimento o síndico do prédio, dois porteiros e dois familiares da vítima. Na última segunda-feira, dois rapazes que frequentavam a casa do pedagogo foram ouvidos pelo delegado. Ambos negaram participação na morte de José Bernardino.

A polícia já sabe que a pessoa que matou o pedagogo desceu do sétimo andar onde a vítima morava e foi até o quarto andar, onde jogou a chave do apartamento em um lixeiro. “Uma funcionária encontrou as chaves no lixo do quarto andar. Após matar a vítima, o assassino seguiu até esse andar. As imagens poderão ajudar a revelar outros detalhes do crime”, ressaltou Alfredo Jorge.

De acordo com uma vizinha, que preferiu não se identificar, Bernardino foi visto pela última vez na noite da quinta-feira, quando estacionou a motocicleta na parte interna do prédio. Desde então, vizinhos apenas ouviam o bater da porta do apartamento. O corpo foi encontrado com os pés amarrados com um fio de ventilador e o pescoço, com fio de um ferro de passar, também utilizado para desferir golpes contra a vítima.

O corpo do auxiliar de coordenação pedagógica do Colégio Agnes e professor da rede municipal de ensino foi sepultado no Cemitério de Santo Amaro na manhã da segunda-feira. A vítima morava no Edifício Módulo há cerca de dois anos e era muito querido pelos familiares, alunos e colegas de trabalho.