Assaltos, mortes e muita violência

Duas vidas foram interrompidas de forma brutal pela violência na Região Metropolitana, em menos de oito horas. Um homem de 56 anos e uma mulher de 40 foram assassinados no bairro da Encruzilhada, no Recife, e no Loteamento São João e São Paulo, em São Lourenço da Mata, respectivamente. Os dois casos estão sendo investigados como assaltos, embora, no crime de São Lourenço, a polícia também apure outras hipóteses. Ninguém foi preso.

Carro da vítima foi abandonado no Espinheiro. Fotos: Guilherme Verissimo/Esp DP/DA Press

Carro da vítima foi abandonado no Espinheiro. Fotos: Guilherme Verissimo/Esp DP/DA Press

Após o crime na Encruzilhada, a polícia anunciou que vai solicitar imagens das câmeras da SDS e lojas para tentar identificar os assassinos. Jorge Rodrigues de Lima Maciel foi morto com um tiro na testa após ter reagido ao assalto. O homicídio ocorreu por volta do meio-dia, na Rua Gomes de Matos Júnior.

Dois homens chegaram em um carro, abordaram a vítima e um deles assumiu a direção do Gol de Jorge. A vítima entrou em luta corporal, foi baleada e morreu. O veículo foi abandonado na Rua Quarenta e Oito, Espinheiro, possivelmente por ter bloqueio automático. O bandido que dirigia fugiu em um ônibus. Impressões digitais foram colhidas no carro.

Peritos papiloscopistas do IITB encontraram várias digitais no carro.

Peritos papiloscopistas do IITB encontraram várias digitais no carro.

Segundo a delegada Andreá Busch, a possibilidade de latrocínio é a mais provável. De acordo com o perito Antônio Neto, Jorge foi baleado fora do carro, embora tenham sido encontradas manchas de sangue e massa encefálica na parte interna da porta e no banco. “Ele foi obrigado a sair do carro, não se conteve e tentou reaver a sua propriedade”, ressaltou Neto.

Crime aconteceu na Rua Gomes de Matos Júnior, na Encruzilhada

Crime aconteceu na Rua Gomes de Matos Júnior, na Encruzilhada

Um irmão da vítima disse à polícia que Jorge era casado e tinha uma filha, mas não informou sua profissão. Com a vítima foram encontrados documentos de uma empresa de terceirização em limpeza. O caso vai ser investigado pelo delegado Bruno Magalhães. O policiamento na área é feito por PMs do 13º Batalhão, em todos os turnos com carros e motos, através das rondas da Patrulha do Bairro.

Segundo assalto em dois meses

A empregada doméstica assassinada em São Lourenço tinha sido assaltada há dois meses na localidade onde mora, segundo familiares. O delegado Ramon Teixeira iniciou as investigações sobre a morte de Ana Paula Neres, 40, ocorrida por volta das 4h30 de ontem, enquanto esperava pelo ônibus, no Loteamento São João e São Paulo. Ele não descarta também a possibilidade de execução. A vítima, que seguia para o trabalho em Parnamirim, Recife, foi assassinada com dois tiros na cabeça. Dois suspeitos chegaram em uma moto.

O corpo foi sepultado à tarde, em São Lourenço. De acordo com a irmã da vítima, um pedreiro estava na parada de ônibus no momento do crime. “O rapaz disse que os criminosos chegaram de capacetes e mandaram os dois deitarem no chão. Ele deitou e cobriu a cabeça. Depois ouviu os homens mandarem minha irmã baixar a cabeça e atiraram”, disse a dona de casa.

Ela contou que após os tiros, de acordo com a testemunha, os suspeitos teriam mandado o homem sair correndo. “Quando ele voltou para encontrar minha irmã ela já estava morta e tinham levado a bolsa”, disse. “Minha irmã saía de casa muito cedo para ir trabalhar. Há dois meses, ela foi assaltada e levaram o celular dela. Vivia com medo de andar sozinha.”

O comando do 20º Batalhão, responsável pelo policiamento em São Lourenço e Camaragibe, informou que a segurança é feita por policiamento a pé, viaturas táticas e pela Patrulha do Bairro, que pode ser acionada pelo número 98600-8956, além do Grupo de Apoio Tático Itinerante (Gati).

Caso Jennifer: último acusado do crime no banco dos réus

Três anos e dez dias após a morte da alemã Jennifer Kloker, o quinto e último acusado de participação no crime que teve repercussão internacional será julgado. Alexsandro Neves dos Santos, apontado como o autor dos disparos que tiraram a vida da jovem alemã, não deve confessar participação no crime, como o fez na fase das investigações. À polícia, Alexsandro revelou que foi contratado pelos parentes de Jennifer para matá-la por R$ 5 mil. Chegou a receber a metade do dinheiro antes do crime.

Alexsandro deve negar participação. Foto: Juliana Leitão/DP/D.A.Press

O júri popular está previsto para iniciar depois das 9h, no Fórum de São Lourenço da Mata. Alexsandro deveria ter sido julgado em dezembro, junto com os outros acusados, mas a data precisou ser adiada porque o advogado dele, Armando Gonçalves, estava de licença médica. O julgamento será coordenado pelo juiz José Wilson Soares Martins, titular da Vara Criminal da cidade. Alexsandro está preso no Complexo Prisional do Curado.

A defesa solicitou a participação do perito do Instituto de Criminalística responsável pelo laudo do exame residuográfico e deve alegar que o acusado não sabia do assassinato. Alexsandro Neves informou que foi chamado para dar um golpe ao tocar fogo em um carro para receber dinheiro da seguradora e não para matar a alemã. Ele receberia R$ 5 mil pelo ato. Além do perito, os delegados Alfredo Jorge e Gleide Ângelo, do DHPP, foram intimados.

Segundo a polícia, a morte da alemã foi motivada pela existência de um seguro de vida avaliado em R$ 1,2 milhão. Inicialmente, os envolvidos alegaram que Jennifer foi sequestrada por dois motoqueiros após um assalto. Depois de ouvir testemunhas e receber informações do GPS do carro usado pela família, a polícia começou a montar o quebra-cabeça.

Quatro acusados já foram condenados pelo crime: Fotos Diario de Pernambuco

Condenações
Delma Freire, 51 anos, apontada como mentora e mandante do crime, foi condenada por homicídio duplamente qualificado, formação de quadrilha e fraude processual. A sogra de Jennifer ficou com a maior pena, 32 anos em regime fechado. Desses, ela já cumpriu mais de dois, pois está presa desde a época das investigações policiais. Pablo, 24, e Ferdinando Tonelli, 47, foram condenados a 25 anos e 6 meses por homicídio duplamente qualificado e formação de quadrilha. Eles estão presos no Complexo Prisional do Curado desde 2010. Já Dinarte Medeiros, 42 (irmão de Delma), que responde ao processo livre, pegou 14 anos e 4 meses por homicídio e formação de quadrilha.

Com informações do Diariodepernambuco.com.br

 

Universitário de 19 anos assassinado por policial militar

Nesta segunda-feira, a família e os amigos do universitário Alex Moura não terão uma noite feliz. Cheio de vida e planos, o estudante teve sua trajetória interrompida na madrugada desse domingo por um policial militar. Uma morte que revoltou a população de São Lourenço da Mata pela forma covarde como foi executada. O PM que matou o jovem foi preso e está no Creed. Leia matéria publicada no Diario desta segunda.

 

Do Diario de Pernambuco

Um crime sem justificativa, às vésperas do Natal. Os moradores de São Lourenço da Mata estão revoltados com a morte de Alex Moura da Silva, 19 anos. Por volta das 3h45 do domingo, ele foi atingido por um tiro de espingarda calibre 12, disparado por um policial do Grupo de Ações Táticas do Intinerante (Gati). Segundo relatos, o jovem não estava armado, nem praticava delito na hora da abordagem policial. O responsável pelo disparo, Rodrigo Alves de Souza, de 28 anos, será indiciado por homicídio doloso, ou seja, quando há intenção de matar.

Alex Silva era estudante de engenharia civil da Faculdade Maurício de Nassau e tinha uma filha de 3 meses. Segundo depoimentos, estava em uma festa em um bar de São Lourenço, localizado em uma área chamada Várzea Fria. Alex se dirigiu com mais quatro amigos para um campo de futebol próximo do local. Ao avistarem a viatura da polícia, saíram. Nesse momento, houve o disparo. A bala transpassou o braço de Alex e o feriu próximo ao peito.

Corpo do jovem foi sepultado em São Lourenço da Mata. Foto: Nando Chiappetta/DP/D.A.Press

De acordo com a delegada do Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP), Gleide Ângelo, o policial disse que os jovens estavam consumindo maconha e que atirou porque eles tentaram fugir. “Mas nada justifica essa ação. Um policial só pode atirar em legítima defesa e nenhum deles estava armado. Por isso, o PM foi preso e autuado em flagrante”, explica ela. O policial foi encaminhado ontem ao Centro de Reeducação da Polícia Militar (Creed).

Wellington Moura, 24 anos, primo de Alex e dono do bar, afirmou que o grupo de quatro policiais do Gati esteve próximo do bar, por volta das 23h, atirando para o alto e agredindo fisicamente algumas pessoas. “Depois voltaram lá e fizeram isso com o meu primo, sem motivo algum. Estava tudo iluminado lá e ele estava sem camisa. Dava para ver que não tinha arma”, relata.

O enterro de Alex Silva foi realizado às 17h30, no cemitério da cidade. A chegada do corpo foi marcada por um protesto de familiares e amigos da vítima que gritavam “justiça” durante o cortejo que circulou por ruas da cidade. A presença de policiais na avenida que dá acesso ao cemitério deixou os moradores revoltados, gerando um princípio de tumulto. Durante o enterro, a mãe da filha de Alex, a também estudante Laís Ravana, 18 anos, era a mais inconsolável.

Muitos amigos do Recife, onde Alex sempre estudou, também participaram da cerimônia. Mirelly Oliveira, 18, que o conheceu no Colégio Imaculada Conceição, disse que estave com ele um dia antes da sua morte. “Foi em uma festa de amigos. Todo mundo ia se encontrar de noite. Ele acabou indo para essa outra festa do primo em São Lourenço. Alex era uma pessoa de bem com a vida. Estava cheio de planos. Disse que queria tatuar Cecília no peito, o nome da filha”.