Cenas de guerra entre torcidas uniformizadas nos Aflitos

Do Superesportes

Mais uma noite de futebol em Pernambuco terminou manchada pela violência das torcidas organizadas. Poucos minutos após o fim do jogo entre Santa Cruz e Paysandu, vencido pela equipe paraense, facções dos dois clubes e do Náutico se encontraram no bairro dos Aflitos, em frente à sede alvirrubra, e protagonizaram cenas de selvageria que provocaram terror entre moradores da região.

Cenário de guerra aconteceu na sede do Náutico. Fotos: Roberto Ramos/DP/D.A Press

Confusão aconteceu na sede do Náutico. Fotos: Roberto Ramos/DP/D.A Press

As imagens do conflito rapidamente viralizaram graças às redes sociais, e nelas é possível ver uma grande quantidade de pessoas ligadas à Inferno Coral invadindo a sede do Náutico através do portão da Avenida Rosa e Silva. Tudo começou quando a “Terror Bicolor” deixou o Arruda logo após o Paysandu fazer o segundo gol, que lhe daria a vitória. Diversos membros da Inferno Coral, então, perseguiram a facção paraense até a sede do Timbu, que teria sido ponto de apoio para a torcida organizada do Papão ao longo da tarde anterior à partida.

Comércio nos Aflitos teve a porta de vidro danificada

Comércio nos Aflitos teve a porta de vidro danificada

Segundo fontes que estavam presentes na hora do conflito, a quantidade de membros da Inferno Coral era muito superior à das facções de Náutico e Paysandu juntas – uma impressão que também fica clara nos vídeos. O prédio da sede alvirrubra não sofreu maiores danos, mas pelo menos dois carros estacionados no local foram depredados, bem como uma loja do outro lado da rua – esta, tomada por uma enorme quantidade de pedras. Logo chegaram várias viaturas da Polícia Militar, que dissiparam a multidão em direção à Rua da Angustura e gradualmente acalmaram os ânimos.

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Várias viaturas da PM foram acionadas para a ocorrência

Em conversa com a reportagem do Superesportes, o diretor de patrimônio do Náutico, Roberto Andrade, explicou que não foi possível para o clube impedir que membros da Fanáutico, organizada alvirrubra, entrassem na sede. “Alguns membros são sócios e estavam à paisana, não tinha como proibir”, alegou. Perguntado como a Terror Bicolor, do Paysandu, recebeu abrigo no local, Andrade justificou que os paraenses são “parceiros” da facção timbu. E prometeu que, finalmente, serão tomadas providências para impedir que novos incidentes como esse aconteçam. “A partir de agora, vai se tomar providências, proibir de entrar”, afirmou.

Alguns minutos depois do primeiro contato com a reportagem, Roberto Andrade voltou para contar mais detalhes. Ele fez questão de garantir que não partiu do Náutico o apoio logístico à facção do Paysandu. “Na verdade, a Terror não ficou nos Aflitos, eles foram apenas almoçar, ficaram um pouco e foram cedo para o estádio. Voltaram porque eles disseram para a PM que os Aflitos eram ponto de apoio deles, mas não foi o Náutico que deu guarida”, enfatizou.

Apesar da presença de pelo menos uma centena de torcedores no conflito, apenas três torcedores foram conduzidos pela Gaeco à Central de Flagrantes. Segundo o subcomandante do 23º Batalhão da PM, Major Daniel Dias, “a prioridade foi assegurar a integridade física da torcida do Paysandu, que estava em minoria, sendo atacada pela Inferno Coral”. A Secretaria de Defesa Social (SDS) fará coletiva de imprensa às 16h desta quarta-feira para falar sobre as providências a serem tomadas depois desse episódio de violência.

O medo nosso a cada Clássico

Esse não é um blog esportivo. Aqui, o espaço foi aberto para falarmos de segurança pública e também, e principalmente, da falta dela. Desde o final do clássico realizado na tarde deste domingo, no estádio do Arruda, entre o Santa Cruz e o Sport, os relatos de violência não param de surgir nas redes sociais. São roubos, brigas, depredações, ameaças e agressões que ferem muito mais que o corpo. Sair de casa em dias de grandes jogos tem sido coisa muito arriscada nos últimos tempos.

E não digo isso sem fundamentos, não. Lembro do caso do torcedor do Náutico que foi baleado em frente ao estádio dos Aflitos num sábado em que eu estava de plantão. Dias depois, uma criança foi atingida por uma pedrada na cabeça quando estava dentro de um ônibus. A pedra foi atirada por torcedores de um time rival ao de algumas pessoas que estavam com camisas dentro do coletivo. Nos dois casos, graças a Deus, não houve morte. E se houvesse, o que será que teria mudado? A quem compete por um fim a essa violência fora dos estádios?

É certo que não temos polícia suficiente para monitorar todos os lugares do Grande Recife em dias de jogos. Mas acredito que pode haver mais esforço e força de vontade para resolver o problema. Se a Polícia Militar sozinha não consegue manter a tranquilidade na rua, que venha ajuda de outros órgãos e instituições que possam evitar essa baderna. O que não podemos é assistir a essas cenas todas as vezes que dois grandes times pernambucanos se enfrentam para jogar uma partida de futebol e levar alegria aos seus torcedores.

Aproveito a oportunidade para perguntar a vocês que acompanham o blog se têm alguma sugestão que possa ser útil para mudar essa realidade. Fiquem à vontade para comentar essa notícia. Obrigado.

 

Segurança confessa tiro contra jovem, mas diz que foi acidental

Revelada a identidade do autor do disparo que mantém o torcedor do Náutico, Lucas Lyra, de 19 anos, sob risco de vida no Hospital da Restauração. José Carlos Feitosa Barreto tem 37 anos. Ele trabalhava a serviço de uma empresa de ônibus e confessou ter disparado a arma acidentalmente. O suspeito, no entanto, negou que trabalhasse como segurança. Segundo ele, que não tem porte de arma, a empresa nunca autorizou o uso de arma de fogo. José Carlos descreveu sua função como “controlador de tráfego”. Os responsáveis pela investigação concederam entrevista coletiva na tarde dessa terça-feira, no auditório da sede da Polícia Civil.UNICOM - Policia Civil<br /><br /><br /><br /><br />
José Carlos Feitosa Barreto, 37 anos, suspeito de efetuar disparo contra torcedor do Náutico

José Carlos não foi apresentado à imprensa e segue detido na Departamento de Homícidos e Proteção à Pessoa (DHPP) para contribuir com o resto das investigações. O secretário de defesa social do estado, Wilson Damázio, deu detalhes da operação. Intimado a comparecer a se apresentar após o avanço das investigações, José Carlos prestou depoimento na sede da DHPP na tarde da última segunda-feira. Na ocasião, confessou ter sido o autor do disparo, mas acabou liberado porque a Justiça ainda não havia expedido o mandado de prisão, o que só ocorreu horas depois.

No início da manhã dessa terça-feira, o suspeito foi detido na casa de uma companheira, em Nova Descoberta, sem oferecer resistência. Segundo a versão do próprio José Carlos, o tiro foi consequência do revide a uma tentativa de apedrajamento por parte de alguns dos torcedores envolvidos no tumulto ocorrido na frente da sede do Náutico, sábado à noite, pouco antes do início do jogo entre Náutico e Central.

O segurança confessou ter espancado três torcedores que estariam entre os seus agressores. Um deles era primo de Lucas Lyra, que teria partido pra cima de José Carlos ao ver a cena. Segundo o relado do acusado, o tiro saiu acidentalmente quando ele usava a arma para bater na cabeça dos torcedores. De acordo com o diretor geral de polícia especializada, Joselito Kehrle, pelas imagens da câmera da Secretaria de Defesa Social (SDS) usadas na investigação, não é possível discernir se o tiro foi ou não acidental.

Do Super Esportes. Leia matéria completa na edição impressa do Diario desta quarta-feira.

Preso segurança do ônibus suspeito de ter atirado no torcedor do Náutico

A Polícia Civil prendeu na manhã desta terça-feira, no bairro de Nova Descoberta, na Zona Norte do Recife, o segurança suspeito de ser o autor do disparo que atingiu o jovem Lucas de Freitas Lyra, de 19 anos, na noite do último sábado.

O homem tem 37 anos. O suspeito vai ser apresentado pela polícia ainda nesta tarde. Lucas permanece internado no Hospital da Restauração em estado grave após ter sido baleado na frente do clube alvirrubro. O suspeito identificado até o momento apenas como Mano foi preso porque a polícia já havia conseguido o mandado de prisão preventiva contra ele.

O horário da apresentação do caso ainda está sendo definido entre a chefia da Polícia Civil e a Secretaria de Defesa Social (SDS). O segurança foi identificado a partir das imagens de uma câmara de segurança da SDS instalada na frente da sede do Clube Náutico Capibaribe, onde aconteceu a confusão na noite do sábado.

Estamos atualizando essa notícia que foi publicada às 8h59.