Bloqueadores não impedem presos de usar telefones celulares

“Mais uma vez vou te pedir: manda meu dinheiro, beleza?”. A mensagem é curta e direta e foi enviada, via celular, por supostos traficantes que cumprem pena no Complexo Prisional do Curado ao pai de um preso dependente de crack. Além de revelar o drama de um homem que é obrigado a custear o consumo de drogas do filho dentro de uma unidade penal do estado, a denúncia, feita nessa segunda-feira em audiência pública na Assembleia Legislativa pelo pai do detento, também revela que os celulares continuam funcionando dentro do complexo penitenciário mesmo após a instalação de bloqueadores.

Unidade prisional implantou bloqueadores há cerca de um mês, mas sistema passa por ajustes (PAULO PAIVA/DP/D.A PRESS)

Há cerca de um mês, a Secretaria de Ressocialização (Seres) anunciou que a iniciativa seria o fim da comunicação entre os presos e o mundo exterior, o que inibiria a prática de alguns crimes. Na vizinhança do complexo, no entanto, o sistema funciona “muito bem” e há moradores que estão incomunicáveis.

“Se quiser falar com um preso agorinha, tem celular pra falar com ele. O Frei Damião de Bozano (uma das unidades do complexo) é como uma cracolândia. No último domingo, saí devendo R$ 370 aos traficantes. Eles pegam meu número de telefone e tenho que depositar o dinhero. Ou deposito ou meu filho apanha. Eles dizem: ‘Se não pagar, o senhor visita seu filho no hospital porque a gente vai botar pra quebrar’”.

Danielle e Zuleide não conseguem completar ligações

Problema já foi denunciado pelo blog no início de fevereiro. Moradores da área estão incomunicáveis. Foto: Alcione Ferreira/DP/D.A Press

O secretário de Ressocialização, Romero Ribeiro, disse que os bloqueadores estão em testes e, por isso, sujeitos a falhas. “Eles funcionam, mas têm ajustes em áreas de sombra. Só teremos resposta da empresa no dia 15 de abril”. O secretário disse que vai instaurar sindicância para apurar a denúncia a partir de hoje.

Artifício

Para Eduardo Tude, presidente da empresa Teleco, de inteligência em telecomunicações, há duas possíveis explicações: 1) O bloqueador estaria impedindo a comunicação em uma frequência e os presos estariam usando outras; 2) Os presos estariam usando rádios para falar com uma central que faz o serviço de comunicação por celular. Em meio ao impasse, os vizinhos do complexo são prejudicados.

Para a dona de casa Maria de Lourdes de Oliveira, 55 anos, usar celular, internet e TV por assinatura viraram desafio. “Na semana passada, minha mãe passou mal e precisou ser socorrida. Ela me disse que ligou várias vezes e meu celular dava fora de área. Quem socorreu foram os vizinhos”. Já a comerciante Vanessa Nascimento teve o faturamento comprometido porque a maquineta da loja não funcionava. “Também não consigo falar ao celular”, reclama.

Do Diario de Pernambuco

Bloqueadores de celular estão prejudicando vizinhos de presídio

Moradores do entorno do Complexo Prisional do Curado, antigo Presídio Aníbal Bruno, no Totó, estão enfrentando problemas com os telefones celulares. De acordo com vários pessoas, desde que a Secretaria de Ressocialização do estado (Seres) implantou os bloqueadores de celulares na unidade para acabar com a comunicação de detentos por meio de telefones celulares e também da internet, os moradores também estão sendo prejudicados. “Tenho criança pequena em casa e precisei ligar para a farmácia para pedir o remédio, mas não consegui completar a ligação. Meu marido teve que ir comprar o medicamento”, reclamou a dona de casa Micherla de Andrade, 39 anos.

Bloqueadores instalados no presídio estão prejudicando os vizinhos

Assim como ela, a vendedora de cosméticos Danielle Santos, 27, disse estar com problemas para finalizar suas vendas. “Além de não completar as ligações nos meus celulares da Oi e da Tim, não estou conseguindo acessar a internet para pedir os produtos que eu vendo. Desde que o presídio colocou esses bloqueadores, nossa vida virou um inferno aqui fora. Ninguém consegue fazer uma ligação”, afirmou Danielle. Outra moradora da localidade que preferiu não ter o nome publicado contou que enquanto os celulares do lado de fora estão ruins, os telefones dos presos estão funcionando normalmente. “Os presos ligam para as mulheres deles que estão aqui do lado fora sem problema nenhum”, falou.

Danielle e Zuleide não conseguem completar ligações

Danielle Santos e Zuleide Rodrigues não conseguem completar ligações em seus celulares. Fotos: Alcione Ferreira/DP/D.A Press

A dona de casa Zuleide Rodrigues, 63, disse que as dificuldades para telefonar ocorrem todos os dias e a qualquer hora. “Meus telefones são da Tim e da Oi e eu não consigo falar mais com ninguém. Quando a ligação completa é uma salvação. A gente fica no maior aperreio para falar com os parentes”, lamentou Zuleide. Segundo a Seres, o investimento mensal com os bloqueadores será de R$ 140 mil. Ao ano, os equipamentos custarão R$ 1,7 milhão aos cofres públicos. De acordo com a assessoria de imprensa da Seres, uma equipe de tecnologia e funcionários da empresa que instalou os bloqueadores na unidade estão analisando o uso do equipamento para fazer os ajustes necessários para que os moradores das proximidades do presídio não sejam prejudicados. De acordo com a Seres, essa análise será feita pelos próximos 30 dias.

Bloqueadores de celular começam a funcionar no Complexo do Curado

A partir desta quinta-feira, as três unidades prisionais do Complexo Prisional Curado passam a contar com bloqueador de celular. Esse tipo de tecnologia indiana já é usada em presídios dos estados do Amazonas e Santa Catarina. De acordo com o secretário de Ressocialização, Romero Ribeiro, o serviço funciona através de 85 pares de antenas direcionadas para o interior do Complexo, evitando o bloqueio nas áreas externas dos presídios.

A promessa da Secretaria de Ressocialização do estado (Seres) é de que os cerca de seis mil detentos não consigam mais fazer ou receber ligações telefônicas depois da instalação dos equipamentos. Segundo a Seres, o objetivo desta iniciativa é acabar com a comunicação dos criminosos por meio da telefonia celular e da internet, resultando em maior segurança para sociedade. O custo será de R$ 1,7 milhão por ano.

A comunicação dos funcionários do Complexo do Curado será feita de rádios transmissores. Os telefones convencionais também continuarão funcionando normalmente. Encontrar aparelhos de telefone celular dentro dos presídios de Pernambuco já faz parte das rotineiras vistorias realizadas nas unidades. Ainda segundo a Seres, o objetivo do governo é implantar a novidade em todas as 20 unidades até o final do ano de 2014.

O complexo é formado pelos presídios Juiz Antônio Luiz Lins de Barros, ASP Marcelo Francisco de Araújo e Frei Damião de Bozzano.

Complexo Prisional do Curado terá bloqueadores de celulares

Até o final deste mês, as três unidades prisionais do Complexo do Curado, antigo Presídio Aníbal Bruno, estarão equipadas com um novo bloqueador de telefones celulares. A promessa da Secretaria de Ressocialização do estado (Seres) é a de que os cerca de seis mil detentos não consigam mais fazer ou receber ligações telefônicas depois da instalação dos equipamentos.

Complexo do Curado, antigo Aníbal Bruno, registrou a maior fuga

Complexo do Curado, antigo Aníbal Bruno, receberá os equipamentos

De acordo com o secretário executivo da Seres, coronel Romero Ribeiro, o custo mensal dos bloqueadores será de R$ 140 mil. Ao ano, o investimento vai custar R$ 1.684,200 aos cofres públicos. Encontrar aparelhos de telefone celular dentro dos presídios de Pernambuco já faz parte das rotineiras vistorias realizadas nas unidades. Ainda segundo a Seres, o objetivo do governo é implantar a novidade em todas as 20 unidades até o final do ano de 2014.

“Estamos adotando essa medida para garantir a segurança dos funcionários do sistema e, principalmente, para evitar que aconteça comunicação dos detentos com o mundo externo. Ainda não podemos dizer onde os bloqueadores irão ficar dentro das unidades prisionais, nem de que forma eles irão funcionar”, explicou o secretário Romero Ribeiro. O equipamento possui tecnologia importada da índia e trabalha com ajuda de um software de gestão de monitoramento.

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Projeto de lei obriga presídios a instalar bloqueadores de celular

O Projeto de Lei 4513/12 obriga as unidades prisionais a adotarem identificadores de frequência e bloqueadores de sinais de radiocomunicação. A proposta é de autoria do deputado Wellington Fagundes (PR-MT).

O parlamentar argumenta que as penitenciárias federais, mesmo com todo o esforço, nem sempre conseguem impedir a entrada de equipamentos de radiocomunicação, como telefones celulares, em seu interior. Com isso, conforme afirma, acabam transformadas “em escritórios do crime organizado”.

Fagundes ressalta ainda que “multiplicam-se exemplos, até mesmo em penitenciárias de segurança máxima, de líderes do crime organizado mantendo o comando, a coordenação e o controle de suas facções de dentro dos presídios”.

Tramitação
A proposta tramita apensada ao PL 7223/06, do Senado, que trata do regime penitenciário de segurança máxima. Os projetos tramitam em regime de prioridade. Eles serão analisados por uma comissão especial e, se aprovados, seguirão para o Plenário.

Da Agência Câmara