Pernambuco teve 178 investidas criminosas contra bancos do início do ano até agora

Com o registro de mais uma ação criminosa contra agência bancária nesta madrugada, Pernambuco chega ao total de 178 ocorrências do início do ano até esta sexta-feira. O número é do Sindicato dos Bancários de Pernambuco, que revela ainda que a Região Metropolitana do Recife (RMR) contabilizou 63 desses crimes que seguem desafiando a polícia.  O alvo dessa vez foi uma agência do Bradesco, em São Vicente Ferrer, no Agreste. Segundo a polícia, os criminosos explodiram dois caixas eletrônicos e realizaram vários disparos de arma de fogo.

Dois caixas eletrônicos foram destruídos em São Vicente Ferrer. Foto: Edilson Nascimento/Divulgação

Ainda não se sabe quantas pessoas praticaram o crime, que aconteceu por volta das 2h. Também segundo a polícia, os assaltantes fugiram em dois veículos. Os moradores da cidade ficaram apavorados com o barulho dos tiros e com as explosões dos dois caixas eletrônicos. A polícia ainda não sabe se o grupo conseguiu levar alguma quantia em dinheiro. O caso está sendo investigado pela Polícia Civil. Já a Polícia Militar está realizando buscas para tentar encontrar os criminosos.

Depois da RMR, segundo o Sindicato dos Bancários, o Agreste é a região que mais sofreu ataques contra bancos e instituições financeiras neste ano. Foram 53 casos, incluindo o desta madrugada. O Sertão contabilizou 38 crimes e a região da Zona da Mata teve 24 registros do início deste ano até agora. São números que aterrorizam os funcionários dos bancos, clientes e os moradores das cidades que são alvos dos grupos criminosos.

Equipamento que inutiliza cédulas em caso de arrombamento de caixa eletrônico pode ser obrigatório

Da Agência Câmara

Bancos poderão ser obrigados a instalar equipamentos para inutilizar cédulas em caso de arrombamento de caixas eletrônicos se o Projeto de Lei 6737/16 for aprovado pela Câmara dos Deputados. Pelo texto, o equipamento instalado também deverá inutilizar as cédulas em caso de movimento brusco e alta temperatura.

“A medida visa proteger vigilantes, clientes e usuários das instituições financeiras que cotidianamente ficam sujeitos à violência e à crueldade de grupos de criminosos fortemente armados e portando explosivos de alta potência”, explica o autor do projeto, deputado Nelson Pellegrino (PT-BA).

Caixa eletrônico ficou completamente destruído. Foto: Wagner Oliveira/DP

Caixa eletrônico ficou completamente destruído em ação criminosa no Recife. Foto: Wagner Oliveira/DP

Segundo a proposta, as instituições financeiras poderão utilizar-se de qualquer tipo de tecnologia existente para inutilizar as cédulas, como tinta especial colorida; pó químico; ácidos e solventes; e pirotecnia, desde que não coloquem em perigo os usuários e funcionários que utilizam os caixas eletrônicos.

Ainda conforme o texto, placas de alerta deverão ser instaladas no caixa eletrônico e na entrada do banco, informado sobre a existência do dispositivo e seu funcionamento. As instituições que descumprirem as medidas ficarão sujeitas a penalidades que vão de advertência à multa e interdição do estabelecimento. O projeto acrescenta artigo à Lei 7.102/83, que trata da segurança em estabelecimentos financeiros.

Polícia investiga ações de quadrilha de assaltantes de banco

A lista de crimes da quadrilha presa num apartamento em Boa Viagem, segundo a polícia, é extensa. Sete pessoas foram detidas por envolvimento com assaltos a bancos, explosões a caixas eletrônicos, roubos, furtos, clonagem de cartões de crédito, estelionato, uso de documentos falsos e outros delitos. Também de acordo com a polícia, Cláudia Josefa de Aguiar era a pessoa responsável pela coordenação do grupo criminoso. Os detalhes das prisões foram apresentados ontem pela Polícia Civil de Pernambuco. “É uma grande organização criminosa que foi desarticulada pela Políci Civil”, resumiu o delegado Paulo Berenguer.

Ação do grupo foi detalhada ontem pela Polícia Civil. Fotos: PCPE/Divulgação

Ação do grupo foi detalhada ontem pela Polícia Civil. Fotos: PCPE/Divulgação

O grupo, que tem alguns integrantes do estado do Ceará, teria começado a agir em Pernambuco em janeiro deste ano. Seis pessoas foram presas num apartamento na Rua dos Navegantes, na última sexta-feira. As investigações tiveram início a partir do assalto a um carro-forte, na Avenida Caxangá, em junho deste ano. “Os mandados de prisão e busca e apreensão foram originados a partir do assalto ao carro-forte, mas eles são suspeitos de muitos outros crimes. A organização criminosa é muito maior que essas sete pessoas presas. Somente no crime do carro-forte, 11 pessoas participaram. Outros mandados ainda serão cumpridos e as investigações continuam”, ressaltou o delegado.

Explosivo apreendido seria suficiente para derrubar o prédio na Rua dos Navegantes

Explosivo apreendido seria suficiente para derrubar o prédio na Rua dos Navegantes, em Boa Viagem

Com os suspeitos foram apreendidos três carros de luxo, cinco motos, vários explosivos, coletes balísticos, munições, R$ 4.922 em espécie, talões de cheques, cartões de crédito, máquinas de clonar cartões, mais de dois quilos de cocaína pura e documentos falsificados. “Tudo está sendo investigado e as ações desse grupo podem ter acontecido também no interior do estado. A quadrilha estava atuando em Pernambuco desde janeiro deste ano. Quantos aos explosivos apreendidos com o grupo, já encaminhamos para perícia. Caso se confirme que são os mesmo usados nas explosões a caixas eletrônicos, vamos investigar se els tiveram ligação com as ações criminosas”, completou Berenguer.

Além de Cláudia Aguiar, foram presos pela polícia Luiz Davi da Silva Júnior, o estudante de direito Luiz Davi Silva Neto, Alisson Souza Silva, Isabel Maciel da Silva, Wicente Leonardo Souza de Alencar e Ivancley Alves Gomes.

Caixas eletrônicos são os alvos da vez em Pernambuco

Não tem dia, nem hora, nem lugar. As investidas criminosas contra as agências bancárias e terminais de caixas eletrônicos estão assustando a população dos municípios do interior do estado e também da Região Metropolitana do Recife. A violência das ações, cada vez mais ousadas, também tem deixado as forças policiais de mãos atadas para resolver o problema. Quase todos os dias, o noticiário pernambucano relata casos de explosões a terminais bancários.

Na semana passada, um grupo formado por cinco homens invadiu, após disparar vários tiros e quebrar as portas de vidro, o prédio da Procuradoria Regional da Fazenda Nacional da 5ª Região, na Avenida Agamenon Magalhães, no Espinheiro. Eles explodiram um caixa eletrônico do Banco do Brasil e levaram todo o dinheiro que havia no equipamento.

Caixa eletrônico ficou completamente destruído. Foto: Wagner Oliveira/DP

Caixa eletrônico do Banco do Brasil ficou completamente destruído. Foto: Wagner Oliveira/DP

Uma Força-tarefa para investigar esses crimes foi criada pelas polícias Federal e Civil. No entanto, as ações ainda não são suficientes para frear as ocorrências. De janeiro a junho deste ano, 55 pessoas foram presas pela Delegacia de Repressão ao Roubo e outras 33 capturadas pela Polícia Federal apenas por envolvimento em crimes relacionados a roubos de bancos ou explosões e arrombamentos a caixas eletrônicos em todo estado.

Dados da Secretaria de Defesa Social (SDS), indicam que nos primeiros seis meses deste ano Pernambuco registrou 28 casos de roubo ou furto a caixa eletrônico. No mesmo período do ano passado, foram computadas 30 ocorrências no estado.
Na década de 2000, uma onda de assaltos e explosões a carros-forte assolou Pernambuco. Além das investidas praticadas no Grande Recife, quando os carros estavam estacionados perto de bancos ou grandes redes de supermercados, dezenas de abordagens foram registradas na BR-232, que liga a capital ao Agreste e Sertão do estado.

Em alguns casos, os assaltos eram praticados no horário da noite. Atualmente, esse tipo de ocorrência quase não faz parte das estatísticas da SDS. É como se os criminosos tivessem encontrado um jeito mais fácil e menos perigoso de botar a mão em grandes quantias de dinheiro. Nos carros-forte existem seguranças armados. Nos caixas eletrônicos, às vezes, há apenas um ou dois vigilantes.

Quem mora perto dos bancos ou caixas eletrônicos que são alvos dos criminosos vive momento de pânico dentro de casa enquanto as ações estão sendo praticadas. Além dos muitos tiros disparados pelos assaltantes, inclusive com armas de grosso calibre e muito mais potentes que as usadas pelos policiais, os suspeitos ainda deixam encurralados os policiais militares que estão de plantão nos destacamentos. Em muitos crimes, viaturas foram baleadas e tiveram vidros quebrados e pneus furados pelos integrantes dessas quadrilhas. Além disso, em algumas ações, os bandidos espalham grampos no asfalto ao longo do caminho para que os policiais não consigam iniciar uma perseguição.

As ações criminosas costumam dar certo para os assaltantes, no entanto, no dia 10 de julho, quatro deles acabaram mortos após uma tentativa de arrombamento à agência do Banco do Brasil, no município de Buenos Aires, Zona da Mata Norte. O banco chegou a ser invadido por 10 homens que, utilizando maçaricos, começaram a arrombar os caixas eletrônicos quando foram surpreendidos por policiais militares. Houve troca de tiros e três suspeitos morreram no local. O quarto envolvido morreu no Hospital da Restauração. Nenhuma quantia em dinheiro foi levada da agência. Um fato que tem chamado a atenção da polícia são as datas escolhidas pelos criminosos. Geralmente escolhem os primeiros dias do mês, pois sabem que os terminais estarão abastecidos para a realização de pagamentos de salários e aposentadorias.

Os investigadores acreditam que o grupo que vem aterrorizando o interior do estado também possa estar agindo nas cidades do Grande Recife. Há uma suspeita de que sejam de estados vizinhos a Pernambuco e de que utilizem as rodovias federais para fugirem com facilidade. Segundo o assessor de comunicação da Polícia Federal, Giovani Santoro, os assaltantes que cometeram o crime no prédio da Procuradoria Regional da Fazenda usaram os mesmos procedimentos que são feitos no interior do estado. “Eles estavam com armamentos pesados, usaram a mesma logística das investidas do interior, agiram durante a madrugada e estavam em grande número de pessoas. Além disso, usaram artefatos explosivos para destruir o terminal eletrônico”, ressaltou Santoro.

Os dados da SDS revelam ainda que de janeiro a junho deste ano ocorreram dez roubos a bancos contra 18 no mesmo período do ano passado. No entanto, o número de furtos teve um aumento. Em 2015, apenas quatro agências sofreram furtos nos seis primeiros meses do ano. Já no mesmo período deste ano foram computadas 14 ações. Enquanto as autoridades de segurança pública não conseguem encontrar um jeito de barras essas investidas criminosas, as agências bancárias e os caixas eletrônicos seguem como alvos fáceis das quadrilhas de assaltantes.

Medidas para tentar conter roubos a bancos em Pernambuco

As polícias Civil e Militar anunciaram ontem reforços para tentar reduzir os assaltos a bancos na Região Metropolitana. De acordo com o comandante da Polícia Militar, coronel Pereira Neto, o policiamento foi reforçado nos principais corredores bancários. “Haverá bloqueios e policiamento com motos perto das agências”, ressaltou. Ele informou que neste ano, 30 pessoas foram presas no estado por esse crime.

Assaltos no Grande Recife e no interior têm sido constantes. Foto: Rodrigo de Luna/TV Clube

Assaltos no Grande Recife e no interior têm sido constantes. Foto: Rodrigo de Luna/TV Clube

O chefe da Polícia Civil, Antônio Barros, anunciou que neste mês a Delegacia de Repressão ao Roubo receberá mais um delegado, totalizando três. “Acredito que o aumento do efetivo e a troca de informações entre a delegacia e as as agências ajudarão a prender os suspeitos”, ressaltou Barros. Neste ano, 12 pessoas foram presas pela Civil por assaltos a bancos.

Segundo a SDS, 24 assaltos foram registrados em 2015 no estado, até a última terça-feira. De acordo com o Sindicato dos Bancários de Pernambuco, o número de assaltos neste ano é de 35. Na manhã desta quinta-feira, o sindicato faz uma coletiva para apresentar os dados referentes aos últimos sete meses. Às 14h, uma reunião no Centro de Apoio Operacional às Promotorias de Justiça de Defesa do Consumidor (Caop Consumidor) do Ministério Público de Pernambuco (MPPE) vai discutir a questão da segurança nos bancos.

Roubos em bancos sugerem cenário de “novo cangaço”

As características dos assaltos a banco no Nordeste mudaram nos últimos anos. Tornaram-se mais comuns as explosões a caixas eletrônicos. Foram 203 ataques em Pernambuco e nos cinco estados vizinhos: Paraíba, Ceará, Piauí, Bahia e Alagoas. Os ataques em série a cidades pequenas do interior nordestino ficaram conhecidos como “novo cangaço”.

Destruição no BB de Condado em 2012: quadrilhas são interestaduais e complexas (ALMEIDAALMEIDA/DP/D.A PRESS)

Para o historiador e professor da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), Severino Vicente, o aspecto que aproxima o bando de cangaço de Lampião, que atuou no início do século 20, dos casos atuais, é a ausência do Estado. “Em muitas cidades do interior, o juiz, delegado, promotor não moram no local e acumulam a responsabilidade por vários municípios. A ausência das instituições públicas favorece a ação dos criminosos”, explicou. “Foi num contexto sem um estado presente que o cangaço se espalhou pelo Nordeste até que, nos anos 1930, o estado assumiu o controle social do Sertão”, completou o professor.

Por mais que haja contingente humano disponível, é difícil para o corpo policial garantir a segurança no Agreste e no Sertão nordestinos, em especial no período em que normalmente são liberados salários e pagamentos de benefícios. O desafio é grande, tanto que entre os dias 1º e 8 do mês são registradas 34% das tentativas de roubos com uso de explosivos, em especial no período que vai da quarta à sexta-feira.

Em todo o Nordeste, o Bradesco é o principal alvo dos bandidos. Não por coincidência, é a rede que concentra pagamentos de servidores públicos de Pernambuco e, pelo menos, outros três estados nordestinos. De acordo com o chefe de comunicação da Polícia Federal, Giovani Santoro, é a Polícia Civil de cada estado que atua na tentativa de coibir e prender grupos criminosos do gênero, no entanto, a PF pode fazer parte de investigações conjuntas justamente quando há características de interestadualidade das ações, o que dificulta a ação local.

“Como as quadrilhas são interestaduais, fica difícil informar quantos assaltantes foram presos este ano, já que eles podem ter sido detidos em outro estado”, explica. A Caixa Econômica Federal é o terceiro alvo mais recorrente quando o assunto são roubos com uso de explosivos, mas há registro cada vez menor de investidas contra as agências desse banco, fato atribuído a uma central de monitoramento 24 horas, que aciona a Polícia Militar local automaticamente assim que um movimento é detectado no interior da agência, após o horário de funcionamento tradicional.

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Explosões a caixas eletrônicos desafiam a polícia

Explosões a caixas eletrônicos desafiam a polícia

A ação acontece quase sempre do mesmo jeito: os bandidos chegam à noite ou de madrugada, invadem a agência bancária, explodem os caixas eletrônicos e fogem levando o dinheiro. A repetição dos casos de furto com explosivos aos bancos do estado expõe a falta de segurança nesses estabelecimentos, principalmente nas cidades do interior.

Agências do Banco do Brasil e do Bradesco em Machados foram invadidas e explodidas com minutos de intervalo (REPRODUCAO TV CLUBE)

Na madrugada de ontem, duas agências de Machados, no Agreste, ficaram completamente destruídas depois que um grupo usou dinamites para explodir os caixas. E o episódio passa longe de ser isolado no interior pernambucano: dos 36 casos de roubo ou furto a caixas eletrônicos registrados neste ano, 23 crimes ocorreram em municípios fora da Região Metropolitana do Recife.

Os bancos furtados em Machados ficam a 500 metros de distância um do outro. Segundo relatos de moradores da área, estiveram envolvidos na ação pelo menos 12 homens, divididos em três veículos. A primeira investida foi na agência do Bradesco. Os assaltantes atiraram na placa do estabelecimento e nas lâmpadas dos postes da rua para que o local ficasse escuro e, assim, as câmeras de segurança da prefeitura não filmassem a ação. Em seguida, o grupo foi ao Banco do Brasil.

As agências estão fechadas, sem previsão de reabertura. “Ouvimos muitos tiros e acordamos assustados. O clima na cidade é de medo”, relatou a aposentada Clarice Maria. Ninguém foi preso.

Fuga fácil
Somente este ano, a Secretaria de Defesa Social (SDS) registrou 17 roubos e furtos a caixas eletrônicos com explosivos e o foco é o interior, onde os criminosos acreditam terem mais chances de fuga.

Justamente por isso, concentram quatro em cada cinco crimes do tipo. Para se ter uma ideia, na capital, que registra o maior contingente de tentativas de roubo a bancos (nove em 2014), nenhuma envolveu explosivos. Na RMR, apenas três casos do gênero foram registrados.

Em Inajá, no Sertão pernambucano, foram dois casos. Em um deles, um PM foi morto. “A dinâmica desses grupos é agir, principalmente, nas divisas com outros estados. Na maioria das vezes, eles se articulam fora do local onde o crime acontece e, em seguida, migram para outro lugar, o que dificulta a investigação”, disse o gestor do Departamento de Repressão aos Crimes Patrimoniais (Depatri), Nelson Souto.

Do Diario de Pernambuco, por Anamaria Nascimento e Ed Wanderley

Quadrilhas que explodem caixas eletrônicos desafiam a polícia

As quadrilhas de arrombamentos de caixas eletrônicos em Pernambuco continuam desafiando a polícia. De acordo com a Secretaria de Defesa Social (SDS), foram registradas 23 investidas em 2013, contabilizando os casos ocorridos até a sexta-feira passada. Em todo o ano de 2012 foram 32 crimes. O 24º caso deste ano aconteceu no supermercado Pão de Açúcar da Avenida Rosa e Silva, no bairro dos Aflitos, Zona Norte do Recife. Na madrugada dessa segunda-feira, quatro criminosos invadiram o estabelecimento, renderam um vigilante e, com uso de maçaricos, arrombaram um terminal de autoatendimento. A quantia levada não foi revelada. Cerca de dez garrafas de uísque também foram roubadas pelo grupo. Imagens do circuito interno de segurança serão usadas pela polícia tentar identificar os suspeitos.

O gestor do Departamento de Repressão aos Crimes Patrimoniais (Depatri), José Cláudio Nogueira, explicou que o crescimento dessa prática criminosa não se restringe a Pernambuco. “Todo o Brasil está vivenciando essa onda de quadrilhas especializadas tanto em explosões de caixas eletrônicos, com uso de bananas de dinamites, como arrombamentos com maçaricos”, afirmou Nogueira. Ainda segundo ele, há grupos que também estão furtando os terminais de autoatendimento porque observam facilidades para entrarem nas agências bancárias ou estabelecimentos comerciais. “Mas muitas vezes essas pessoas são bastante despreparadas”, disse.

A quadrilha que agiu no Pão de Açúcar entrou pela porta dos fundos. O segurança, cuja identidade está sendo preservada, foi imobilizado, amarrado em uma cadeira e amordaçado. Sob ameaças de ser morto a tiros, passou mais de uma hora – após a saída dos criminosos -, para se soltar da cadeira e telefonar para a polícia pedindo ajuda. O perito Severino Arruda, do Instituto de Criminalística (IC), informou que duas luvas usadas pelo grupo foram encontradas, provavelmente para evitar que impressões digitais ficassem registradas nos caixas eletrônicos.

Em nota oficial, a assessoria de imprensa do supermercado confirmou o assalto e garantiu que “toma todas as medidas de cautela para evitar situações deste tipo, tais como empresa terceirizada responsável pela segurança do local, controle de entrada e saída dos veículos através de câmeras de monitoramento e equipe treinada para acionar as autoridades competentes mediante qualquer atitude suspeita”.

Do Diario de Pernambuco

 

 

Polícia está investigando origem e destino de explosivos apreendidos

A Delegacia de Repressão ao Roubo está investigando se existe ligação entre os explosivos apreendidos no bairro de Socorro, em Jaboatão, com os crimes de explosões de caixas eletrônicos registrados no estado. De acordo com o delegado Mauro Cabral, titular da especializada, ainda é preciso cautela para afirmar que os explosivos apreendidos seriam utilizados para explodir caixas eletrônicos. “Vamos investigar de que forma estava sendo feito o repasse do resto desse explosivo apreendido”, ponderou. Após a prisão dos suspeitos, funcionários e familiares fizeram um protesto em frente à delegacia.

Material apreendido estava enterrado num quintal. Foto: Wagner Oliveira/DP/D.A.Press

Material apreendido estava enterrado num quintal. Foto: Wagner Oliveira/DP/D.A.Press

Após 15 dias de investigação, agentes da Delegacia de Jaboatão prenderam, na manhã da última segunda-feira, dois homens com 270 quilos de explosivos. Segundo o delegado Igor Leite, responsável pela apreensão e pelas prisões dos suspeitos, o material apreendido poderia estar sendo repassado às quadrilhas especializadas em explosões de caixas eletrônicos. Com os suspeitos foram encontrados ainda 25 bananas de dinamite, 70 quilos de pólvora, cinco rolos de cordel (fio), mil espoletas e duas espingardas. De acordo com a polícia, o material apreendido e que estava escondido no quintal da casa do comerciante Jerônimo Augusto dos Santos, 57 anos dono de uma pedreira, no bairro de Socorro, seria suficiente para destruir, caso fosse explodido, três quarteirões inteiros ou um campo de futebol e meio.

Parentes e funcionários de um dos suspeitos protestaram. Foto: Wagner Oliveira/DP/D.A.Press

Funcionários de um dos suspeitos protestaram. Foto: Wagner Oliveira/DP/D.A.Press

O segundo homem preso em Jaboatão, José Plácido de Melo Filho, 52, seria o responsável pelo transporte do material explosivo. “Esse material que foi apreendido  está muito acima da quantidade para ser utilizado em uma pedreira. Descobrimos que o produto era desviado de um paiol regulado pelo Exército. Os comerciantes conseguiam alterar as quantidades explosivos para mais e acabavam desviando a sobra para armazenar de forma irregular”, afirmou o delegado.

 

Polícia bate forte nas quadrilhas que explodem caixas eletrônicos

A polícia desarticulou uma quadrilha que se preparava para explodir caixas eletrônicos e assaltar carros-fortes em Pernambuco. Com o grupo de quatro suspeitos, o Departamento de Repressão ao Narcotráfico (Denarc) apreendeu 17 bananas de emulsão explosiva, cujo poder de destruição é superior ao da dinamite, além de armas e outros materiais usados em crimes desse tipo.

Delegados Renato Rocha e Rodrigo Maciel falaram sobre as prisões. Foto: Alcione Ferreira/DP/D.A.Press

Delegados Renato Rocha e Rodrigo Maciel falaram sobre as prisões. Foto: Alcione Ferreira/DP/D.A.Press

Os suspeitos foram transferidos para o Cotel e responderão por tráfico de drogas, formação de quadrilha, receptação de material roubado e porte ilegal de armas de fogo, explosivos e munição. A última investida contra bancos no estado ocorreu na semana passada, em Triunfo. Ladrões atacaram a agência do Bradesco, que teve o teto de gesso e as portas de vidro destruídos, e fugiram em seguida.

A quadrilha apresentada nessa segunda-feira foi presa na última sexta-feira, quando planejava roubar um posto de combustível na Avenida Beberibe, na Zona Norte do Recife. A polícia suspeitou da movimentação, montou cerco e rendeu dois homens no local. Outros dois foram capturados na casa alugada pelo grupo para esconder os explosivos, em Pau Amarelo, Paulista. O Denarc apreendeu uma farda da PM, um cordão detonante, grampos para furar pneus, um colete à prova de balas, dois distintivos falsos, luvas, um revólver e um rifle, uma espingarda e 750 gramas de maconha.

Explosivos foram apreendidos pela polícia. Foto: Alcione Ferreira/DP/D.A.Press

Explosivos foram apreendidos pela polícia. Foto: Alcione Ferreira/DP/D.A.Press

A variedade do material chamou a atenção do delegado Rodrigo Araújo. “Eles queriam juntar dinheiro para comprar armamento pesado e fazer assaltos maiores, a bancos e carros-fortes”, explicou. A polícia investiga a participação do grupo em explosões já ocorridas. “Fizemos o contato com o Depatri e estamos aguardando informações”, disse o gestor do Denarc, Renato Rocha.

Interestaduais
Segundo o gestor do Departamento de Repressão aos Crimes Patrimoniais, José Cláudio Nogueira, as quadrilhas que roubam bancos são formadas, em geral, por bandidos de mais de um estado. As investidas duram menos de dez minutos. O delegado comentou o aumento das ocorrências. “Tem relação com a facilidade de conseguirem explosivos, que são muito usados em obras”, afirmou.

Do Diario de Pernambuco