Policiais civis de Pernambuco farão paralisação de 48 horas

Policiais civis de Pernambuco farão uma paralisação de 48 horas a partir de zero hora de amanhã. Uma assembleia que contou com a participação de aproximadamente 500 dos 4,9 mil profissionais em todo o estado deliberou, ontem à noite, que antes do final da paralisação, às 18 horas da quinta-feira, outra assembleia decidirá os rumos do movimento. “A gente pode deliberar pela greve”, antecipou o presidente do Sindicato dos Policiais Civis de Pernambuco (Sinpol), Áureo Cisneiros.

Categoria está cobrando melhorias. Foto: Julio Jacobina/DP/D.A Press

Categoria está cobrando melhorias. Foto: Julio Jacobina/DP/D.A Press

Ainda segundo o presidente do Sinpol, em mais de duas horas de reunião de negociação o governo do estado não ofereceu nada além de uma “progressão, dependendo de avaliação de desempenho”. A categoria reivindica a recomposição dos salários, incluindo a fixação do percentual de 225% de gratificação de função policial para todo o quadro da Polícia Civil, além da convocação de 100 escrivães e 700 agentes concursados para substituir outros que se aposentam até o final do ano. Cobram, ainda, equipagem adequada para trabalhar com segurança, inclusive coletes à prova de balas, melhores condições de trabalho nas delegacias.

A segunda paralisação de advertência ocorrerá de forma dobrada em relação à primeira, realizada no dia 19 de maio, quando a categoria parou por 24 horas. Mas o objetivo é o mesmo, limitar o trabalho exclusivamente aos flagrantes e locais de homicídio, ainda assim condicionados à garantia de segurança dos profissionais prevista em Lei, dentro do foco do que definem como Operação Polícia Cidadã. Áureo Cisneiros destacou que, como na deliberação da paralisação anterior, a assembleia contou com delegações de policiais civis do interior.

Polícia Civil fará parada de advertência na terça-feira

Policiais civis e peritos do Instituto de Identificação Tavares Buril ocuparam ruas do Centro por duas horas a partir das 16h30 de ontem para reivindicar melhores condições de trabalho, incluindo a compra de coletes à prova de bala, delegacias mais estruturadas, e contratação de concursados.

Categoria fez passeata ontem pelas ruas do Centro. Fotos: Roberto Ramos/DP/D.A Press

Categoria fez passeata pelas ruas do Centro. Fotos: Roberto Ramos/DP/D.A Press

Além disso, pediram melhorias nos salários, com fixação do percentual de 225% de gratificação para todo o quadro da Polícia Civil. Ao fim, reunidos em assembleia na Praça da República, anunciaram paralisação de advertência de 24 horas a partir de 0h da terça-feira (19).

O presidente do Sindicato dos Policiais Civis de Pernambuco (Sinpol), Áureo Cisneiros, disse que a categoria quer garantir os 30% de serviços previstos em lei, fazendo apenas flagrantes. A decisão vale também para o IML.

Peritos do IITB também participaram da passeata

Peritos do IITB também participaram da passeata

Cerca de mil policiais civis e peritos participaram da passeata, que cobrou a convocação os 100 escrivães e 700 agentes para substituir outros 800 que se aposentam até o final do ano, de um total de 4,9 mil profissionais.

Os policiais se reuniram na Praça da República, após distribuir uma carta aberta à sociedade. A passeata fez uma parada de protesto na frente da Secretaria de Defesa Social (SDS) e rumou ao Palácio do Campo das Princesas, para que uma comissão entregasse um documento com reivindicações.

Um comissão foi recebida no Palácio do Governo ontem à noite

Um comissão foi recebida no Palácio do Governo ontem à noite

A comissão foi recebida pelo secretário em exercício da Casa Civil, Marcelo Canuto, e o secretário-executivo André Campos, que ressaltaram a disposição de manter diálogo. Além disso, informaram que mesmo com a data-base da categoria programada para junho, todos pontos da pauta “serão aprofundados por comissões temáticas formadas pelas SDS, Secretaria de Administração e da Fazenda, para avaliar o impacto financeiro das reivindicações. Os gestores anunciaram para a próxima semana uma reunião entre representantes do Sinpol e o secretário de Administração, Milton Coelho.

Sinpol vai divulgar situação das delegacias e Operação Padrão

O Sindicato dos Policiais Civis de Pernambuco (Sinpol) inicia nesta segunda-feira uma operação padrão. De acordo com o presidente do sindicato, Áureo Cisneiros, a manifestação é uma forma de protestar contra as precárias condições de trabalho da categoria e do que chama de “falência do Pacto pela Vida”. Os detalhes sobre a mobilização serão divulgados em uma entrevista coletiva marcada para as 14h.

Unidades do interior são as mais prejudicadas. Foto: Paulo Paiva/DP/D.A Press

Unidades do interior são as mais prejudicadas. Foto: Paulo Paiva/DP/D.A Press

Na ocasião, os sindicalistas também devem apresentar um dossiê sobre o estado físico e de conservação das delegacias e dos Equipamentos de Proteção (EPIs) utilizados pelos policiais civis de Pernambuco. De acordo com o Sinpol, foram percorridos diversos municípios do estado constatando a precariedade da situação.

De acordo com o líder sindical, durante a operação Polícia Cidadã, como foi batizado o protesto, os agentes cumprirão rigorosamente as atividades funcionais determinadas por lei, deixando de realizar trabalhos extras para compensar a falta de efetivo. “Queremos que o Estado nos dê as mínimas condições de trabalho. Hoje, por exemplo, vários agentes saem com coletes vencidos para a rua. Com a operação-padrão, só sairá quem tiver com o colete no prazo de validade”, garante o presidente do Sinpol.

Presidente do Sinpol, Áureo Cisneiros vai falar sobre a situação. Foto: Sinpol/Divulgação

Presidente do Sinpol, Áureo Cisneiros, vai falar sobre a situação. Foto: Sinpol/Divulgação

Ainda segundo o Sinpol, Pernambuco tem hoje 4.900 policiais civis, quando o número previsto para 2015, de acordo com decreto assinado pelo ex-governador Eduardo Campos, seria de 10.500 policiais. O representante do Sinpol alerta que a falta de pessoal e de infraestrutura tem provocado o fechamento de várias delegacias, a exemplo do que vem ocorrendo no município de Carpina, na Mata Norte. “Nossos policiais estão saindo de uma jornada e entrando direto em outra para cobrir a falta de pessoal”, denuncia.

Agentes penitenciários podem parar sábado e domingo

Está marcada para as 15h desta quarta-feira uma reunião entre os representantes do Sindicato dos Agentes Penitenciários de Pernambuco e o secretário de Justiça e Direitos Humanos do estado, Pedro Eurico. Diante da situação nas unidades prisionais, que estão em estado de emergência decretado pelo governo, os agentes penitenciários estão com medo de trabalhar. Depende do resultado desse encontro uma possivel paralisação dos agentes nos próximos sábado e domingo. A categoria já tem também uma assembleia marcada para o dia 10.

Rebelião durou três dias e deixou três mortos. Foto: Paulo Paiva/DP/D.A Press

Agentes correm riscos ao trabalhar em unidades onde presos estsão sempre armados com facas e barras de ferros. Foto: Paulo Paiva/DP/D.A Press

Segundo o presidente do sindicato, Nivaldo Oliveira, a categoria espera ter suas reivindicações atendidas. “Vamos pedir, principalmente, condições de trabalho e respeito para desempenhar nossas atividades. Não estamos nem falando melhorias salarias nesse momento”, adiantou Oliveira.

Após um final de semana com duas mortes e pelo menos 12 detentos feridos no Presídio Juiz Antônio Luiz Lins de Barros (PJALLB), no Complexo Prisional do Curado, na Zona Oeste do Recife, policiais militares do Batalhão de Choque entraram na unidade para a realização de uma vistoria na última segunda-feira. Um total de 170 armas brancas, mais de 40 celulares e drogas foram apreendidas na unidade.

Polícia Civil faz paralisação de 24 horas, mas Pernambuco não adere

Para cobrar melhores condições de trabalho e reajuste salarial, policiais civis paralisaram hoje as atividades por até 24 horas. A Confederação Brasileira de Trabalhadores Policiais Civis garantiu que policiais de 13 estados vão às ruas para fazer passeata, mas o movimento pode não ter a adesão esperada. Em Pernambuco, por exemplo, a categoria não deixou de trabalhar. O Sindicato dos Policiais Federais no Distrito Federal também prometeu mobilização pelo país, mas muitos estados recuaram.

Caso diálogo não avance, categoria pode aderir à greve (DOMINGOS PEIXOTO / AGENCIA O GLOBO)

O Sindicato da Polícia Civil de Pernambuco garantiu que não haverá passeata. A diretoria alegou que o diálogo entre o governo e a categoria foi aberto, garantindo uma negociação salarial em curso. Informou ainda que a diferença de salário entre os agentes e delegados está sendo reduzida.

Já a União dos Escrivães de Polícia de Pernambuco, movimento de oposição, afirmou que um grupo de cerca de 3 mil pessoas sairá da Praça Oswaldo Cruz até o Palácio do Campo das Princesas para pedir a negociação da pauta de reivindicações entregue na última sexta-feira.

“O delegado ganha 225% de gratificação do risco de vida sobre o salário base. O resto da categoria ganha 100%. Não vamos aceitar”, disse um dos líderes, Áureo Cisneiros. Ele informou que a categoria poderá decidir pela paralisação por tempo indeterminado caso o governo não abra espaço para negociação.

O Sindicato dos Policiais Federais em Pernambuco informou que não vai aderir ao movimento porque haverá hoje assembleia para deliberar o encaminhamento de negociações da classe com o governo federal.

Do Diario de Pernamnbuco