Pais de Beatriz Mota participam de reunião na Alepe nesta quarta-feira

Está prevista para esta quarta-feira (24), na Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe), uma reunião na qual participarão os pais da menina Beatriz Angélica Mota, 7 anos, assassinada com 42 facadas, em dezembro de 2015, em Petrolina, no Sertão. O encontro marcado para as 9h30 acontecerá por iniciativa do deputado estadual Odacy Amorim e será realizado numa sessão conjunta com a Comissão de Cidadania e Direitos Humanos.

Quem também deve participar do encontro é a delegada Gleide Ângelo, que está à frente das investigações do assassinato. Os familiares e amigos da menina afirmam que não irão desistir de lutar para que a justiça pelo seu assassinato seja feita. Ainda na agenda dos pais de Beatriz, Sandro Romilton Ferreira e Lúcia, está prevista uma reunião no Ministério Público de Pernambuco.

Beatriz Mota tinha sete anos quando foi morta. Foto: Facebook/Reprodução

Até agora o suspeito pela morte da garota não foi preso. Em março deste ano, a Polícia Civil conseguiu imagens que revelam a face do autor do crime. Para os investigadores, não há dúvidas de que o homem que aparece nas filmagens de câmeras de segurança de estabelecimentos próximos ao Colégio Nossa Senhora Auxiliadora, onde ela estudava, é o assassino. O Disque-Denúncia oferece R$ 10 mil de recompensa para quem tiver informações sobre a localização do homem.

Policia diz que este homem é o assassino. Foto: Shilton Araújo/Esp/DP

DENUNCIE
Quem tiver informações que possam auxiliar a polícia na identificação do suspeito que aparece nas imagens pode entrar em contato com os investigadores através dos números abaixo:

Ouvidoria SDS – 181
WhatsApp – (87) 9 9911-8104
Disque-Denúncia
(81) 3421-9595
(81) 3719-4545
Recompensa R$ 10 mil

Defesa do engenheiro Janderson Alencar pediu a revogação da prisão

O advogado Jairo Cavalcanti, que atua na defesa do engenheiro Janderson Rodrigo Salgado de Alencar, 29 anos, solicitou à Justiça a revogação da prisão do seu cliente, na última sexta-feira. Também na sexta-feira, a delegada Gleide Ângelo, que investigou o desaparecimento de Janderson e da filha Júlia Alencar, enviou o inquérito à Justiça no qual ele foi indiciado.

Janderson está preso no Cotel. Foto: Peu Ricardo/Esp. DP

Janderson está preso no Cotel. Foto: Peu Ricardo/Esp. DP

O engenheiro irá responder com base no artigo 237 do Estatuto da Criança e do Adolescente por ter levado a filha da casa da mãe, que tinha a guarda provisória da menina Júlia Alencar. Janderson está preso no Cotel desde o dia 25 deste mês, caso condenado pode pegar de dois a seis anos de reclusão. Ele e a criança foram encontrados no estado do Amapá, depois de 13 dias fugindo da polícia. Júlia, de um ano e dez meses, voltou para a casa da mãe na semana passada.

“A Justiça já encaminhou o processo ao Ministério Público e agora o juiz vai esperar retornar com o parecer do promotor. Também vou esperar a avaliação do meu pedido de revogação da prisão de Janderson”, pontuou Jairo Cavalcanti.

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Janderson quer falar porque viajou com a filha após deixar a prisão

Polícia Federal pode assumir investigação do caso Beatriz Mota

Parentes e amigos da menina Beatriz Angélica Mota, de apenas 7 anos, morta a facadas em Petrolina, esperam por uma resposta positiva da Polícia Federal para que as investigações do caso sejam feitas por agentes federais. A PF ainda está analisando a possibilidade de assumir o caso. A garota foi morta durante uma festa formatura, no dia 10 de dezembro de 2015. Há duas semanas, a presidente Dilma Rousseff, em visita à Petrolina, conversou com os pais de Beatriz.

Beatriz tinha sete anos. Foto: Blog O Povo Com a Noticia/Reproducao da Internet

Beatriz tinha sete anos. Foto: Blog O Povo Com a Noticia/Reproducao da Internet

Para que a PF assuma a investigação, é preciso uma determinação do Superior Tribunal de Justiça (STJ), que precisa de parecer técnico da PF e requerimento do procurador-geral da República. O pedido para que a PF assuma o caso é apontada como “a única” esperança para que as investigações avancem, segundo familiares da vítima.

Na semana passada foram divulgadas, pela Polícia Civil de Pernambuco, imagens da garota durante a festa no Colégio Nossa Senhora Auxiliadora. No vídeo é possível ver Beatriz com a mãe na arquibancada da quadra do colégio e, depois, se afastando sozinha do local. As imagens também mostram amigos e familiares procurando pela menina na escola.

Em depoimento, convidados da solenidade onde o crime aconteceu mencionam a presença de um “estranho”, que teria sido visto no banheiro feminino com duas crianças. Cerca de 2,5 mil pessoas estavam no evento. A grande quantidade de convidados circulando no local é um dos fatores que dificulta a investigação.

Imagens feitas nos celulares e pelo fotógrafo que estava trabalhando na festa estão sendo usadas pela polícia. A instituição de ensino não tinha câmeras de monitoramento no local onde a menina foi encontrada morta. A escola só tinha câmeras na portaria, corredores e pátios. Apesar da divulgação do retrato falado, a Polícia Civil não descarta a participação de outros envolvidos no caso.

Suspeito está sendo procurado. Foto: Carol Sa Leitao/Esp. DP

Suspeito está sendo procurado pela polícia. Foto: Carol Sa Leitao/Esp. DP

O delegado responsável pelo caso, Marceone Jacinto, enfatiza que “por ser um caso de grande complexidade, nenhuma linha de investigação foi descartada, inclusive a possibilidade do envolvimento de outros suspeitos”. A polícia alerta que a população pode ajudar nas investigações, repassando informações ao Disque-denúncia ou ao site da instituição. A Polícia Civil oferece R$ 10 mil para quem prestar informações que ajudem a encontrar o assassino.

Com informações da Agência Estado

Irmão de Daniel Alves tem foto associada ao suspeito de crime em Petrolina

O irmão do jogador Daniel Alves, o cantor Ney Alves, que é vocalista da banda Forró na Hora fez um desabafo em suas redes sociais após ter sua imagem associada ao retrato falado do possível assassino da menina Beatriz Angélica Mota, 7 anos, assassinada a facadas dentro do Colégio Nossa Senhora Auxiliadora, em Petrolina, no Sertão, no dia 10 de dezembro passado.

Reprodução/Instagram

Ney Alves prestou queixa à polícia. Reprodução/Instagram

O caso está dando o que falar na cidade. Depois da divulgação do retrato falado feito a pedido da Polícia Civil de Pernambuco, uma montagem foi colocada na internet com a imagem do suspeito ao lado da foto do cantor. Ele procurou a polícia e prestou queixa sobre o caso. Ney afirmou que está sentindo-se “humilhado” com o ocorrido. Na publicação, Ney também alerta sobre as punições para quem compartilhar a imagem.

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Divulgado retrato falado de suspeito de matar criança em Petrolina

Divulgado retrato falado de suspeito de matar criança em Petrolina

Do Diario de Pernambuco

Mais de dois meses após o crime, a Polícia Civil divulgou o retrato falado de um dos suspeitos de matar a estudante Beatriz Angélica Mota, 7 anos, que foi assassinada em Petrolina, no Sertão do estado. A peça foi montada a partir de relatos de testemunhas que perceberam comportamento suspeito de uma pessoa que estava na festa de formatura das turmas de Ensino Médio do Colégio Nossa Senhora Auxiliadora. Uma testemunha contou à polícia que o suspeito tinha sido visto no banheiro feminino na presença de duas crianças. Já outra relatou que o homem teria lavado o rosto e o cabelo de forma suspeita. A recompensa para quem repassar pistas que levem à captura subiu de R$ 5 mil para R$ 10 mil.

Suspeito está sendo procurado. Foto: Carol Sa Leitao/Esp. DP

Suspeito está sendo procurado pela polícia. Foto: Carol Sa Leitao/Esp. DP

De acordo com a Polícia Civil, cerca de 80 pessoas foram ouvidas no caso e aproximadamente 50 perícias foram realizadas pela Polícia Científica. Segundo Marceone Ferreira, delegado da seccional de Petrolina que está à frente das investigações, a esperança é de que com a divulgação do retrato falado, a conclusão do caso esteja mais próxima. “Com o retrato falado, pode haver a identificação dos culpados mais rapidamente”, ressaltou. Quem identificar o suspeito pelo retrato falado pode entrar em contato com o Disque-Denúncia pelo número (81) 3719-4545 ou 3421-9595, com garantia de anonimato e podendo ter uma recompensa de R$ 10 mil.

Beatriz tinha sete anos. Foto: Blog O Povo Com a Noticia/Reproducao da Internet

Beatriz tinha sete anos. Foto: Blog O Povo Com a Noticia/Reproducao da Internet

Beatriz Mota foi assassinada a facadas no dia 10 de dezembro do ano passado, durante uma festa no colégio onde seu pai é professor de inglês. A criança foi encontrada morta em uma sala utilizada como depósito de equipamentos esportivos que estava desativada, minutos depois de seus pais e o restante dos convidados da festa saírem a sua procura. Como não havia sinais de tentativa de abuso sexual, a polícia acredita que a intenção do suspeito era realmente praticar o homicídio.

 

Federalização
A assessoria de imprensa da Polícia Federal de Pernambuco emitiu nota no último domingo afirmando que ainda não há autorização para que o caso da menina Beatriz Mota fique a cargo de investigação federal. Em visita à cidade de Juazeiro (BA) na última sexta-feira, a presidente Dilma Rousseff ouviu do prefeito de Petrolina que um pleito para que a PF assumisse o caso foi entregue ao Ministério da Justiça. A Polícia Federal ressaltou que, se ficar sob responsabilidade federal, Petrolina integra a cobertura da PF do estado da Bahia.

Falsa campanha enganava garotas

Uma falsa campanha contra o câncer de mama era a isca usada por um suspeito de pedofilia, morador de Santo Amaro, no Recife, para obter fotos dos seios de adolescentes e chantageá-las. O caso, que está sendo investigado pela Polícia Federal desde 2013, foi divulgado ontem.

Segundo o chefe de comunicação da PF em Pernambuco, Giovani Santoro, três adolescentes prestaram queixa, alegando que estavam sendo ameaçadas depois de mandarem suas fotografias através do Facebook.

“As vítimas contaram que foram atraídas pela rede social com a promessa de receber R$ 1,5 mil para disponibilizar suas fotos. Depois que elas enviavam as imagens, começavam a ser exigidas a encaminhar fotos nuas de corpo inteiro. O suspeito dizia que, em caso de recusa, mataria os namorados das garotas. Ele afirmava que sabia onde os rapazes trabalhavam e moravam”, contou Santoro, acrescentando que as fotos também foram divulgadas na internet.

Outros dois homens, um morador do Morro da Conceição, em Casa Amarela, e outro de São Lourenço da Mata, também prestaram depoimento por suspeita de publicar na internet e armazenar fotos de crianças e adolescentes nuas. A operação foi intitulada pela Polícia Federal de Trapaça Virtual.

Cinco discos rígidos e um cartão de memória foram apreendidos com os suspeitos em cumprimento a mandados de busca e apreensão expedidos pela 13ª Vara da Justiça Federal. O trabalho envolveu 18 policiais federais de três equipes. Os mandados de busca e apreensão foram cumpridos na sexta-feira.

Ainda de acordo com Giovani Santoro, os três suspeitos foram intimados e levados à sede da PF, no Cais do Apolo, Bairro do Recife, onde prestaram depoimento e, em seguida, foram liberados.

“Todos negaram que tivessem cometido os crimes, mas a quebra do sigilo telemático apontou que das máquinas deles foram publicadas fotos de adolescentes sem roupas”, completou o chefe de comunicação da PF no estado. Como não foram encontradas as imagens na checagem inicial dos investigadores, os suspeitos foram liberados.

Perícia
Os cinco discos rígidos, sendo três do suspeito de Santo Amaro, passarão por uma perícia mais detalhada. Caso seja detectada a presença de material pornográfico infantil, eles serão indiciados pelo crime de possuir ou armazenar, por qualquer meio, fotografia, vídeo ou outra forma de registro que contenha cena de sexo explícito ou pornografia envolvendo criança ou adolescente. A pena é de um a seis anos de prisão.

Essa é a quinta ação de combate à pornografia infantil deflagrada neste ano em Pernambuco pela Polícia Federal. Até agora foram cumpridos 17 mandados de busca e apreensão, 16 endereços fiscalizados e dois suspeitos autuados em flagrante.

Preso 1º suspeito de participar do assalto e morte no Galetus

A polícia prendeu na noite dessa terça-feira um dos suspeitos de ter participado do assalto que terminou com a morte do professor José Renato de Souza, 39 anos, na churrascaria Galetus, na Avenida Caxangá, no Cordeiro. Marcelo Henrique dos Santos Silva, 24 anos, foi preso em Várzea do Una, em São José da Coroa Grande, no litoral Sul pernambucano.

O suspeito foi levado para o Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), no Recife. Segundo a Polícia Militar, Marcelo Henrique confirmou a participação no latrocínio, que teria contado com a o envolvimento de mais três pessoas. A polícia já tem o nome dos outros envolvidos e também a identificação de um deles através das impressões digitais recolhidas pelos peritos papiloscopistas do IITB.

O suspeito que é adolescente teria sido o autor do disparo que matou José Renato. As digitais dele foram colhidas no copo usado por ele para tomar refrigerante. Outras digitais também foram encontradas e estão sendo analisadas.

Marcelo Henrique foi preso em São José da Coroa Grande. Foto: Polícia Militar/Divulgação

Marcelo Henrique foi preso em São José da Coroa Grande. Foto: Polícia Militar/Divulgação

Dois homens se passaram por clientes quando outra dupla anunciou o assalto e passou a recolher objetos de quem estava no local. José Renato pediu para manter os documentos consigo e um dos assaltantes ameaçou matá-lo. Com a arma apontada para si, ele reagiu e tentou fugir.

O universitário foi atingido por um tiro e correu para fora da churrascaria pela porta da frente. Ele foi alcançado poucos metros depois, levou uma pancada na cabeça com a arma, foi acertado novamente e morreu no local.

Caso Betinho: suspeito de 19 anos é filho do diretor do Colégio Agnes

Após deixar o Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) na manhã desta quinta-feira o advogado Marcos Antônio da Silva confirmou que o jovem de 19 anos suspeito de participação na morte do pedagogo José Bernardino da Silva Filho, 49 anos, é filho do diretor do Colégio Agnes.

A informação de que o rapaz era filho de um integrante da administração do colégio havia sido publicada com exclusividade pelo Diario de Pernambuco e pelo blog na última terça-feira. O outro suspeito, um adolescente de 17 anos, também é estudante do colégio particular da Zona Norte do Recife. Ambos cursam o terceiro ano e negaram participação no crime no primeiro depoimento à polícia. Os jovens deverão prestar depoimento novamente na próxima semana.

Delegado esteve no DHPP nesta quinta-feira. Foto: Reprodução/TV Clube

Delegado esteve no DHPP nesta quinta-feira. Foto: Reprodução/TV Clube

Segundo o advogado Marcos Antônio, o seu cliente está mantendo sua rotina normal de atividades, estaria inclusive frequentando a escola, e a família está acompanhando as investigações da polícia e esperando o resultado do inquérito. “Estamos analisando todas as provas que estão nos autos e nesse momento não podemos fazer juízo de valor sobre o que está no inquérito”, ressaltou Marcos Antônio.

As digitais do adolescente estavam no ferro de passar roupas usado para matar a vítima, no ventilador cujo fio serviu para amarrar as pernas do pedagogo e ainda na geladeira da residência. Já as do estudante de 19 anos foram colhidas na cômoda do apartamento de Betinho. A identificação deles foi possível graças ao trabalho dos peritos papiloscopistas do Instituto de Identificação Tavares Buril que trabalham no Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP).

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Estudante de 17 anos foi o executor do professor Betinho do Agnes

Último acusado do caso Artur Eugênio morre em tiroteio

O último procurado acusado de envolvimento no assassinato do médico Artur Eugênio de Azevedo Pereira foi morto na madrugada de ontem. O ex-presidiário Flávio Braz de Souza, 32 anos, foi localizado no sítio Engenho Mambo, em Jaboatão dos Guararapes, e acabou morto após uma troca de tiros com a polícia. Ele teria reagido à ação e foi baleado nas pernas e braços. Levado ao Hospital da Restauração (HR), morreu na unidade de saúde. A polícia encontrou no sítio três armas de fogo.

Garrafa foi encontrada perto do carro da vítima. Foto: Allan Torres/DP/D.A Press

Garrafa encontrada perto do carro da vítima foi a principal pista para chegar aos responsáveis pelo assassinato. Foto: Allan Torres/DP/D.A Press

Acusado de participação no homicídio do médico, encontrado morto no dia 12 de maio de 2014, Flávio respondia por sete assassinatos, quatro tentativas de homicídio e por participação na tentativa de assalto ao carro-forte do Shopping Guararapes, em junho do ano passado.

“Ele era um dos criminosos mais procurados do estado. Além dos homicídios, ele tinha ligação com o tráfico de drogas. Recebemos informações de que ele também praticava estupro contra crianças e adolescentes”, relatou a delegada Vilaneida Aguiar.

Médico tinha 36 anos, era casado e deixou um filho pequeno. Foto: Arquivo Pessoal

Médico tinha 36 anos, era casado e deixou um filho pequeno. Foto: Arquivo Pessoal

O médico paraibano Artur Eugênio, 35 anos, foi encontrado morto com quatro tiros às margens da BR-101 Sul, em Jaboatão dos Guararapes. O crime teria sido motivado por desentendimentos profissionais entre a vítima e o cirurgião Cláudio Amaro Gomes, ex-colegas de trabalho. A polícia acredita que o mandante contou com a ajuda do filho, o bacharel em direito Cláudio Amaro Gomes, para matar Artur. Além de pai e filho, dois homens também estão presos.

Quando o dilema bate à porta

Por Flávio Tau, delegado da Polícia Civil de Pernambuco

Quem protege o cidadão?

A cena é comum: uma pessoa é trazida até a delegacia pela polícia militar ou mesmo por populares. Os que prenderam dizem que o criminoso é exatamente aquele e narram sua história. Quem é preso, no entanto, jura de pés juntos que nada fez e desafia o efetivo da polícia civil dizendo: “Vão até lá! Façam uma diligência que vocês verão que eu não tenho nada com isso.”

Quem tem razão? Quem trouxe o preso e diz que ele é o criminoso? Ou o preso que diz que não tem culpa alguma e pede para que a Polícia Civil vá até o local e investigue antes de o delegado mandar recolhê-lo ao Cotel.

De fato, o clamor do preso é compreensivo pois se a vida é o bem mais precioso de um ser humano, a liberdade trata-se do segundo bem mais precioso e não é justo que um cidadão seja encarcerado sem ao menos alguma investigação isenta. Havendo dúvidas, deve a polícia civil proceder uma investigação sumária, no local, para dirimir qualquer  dúvida, antes de ceifar-se a liberdade de alguém.

Infelizmente, na prática, a teoria é outra. Em virtude de uma política voltada para fazer o máximo com o mínimo de recursos, a Polícia Civil vem sendo sucateada, como alardeiam os jornais locais e as entidades de classe. Ou seja: a averiguação prévia da veracidade dos fatos apresentados foi considerada supérflua para o Estado e sujeita a cortes orçamentários.

Em outras palavras, o Estado não achou necessário que uma delegacia de polícia tivesse um efetivo que garantisse ao cidadão comum um mínimo de garantias antes de seu encarceramento. Ou seja, não se pode atender ao mero pedido para ir ao local verificar quem estaria mentindo porque simplesmente não há efetivo e condições mínimas para isso. 

Hoje, nas delegacias,  temos que confiar cegamente na palavra de quem traz a ocorrência policial. Temos que acreditar que o condutor da ocorrência e as testemunhas estão dizendo a verdade e o conduzido é de fato culpado. Como se pessoas não mentissem, como se não houvesse interesses escusos, como se o ser humano fosse absolutamente confiável. Como se não houvesse premiação com folgas pela prisão de pessoas.

É preciso entender que a Polícia Civil funciona como um sistema de freios e contrapesos garantista para o cidadão. E como garantia ao cidadão,  é preciso reinvestir na Polícia Civil e retirá-la  do caos em que ela se encontra. 

Afinal, é a Polícia Civil que, de forma isenta, precisa apurar os fatos trazidos até ela e, ao final, com base nas investigações realizadas, deve o  delegado de polícia mandar prender ou ordenar a soltura do conduzido, sempre pautado nas garantias e direitos fundamentais de um Estado Democrático de Direito.

Sim, porque é importante ter sempre em mente que a função da polícia civil não é prender nem soltar ninguém, mas meramente e simplesmente promover a justiça naquele primeiro momento.  E se prender um bandido é algo necessário, garantir que o injustamente acusado seja posto em liberdade é imprescindível.

A prisão de um ser humano meramente pelo depoimento dos responsáveis pela prisão, sem a possibilidade de esclarecer dúvidas pode diminuir os custos e tornar as prisões mais rápidas.  Aliás, já tivemos na história vários exemplo de como é fácil prender pessoas. Basta  querer. Foi assim em 1964 e na Alemanha nazista.

Resta a pergunta: é o que queremos?