Polícia Civil em rota de colisão com o Ministério Público de Pernambuco

Está sendo bastante comentada entre os delegados da Polícia Civil do estado a operação realizada nessa terça-feira, Dia Nacional de Combate à Corrupção, que prendeu 91 pessoas em 12 estados brasileiros. Um tremendo mal-estar está formado entre a Polícia Civil e o Ministério Público de Pernambuco (MPPE). Isso porque os delegados estão alegando que o MPPE anunciou ser o responsável pelas investigações que prendeu quatro pessoas envolvidas no esquema criminoso no município de Garanhuns, no Agreste do estado.

Delegado Altemar Mamede investigou o caso. Foto: Wagner Oliveira/DP/D.A.Press

Delegado Altemar Mamede investigou o caso. Foto: Wagner Oliveira/DP/D.A.Press

A celeuma ganha força nesse momento porque está prestes a ser votada uma PEC que retira do Ministério Público o direito de realizar investigações sobre crimes. Através de um e-mail, a Secretaria de Defesa Social e Polícia Civil de Pernambuco informam que “a elucidação das irregularidades no Hospital Dom Moura, em Garanhuns, foi resultado de trabalho realizado por uma equipe da instituição cujo responsável foi o delegado Altemar Mamede, depois de indícios apresentados pela alta direção da Secretaria Estadual de Saúde, em Julho de 2012.”

A nota segue informando que “os quatro acusados presos nessa terça-feira durante a Operação Nacional Contra a Corrupção já haviam sido investigados pela Polícia Civil desde julho de 2012, quando a Secretaria Estadual de Saúde denunciou o desvio de verbas públicas à Secretaria de Defesa Social.”

De acordo com a SDS, o delegado Altemar Mamede foi designado para apurar os fatos criminosos. Durantes as investigações, o delegado solicitou à justiça a quebra dos sigilos telefônicos dos envolvidos, que identificou a prática dos crimes de falsidade ideológica, peculato (apropriar-se de dinheiro em razão do cargo público), inserção de dados falsos em sistema de informação da Administração Pública, lavagem de dinheiro, formação de quadrilha e ameaça. Ao final do inquérito policial, o delegado solicitou as prisões preventivas dos quatro indiciados, com indicação de materialidade e autoria do fato.

Já a Associação dos Delegados de Polícia de Pernambuco (ADEPPE) também divulgou nota esclarecendo que “o delegado Altemar Mamede chegou, inclusive, a solicitar à Justiça as prisões preventivas da diretora da unidade e de outros três funcionários quando terminou as investigações. O pedido, entretanto, foi negado pela Justiça, já que na época o Ministério Público de Pernambuco ofertou parecer contrário às prisões.”
A nota diz ainda que “o inquérito retornou à delegacia onde foram realizadas novas diligências sendo encontrados mais indícios do crime. Os autos retornaram à Justiça, há três meses, com todas as provas produzidas pela Polícia Civil. A ADEPPE ficou surpresa com a operação deflagrada ontem pelo Ministério Público de Pernambuco onde a instituição se posiciona como autora das investigações. Fato que não procede.”
Com informações da Assessoria de Imprensa da SDS e da ADEPPE

Leia mais sobre o assunto em:

Comissão aprova PEC que exclui possibilidade de Ministério Público investigar crimes

O medo nos estacionamentos dos supermercados

Por mais absurdo que pareça, quem usa os estacionamentos de grandes supermercados do Recife está sujeito a ações de bandidos, como a que quase provocou a morte de uma funcionária pública de 29 anos na última segunda-feira. No dia seguinte ao crime, o clima de medo aumentou entre clientes dos estabelecimentos. Quem já costumava tomar precauções nesses ambientes está redobrando os cuidados a partir de agora. O reforço na segurança, no entanto, nem sempre anda no mesmo ritmo.

Clientes têm medo de serem abordados nos estacionamentos. Foto: Bernardo Dantas/DP/D.A.Press

Clientes têm medo de serem abordados nos estacionamentos. Foto: Bernardo Dantas/DP/D.A.Press

O caso que chamou atenção pela brutalidade aconteceu no Extra da Madalena, por volta das 21h da segunda. O marido da vítima, um advogado de 32 anos, disse que o criminoso quis obrigá-la a entrar no carro, um Nisan Livina, mas ela se recusou, o que teria provocado a reação do suspeito. “Não sabemos qual era a intenção dele, se era assaltar ou estuprar. Ela acredita que ele estava muito drogado”, contou. Depois de quase ser linchado pelos clientes, o criminoso foi preso em flagrante e levado para o Cotel, em Abreu e Lima.

A mulher, cujo nome a família prefere não revelar, está internada em situação estável no Hospital Portugûês. Ela teve fraturas múltiplas no rosto e apresenta muito inchaço no local. A cirurgia poderá ser feita assim que os edemas diminuam.

No hipermercado onde ocorreu o caso, não havia seguranças no estacionamento ontem à tarde. “Se houvesse fiscalização, isso não teria acontecido”, comentou a dona de casa Jaquilene Gomes, 45. O marido dela, o autônomo Genildo Moura, 54, concorda: “Não temos vigilantes na área interna ou externa. É muito perigoso”, acrescentou.

A aposentada Cristina Lisbôa, 76 anos, disse que todas as semanas vai ao Carrefour, na Torre, pelo menos uma vez, e que se sente insegura quando segue para o estacionamento, onde costuma deixar seu carro. “Certa vez precisei pedir para uma pessoa me acompanhar até o veículo porque um estranho estava me seguindo”, comentou. No mesmo lugar, o aposentado Pedro Gonçalves, 66, disse que nunca sofreu tentativas de assalto, mas defende que deveria haver mais segurança no supermercado. “Nunca vejo vigilantes por perto dos veículos”, criticou. Coincidentemente, no mesmo momento da entrevista um deles passou de moto fazendo a ronda.

Através de nota, o Extra informou que prestou assistência imediata à vítima, que foi encaminhada ao hospital. “O estacionamento do Extra tem medidas para garantir a segurança dos clientes, tais como empresa terceirizada responsável pela segurança do local, controle de entrada e saída dos veículos através de câmeras de monitoramento e equipe treinada para acionar as autoridades competentes mediante qualquer atitude suspeita. A rede reitera que permanece à disposição das autoridades competentes para prestar os esclarecimentos necessários”, diz a nota. A assessoria de imprensa do Carrefour, no entanto, afirmou que a rede não costuma falar sobre a segurança ofertada nos supermercados da rede, por cautela.

Do Diario de Pernambuco