Sugestões da sociedade foram todas gravadas pela prefeitura

Maior integração da Guarda Municipal com a Polícia Militar, atenção aos Centros de Atenção Psicossocial (Caps), melhoria na educação e na saúde, maior garantia aos direitos humanos, parcerias entre o governo e a prefeitura. Essas foram apenas algumas das sugestões dadas pelas cerca 600 pessoas que participaram neste sábado da consulta pública para a elaboração do Pacto pela Vida do Recife. O evento que aconteceu no Centro de Formação de Professores, na Madalena, foi bastante concorrido. Em todas as seis salas de debates, as críticas e sugestões foram gravadas para depois serem analisadas e discutidas pela prefeitura.

Todas as salas estavam lotadas. Foto: Wagner Oliveira/DP/D.A.Press

Todas as salas estavam lotadas. Foto: Wagner Oliveira/DP/D.A.Press

Antes de começar as reuniões nas salas temáticas, foi apresentado pelo gerente de análise criminal da secretaria de Segurança Urbana do Recife, Eduardo Alencar, o panorama criminal da cidade. Segundo Alencar, o Recife tem hoje uma taxa de 38, 3 mortes para cada 100 mil habitantes. “Em 2006, Recife tinha uma taxa de 72 assassinatos para cada 100 mil habitantes. A cidade conseguiu reduzir bastante, assim como o estado, após a implantação do Pacto pela Vida do estado”, ressaltou.

Alencar destacou ainda que das 598 mortes registradas no Recife no ano passado, um total de 163 aconteceram em nove bairros críticos apontados pelas estatíticas. Essas localidades concentraram 27% de todos os homicídios de 2012 e irão receber uma atenção especial da Prefeitura do Recife. Ao final da aberta do evento, o prefeito Geraldo Julio anunciu que o edita de licitação para a construção do Compaz do Bongi foi publicado no Diário Oficial deste sábado. A unidade fica perto do bairro dos Torrões, uma das comunidades marcadas com violenta pela prefeitura.

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O Recife terá que registrar um total de 526 assassinatos ou menos no ano de 2013 para ficar dentro da meta estabelecida pelo prefeito Geraldo Julio para o Pacto pela Vida do Recife. Depois de participar da abertura da Consulta Pública realizada neste sábado para colher sugestões para a elaboração do plano de segurança municipal, o prefeito disse que o Recife teria que reduzir a criminalidade em 12% ao ano. O índice é o mesmo utilizado pelo governo do estado desde o ano de 2007, quando foi criado o Pacto pela Vida do estado.

Prefeito anunciou a meta ao lado da primeira-dama e do secretário Murilo Cavalcanti. Foto: Wagner Oliveira/DP/D.A.Press

Prefeito anunciou a meta ao lado da primeira-dama e do secretário Murilo Cavalcanti. Foto: Wagner Oliveira/DP/D.A.Press

Como no ano de 2012, o Recife registrou 598 Crimes Violentos Letais Intencionais (CVLIs), para bater a meta de 12% não pode passar de 526 mortes violentas neste ano. A tarefa não vai ser tão fácil quanto parece. Isso porque nos três primeiros meses deste ano, 124 pessoas já foram assassinadas apenas no Recife. Foram 42 crimes no mês de janeiro, 40, em fevereiro e mais 42 no mês de março. Para escapar da marcação vermelha no primeiro ano de criação do pacto, a capital do estado não pode registrar mais que 402 CVLIs até o final deste ano.

Antes das salas temáticas serem abertas para as discussões, Geraldo Julio fez questão de ressaltar que todas as secretarias serão cobradas quanto à questão da segurança no Recife. “Vamos ter reuniões semanais para discutir ações e avaliar as metas e resultados. Não poderia deixar de fora do meu governo um assunto tão importante e sobre o qual aprendi muito enquanto fui gestor do pacto estadual. Estamos aqui para ouvir a população, porque segurança pública não se faz de dentro de gabinetes”, disparou o prefeito.

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As primeiras sugestões da sociedade para a elaboração do Pacto Pela Vida do Recife serão conhecidas neste sábado. Durante toda a manhã, a prefeitura realizará uma consulta pública para saber o que a população da cidade pensa e sugere para melhorar a segurança. O evento acontecerá no Centro de Formação Paulo Freire, no bairro da Madalena, das 8h às 14h. “Esse encontro para a criação do Pacto pela Vida é um marco histórico na gestão municipal. A prefeitura está determinada a oferecer mais segurança ao cidadão e convocou todos os secretários para participar da consulta pública”, ressaltou o secretário de Segurança Urbana do Recife, Murilo Cavalcanti.

Rafaela, do Alto Santa Terezinha, quer projetos para jovens (WAGNER OLIVEIRA/DP/D.A PRESS)
Rafaela, do Alto Santa Terezinha, quer projetos para jovens

O encontro será promovido em seis salas com temas diferentes, onde representantes do governo, da sociedade civil, estudiosos do assunto e policiais debaterão os seguintes grupos de assuntos: educação, qualificação profissional e inovação; participação popular, governança, controle social e sustentabilidade; políticas afirmativas e recuperação de situação de risco; controle urbano, mobilidade e infraestrutura; integração de políticas públicas e sistemas de informação; e cidade sustentável. “Cada sala terá a presença de pelo menos três secretários, que escutarão as sugestões da população”, adiantou o secretário-executivo de Segurança Urbana, Eduardo Machado.

O Recife ainda não definiu qual será a meta de redução anual de assassinatos. O governo do estado fixou em 12% esse objetivo desde que implantou o Pacto pela Vida, em 2007, que inspirou a criação do programa municipal. Umas das primeiras ações do pacto municipal será a construção de cinco Centros Comunitários da Paz (Compaz). Os dois primeiros foram anunciados no bairro do Bongi e no Alto Santa Terezinha. O administrador Walter Tomé Dantas, 40 anos, mora no Bongi há 28 e está esperançoso com a chegada do Compaz. “Se o projeto sair como planejado, o bairro vai melhorar muito. Os jovens terão oportunidades e não ficarão nas ruas”.

A aposentada Walderez Lima de Albuquerque, 75, tem uma banca de revistas no bairro do Cordeiro, perto de onde está sendo construído o Compaz do Bongi. Ela também espera que o espaço e o pacto municipal tragam mais segurança. “A iniciativa é muito boa”, considerou. Já a dona de casa Rafaela do Nascimento, 22, que mora no Alto Santa Terezinha, frisou a necessidade de dar ocupação aos jovens. “É uma ótima iniciativa de política pública”, ressaltou.

Mapa da vulnerabilidade para crimes contra a vida de jovens

Áreas críticas

Campina do Barreto
Barra de Guabiraba
Joana Bezerra
Dois Unidos
São José
Torrões
Cohab
Ibura

598
homicídios foram registrados no Recife em 2012

Objetos usados nos crimes

85%
arma de fogo

8%
arma branca

7%
outros tipos de objeto

Faixa etária

57%
jovens de 18 a 30 anos

31%
não informado

8%
adolescente de 13 a 17 anos

3%
adultos de 31 a 65 anos

1%
outros

Fonte: Secretaria de Segurança Urbana do Recife

Cadeia pública de Goiana é reformada e ampliada

Depois de ser reformada e ampliada, a Cadeia Pública de Goiana foi reinaugurada nesta sexta-feira. A unidade que abrigava 48 reeducandos em oito celas passou agora a ter 13 celas e capacidade para 80 presos. Tudo no local foi trocado. A unidade ganhou novo telhado, instalações elétricas e hidráulicas, piso e gradil novos. A cadeia também passou a ser informatizada. As obras tiveram custos de R$ 590 mil.

Laura Gomes e Romero Ribeiro estiveram na unidade. Foto: Paulo Maciel/Divulgação

Laura Gomes e Romero Ribeiro estiveram na unidade. Foto: Paulo Maciel/Divulgação

A secretária de Desenvolvimento Social e Direitos Humanos falou sobre a reabertura da unidade. “A cadeia que entregamos, não seria possível se não tivéssemos trabalhando juntos, governo do estado e municipal, para tornar realidade essa obra que vai ressocializar os privados de liberdade”, ressaltou.

O secretário executivo de Ressocialização, coronel Romero Ribeiro, adiantou que o objetivo da secretaria é criar mais 7.200 vagas com as reformas das cadeias de Bonito, Catende e Ferreiros, além da construção da cadeia de Santa Cruz do Capibaribe e do Presídio de Tacaimbó.