Delegados da Polícia Civil só têm R$ 30 de crédito nos celulares funcionais

Vários delegados da Polícia Civil (PC) de Pernambuco estão se queixando dos cortes que começaram a ser aplicados na instituição. Prestes a completar 196 anos, a PC tem começado a fechar as torneiras das despesas e reduziu de R$ 50 para R$ 30 o valor mensal dos créditos disponíveis nos telefones celulares dos delegados. “Esse valor é muito pouco, antes da metade do mês meus créditos acabam. Precisamos fazer ligações para os informantes e, às vezes, ficamos na mão”, reclamou um delegado.

Outra queixa recorrente entre os policiais pernambucanos é a diminuição da verba destinada para o combustível das viaturas. Em alguns casos, um servidor que recebia R$ 600 por mês para o combustível teve o repasse reduzido para R$ 400. “Estão cortando tudo. Daqui a pouco vão cortar até as nossas pernas”, disparou outro delegado ouvido pelo blog. Já um e-mail enviado ao blog, assinado por um agente da PC, revela que os policiais não estão recebendo a gratificação pela redução da criminalidade onde as metas foram atingidas. No e-mail, o policial diz ainda que houve uma redução de 20% no número de policiais que estão tirando a escala extra.

 

Pernambuco é um dos três estados que mais entrega armas

Pernambuco foi apontado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) como um dos três estados do Brasil que mais têm se empenhado pelo desarmamento e a queda da criminalidade no país. O instituto publicou um estudo, em parceria com a ONG Viva Rio, que apontou queda de 40,6% na de armas de fogo de 2002 a 2009, em todo o Brasil – o Estatuto do Desarmamento entrou em vigor em dezembro de 2003. O levantamento destaca Pernambuco, Rio de Janeiro e São Paulo como as três unidades da federação com resultados mais positivos, embora não especifique um ranking.

Armas podem ser entregues sem burocracia. Foto: Juliana Santos/DB/D.A.Press

Armas podem ser entregues sem burocracia. Foto: Juliana Santos/DB/D.A.Press

Em Pernambuco, segundo a Polícia Federal, 3.591 armas e mais de 10 mil munições foram entregues de 23 de maio de 2011 a 15 de março deste ano. Para a PF, o aumento no valor do pagamento das indenizações – que agora variam de R$ 150 a R$ 450 e são depositadas em até 24 horas – e do número dos postos de entrega contribuíram para o crescimento na entrega de armas.

“A população de Pernambuco está entendendo que ter uma arma em casa não é sinônimo de segurança, principalmente quando essa arma não tem registro. Muitas vezes, os bandidos descobrem e acabam invadindo o imóvel para roubá-la”, alertou o assessor de comunicação da PF, Giovani Santoro. Ele também credita a redução da violência ao trabalho do Pacto pela Vida, implantado em 2007 pelo governo do estado, e que ganhará uma versão municipal no Recife, com metas a serem definidas em uma reunião no próximo sábado.

“Não restam dúvidas de que a Campanha do Desarmamento ajudou a recolher armas, mas a Polícia Militar, num período de um ano, apreende cerca de sete mil armas ilegais das ruas”, acrescentou o secretário de Defesa Social, Wilson Damázio.

Pernambuco foi o único estado do Nordeste a apresentar resultados positivos no combate à violência entre 2000 e 2010, período também abordado pelo estudo do Ipea. Segundo o Mapa da violência 2013 – Mortes por armas de fogo, divulgado no início de março, o estado reduziu em 27,8% o número de homicídios em 10 anos, enquanto Alagoas, Ceará e Bahia, por exemplo tiveram aumento na casa dos 200% no mesmo período.

Do Diario de Pernambuco