Presos do Ceará vendem artesanato em seminário no Recife

Dois detentos do sistema prisional do estado do Ceará estão participando do Seminário Nacional – Sistema Prisional e Reinserção Social, que acontece até esta quarta-feira no Golden Tulip Recife Palace Hotel, em Boa Viagem. Os dois reeducandos fazem parte do projeto Mãos que Constroem, desenvolvido pela Secretaria de Justiça do Ceará.

Grupo veio do estado do Ceará para o seminário. Foto: Wagner Oliveira/DP/D.A.Press

Grupo veio do estado do Ceará para o seminário. Foto: Wagner Oliveira/DP/D.A.Press

Segundo o coordenador de Inclusão Social do Preso e do Egresso da Sejuc, Rodrigo Moraes, eles foram convidados para expor os trabalhos realizados pelos presos do Ceará aqui em Pernambuco. “Esses produtos que estão sendo vendidos aqui são todos produzidos pelos reeducandos. Os detentos estão sempre realizando algum tipo de trabalho. Na construção do estádio Castelão, por exemplo, tivemos 25 presos empregados. Além disso, teremos 290 detentos que irão trabalhar na construção do VLT do nosso estado e uma previsão de cerca de dois mil para trabalharem nas obras do Minha casa, minha vida”, adiantou Moraes.

Simônio e Madalena estão felizes com o trabalho. Foto: Wagner Oliveira/DP/D.A.Press

Simônio e Madalena estão felizes com o trabalho. Foto: Wagner Oliveira/DP/D.A.Press

Para o detento Simônio Freitas Martins, 32 anos, que cumpriu pena por assalto, essa oportunidade tem mudado sua vida. “Antes de entrar no sistema, eu já pintava um pouco. Depois do presídio, eu aprendi mais e passei a ensinar a outros presos. Hoje, eu já estou no regime aberto e esse trabalho está sendo importante na minha volta à sociedade”, revelou. Madalena Mara Tavares de Melo, 33, está presa por tráfico de drogas e encontrou no artesanato a oportunidade de ressocialização.

Confira o vídeo com o trabalho de pintura de Simônio:



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Cerca de oito mil detentos de Pernambuco estudam no presídio

Missa de um mês em memória de Suany Muniz será nesta quarta

Será celebrada às 19h desta quarta-feira, na igreja Matriz da Várzea, a missa de um mês em memória da alma da auxiliar de almoxarifado Suany Muniz Rodrigues, 33 anos, que foi asassinada no dia 20 de fevereiro durante um assalto ao ônibus da linha Barra de Jangada/Curado IV.

Suany, que trabalhava no Estaleiro Atlântico Sul, foi baleada na cabeça dentro do coletivo. Ela ainda chegou a ser socorrida, mas não resistiu. Dois homens envolvidos no crime foram presos e já estão no Centro de Triagem, em Abreu e Lima. A vítima deixou uma filha de quatro anos que está sendo cuidado pelo pai e pelos avós.

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Cerca de oito mil detentos de Pernambuco estudam nos presídios

O sistema prisional de Pernambuco tem atualmente um total de 27 mil detentos num espaço onde caberiam apenas dez mil presos. Um retrato da superlotação que assola quase todas as unidades prisionais do Brasil. Apesar desse dado negativo, a Secretaria de Ressocialização do estado (Seres) comemora o alto índice de presos que estão estudando atrás das grades.

Seminário acontece até esta quarta-feira em Boa Viagem

Seminário acontece até esta quarta-feira em Boa Viagem. Foto: SDSDH/Divulgação

 

Segundo o superintendente da Seres, coronel Romero Ribeiro, cerca de oito mil reeducandos estão frequentando as salas de aula. Os números foram apresentados nessa terça-feira na abertura do Seminário Nacional – Sistema Prisional e Reinserção Social, que acontece até esta quarta-feira no Golden Tulip Recife Palace Hotel, em Boa Viagem. No seminário foi apresentado o resultado de uma pesquisa que resultou numa Proposta de Reinserção Singular para os detentos. O primeiro passo de Pernambuco pode estar sendo dado justamente com o investimento na edução dos presos.

A pesquisa, que foi realizada com detentos da Penitenciária Professor Barreto Campelo, em Itamaracá, e da Colônia Penal Feminina do Recife, no Engenho do Meio, identificou o rompimento dos laços familiares como uma das principais causas que dificultam a reinserção de ex-presidiários na sociedade.

“Não podemos colocar as pessoas no presídio e deixá-las simplesmente trancadas. A prisão não é para sempre e essas pessoas irão voltar para as ruas. Por isso, é preciso que os detentos recebam uma atenção especial enquanto estão nas unidades e um apoio quando deixarem a prisão”, ressaltou Carina Vasconcelos, que é professora de direito, conselheira do Conselho Penitenciário de Pernambuco e participou da pesquisa feita pelo Instituto Brasileiro Pró-Cidadania.