Doméstica foi morta por bombeiro após discussão passional

A motivação do assassinato da doméstica Karina Francisca Santos da Silva, 26 anos, segundo a polícia, foi passional. Em entrevista coletiva realizada nesta segunda-feira no Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), o delegado Mauro Cabral afirmou que o bombeiro militar José Itamar dos Santos, 48, confessou que teria assassinado Karina, com quem teria um relacionamento amoroso, e deixado o corpo num matagal às margens da BR-232, entre os municípios de Jaboatão dos Guararapes.

Suspeito confessou crime e foi levado para o Creed. Foto: Reprodução/TV Clube

Suspeito confessou crime e foi levado para o Creed. Foto: Reprodução/TV Clube

Segundo o delegado, depois de sair de casa para ir trabalhar, Karina teria se encontrado com o patrão e entrado no carro dele. “Eles começaram a conversar dentro do carro e tiveram uma discussão. Foi então que ele resolveu matar a doméstica. Eles teriam discutido, segundo ele, porque matinha uma relação amorosa e a vítima o estava pressionando para que ele terminasse o casamento para ficar com ela. Foi então que ele a matou e enterrou o corpo”, afirmou Mauro Cabral.

A família da vítima, no entanto, não acredita na hipótese de um relacionamento entre os dois. “Ele nunca me enganou. Minha irmã nunca teve caso com ele, nunca. Ele que tinha vontade de ter um caso com ela, mas ela não queria. Ele falava para nós que tinha ela como uma filha”, desabafou o irmão de Karina, Francisco Silva.

O bombeiro militar foi preso e prestou depoimento à polícia na última sexta-feira. Ele indicou a localização do corpo, que estava em avançado estado de decomposição e vai responder por assassinado e ocultação de cadáver. O corpo de Karina será sepultado nesta terça-feira, no Cemitério da Muribeca, em Jaboatão.

Karina tinha 26 anos e traabalhava na casa do suspeito. Foto: Polícia Civil/Divulgação

Karina tinha 26 anos e traabalhava na casa do suspeito. Foto: Polícia Civil/Divulgação

A vítima estava desaparecida desde 22 de janeiro. A última informação que a família teve foi de que ela estava indo ao trabalho, no bairro do Arruda, onde também morava. Antes do expediente, a doméstica enviou uma mensagem ao noivo informando que estava indo trabalhar e que falaria novamente com ele quando chegasse ao destino. Como as notícias não chegaram, os familiares procuraram a Polícia Civil e divulgaram a foto dela pelas redes sociais e em cartazes espalhados pelo Recife.

Câmeras do Golden Beach não registraram briga e mortes

As câmeras do circuito interno de segurança do Hotel Golden Beach, localizado na Avenida Bernardo Vieira de Melo, em Piedade, Jaboatão dos Guararapes, não registraram a briga e as duas mortes ocorridas nas dependências do local no último dia 25. Os responsáveis pelo estabelecimento informaram ao delegado Guilherme Caraciolo, responsável pelas investigações, que os equipamentos não estavam funcionando. Com isso, fica um pouco mais complicada a investigação.

Crimes aconteceram no Golden Beach. Foto: Nando Chiappetta/DP/D.A Press

Crimes aconteceram no Golden Beach. Foto: Nando Chiappetta/DP/D.A Press

Na ocasião, a técnica de enfermagem Juliana Saboia Ferreira da Silva, 28 anos, atirou nas costas de Pamela Ferreira Oliveira, 25, dentro do quarto do policial civil Fábio Rogério Serafim Pereira, 38, com o qual havia terminado um relacionamento 15 dias antes. Em seguida, Juliana foi baleada e morta por um policial militar do 6º Batalhão que havia sido chamado junto com mais três militares pelo policial civil para controlar a discussão entre as duas mulheres. Juliana teria ficado irritada ao chegar no hotel e encontrar o ex-companheiro com Pamela.

O policial civil lotado no Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) e o policial militar já foram ouvidos pelo delegado Guilherme Caraciolo. A Corregedoria da Secretaria de Defesa Social (SDS) também está investigando o caso para saber se a conduta do PM foi correta ou não. Os militares alegaram que houve o disparo contra Juliana porque ela estava com uma pistola na mão e apontando para os policiais.

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Corregedoria acompanha inquérito sobre mortes no Golden Beach

Brigas, tiros e mortes no Golden Beach

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A Corregedoria da Secretaria de Defesa Social abriu investigação preliminar para apurar a conduta do policial militar autor do disparo que matou a técnica de enfermagem Juliana Saboia Ferreira da Silva, 28 anos, no último domingo, no Hotel Golden Beach, em Piedade, Jaboatão dos Guararapes. Antes de ser atingida no abdômen pelo PM, Juliana matou com um tiro nas costas a cambista Pamela Ferreira Oliveira, 25. Policiais militares foram ao local para conter uma discussão entre as duas mulheres a pedido do policial civil Fábio Rogério Serafim Pereira, 38, ex-marido da técnica de enfermagem. A Polícia Civil deve fazer uma reprodução simulada do crime.

Corpo de Pamela foi enterrado no Cemitério de Santo Amaro. Foto: Ricardo Fernandes/DP/D.A Press  Pauta:

Corpo de Pamela foi enterrado no Cemitério de Santo Amaro. Foto: Ricardo Fernandes/DP/D.A Press

O corregedor geral, Servilho Paiva, explicou que o inquérito da Polícia Civil será determinante para a conclusão da investigação administrativa. Enquanto isso, a apuração dos dois assassinatos está sob responsabilidade do delegado Guilherme Caraciolo, da Delegacia de Homicídios de Jaboatão. “O inquérito da Polícia Civil vai dizer se o PM agiu dentro ou fora dos limites legais. Se ficar comprovado que ele agiu fora, responderá criminalmente e administrativamente. Se agiu dentro, não há penalidade”, esclareceu.

No caso de ser indiciado, responderá por homicídio, segundo informou o delegado Felipe Monteiro, do DHPP. A arma do PM, cuja patente e nome não foram informados, foi apreendida e ele continua com as atividades normais. Como ainda não recebeu o inquérito, Caraciolo preferiu não falar sobre o caso.

No último domingo, Juliana saiu da casa da mãe, em Aguazinha, Olinda, para fazer provas do Enem quando, por algum motivo, decidiu seguir ao hotel onde o ex-companheiro morava. Há cerca de duas semanas o casal estava separado. Ao chegar no flat, ela encontrou Fábio com Pamela na piscina. As mulheres iniciaram uma discussão, quando o policial civil decidiu chamar a PM para acabar a briga. Quando a PM chegou, as duas foram encontradas trancadas no apartamento. Ao tentar sair, Pamela foi atingida nas costas. Com a arma em punho, Juliana teria ameaçado os policiais quando foi atingida.

Juliana usou a arma do ex-companheiro, com quem se relacionava há cerca de quatro anos, para matar a vítima. A pistola estava dentro do apartamento. Há suspeitas de que Juliana teria recebido alguma ligação a caminho do Enem. “Ela não gostava de armas. Era enfermeira, não tinha habilidade com esse instrumento. Quando saiam, ela pedia para Fábio não levar”, disse o policial civil Josiel Gomes da Silva, 60, amigo do casal. Ele não soube informar o motivo do fim do relacionamento. Os parentes da jovem não quiseram se pronunciar sobre a conduta do PM.

Pamela era mãe de três crianças, de 3, 5 e 8 anos, e morava sozinha, em Água Fria, no Recife. A família disse não conhecer o relacionamento entre ela e o policial civil. Familiares das duas jovens estiveram ontem no Instituto de Medicina Legal para liberação dos corpos e programação dos sepultamentos. O corpo de Pamela foi sepultado na tarde de ontem e o de Juliana será velado hoje, às 10h, no Cemitério Vila da Saudade, em Igarassu, na Região Metropolitana do Recife.

Briga, tiros e mortes no Golden Beach

Hóspedes e funcionários do Hotel Golden Beach, na Avenida Bernardo Vieira de Melo, em Piedade, Jaboatão dos Guararapes, viveram momentos de pânico ontem à tarde. Após uma confusão iniciada na piscina, duas mulheres foram baleadas e morreram. A técnica de enfermagem Juliana Saboia Ferreira da Silva, 28 anos, atirou nas costas de Pamela Ferreira Oliveira, 25, dentro do quarto de um policial civil de 38 anos, com o qual terminou um relacionamento há duas semanas.

Crimes aconteceram no Golden Beach. Foto: Nando Chiappetta/DP/D.A Press

Crimes aconteceram no Golden Beach. Foto: Nando Chiappetta/DP/D.A Press

Juliana teria se irritado ao ver o ex-companheiro com Pamela. O policial que não teve o nome revelado saiu para pedir ajuda à Polícia Militar e quando voltou com os PMs as duas já estavam no quarto, que fica no segundo andar. Depois de matar Pamela, a técnica de enfermagem foi baleada por um policial militar. Segundo a polícia, ela estava apontado a arma para os militares.

Juliana Saboia foi atingida por um PM após atirar em Pamela

Juliana Saboia foi atingida por um PM após atirar em Pamela

Os PMs e o policial civil tentaram fazer com que Juliana liberasse Pamela, mas ela não atendeu aos pedidos. No momento em que Pamela tentou abrir a porta do quarto para fugir, Juliana atirou e, segundo a polícia, continuou com a arma na mão. Para evitar que ela fizesse novos disparos, um PM atirou contra ela, que caiu no chão. Depois de terem sido baleadas, Juliana e Pamela ainda chegaram a ser socorridas.

Amigos de Pamela deixaram várias mensagens em seu Facebook

Amigos de Pamela deixaram várias mensagens em seu Facebook

Pamela chegou sem vida à UPA de Barra de Jangada. Juliana foi encaminhada para o Hospital da Aeronáutica e de lá foi transferida para o Hospital da Restauração (HR), onde morreu no bloco cirúrgico. O tiro disparado pelo policial militar a atingiu no tórax. Os corpos das duas vítimas foram levados para o Instituto de Medicina Legal (IML), em Santo Amaro.

De acordo com a delegada Gleide Ângelo, do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), onde o agente também é lotado, a principal linha de investigação é de crime passional. “Estamos fazendo algumas ouvidas, a perícia de local de crime já foi feita e alguns objetos do apartamento foram apreendidos. Pelo que temos até agora foi um crime passional cometido pela ex-companheira do policial civil, que depois foi baleada pelo PM. Ela não aceitava o fim do relacionamento com o policial”, ressaltou a delegada.

Entre o material recolhido pela polícia está a pistola do agente do DHPP, que pode ter sido a arma com a qual Juliana atirou em Pamela. Ainda ontem, seis policiais militares do 6º Batalhão, o policial civil que mora no Golden Beach e familiares de Juliana prestaram depoimento. O inquérito será conduzido pelo DHPP de Jaboatão.

A reportagem esteve no hotel ontem à noite mas foi informada pelos funcionários de que nenhum responsável pelo estabelecimento iria se pronunciar sobre o crime. Hóspedes que estavam saindo do local contaram que ouviram a discussão. “Foi horrível. A briga começou na piscina e depois escutamos os tiros vindo de um dos quatros”, detalhou uma turista que preferiu o anonimato. Até o fechamento desta edição, os familiares de Pamela não tinha comparecido à sede do DHPP, no Cordeiro. A assessoria da Polícia Militar de Pernambuco deve se pronunciar hoje sobre o que vai acontecer com o militar que atirou em Juliana.

Caneta salva estudante da morte

Duas canetas que estavam por dentro da blusa de uma estudante a salvaram da morte. Acompanhada da filha de sete anos, a dona de casa de 25 anos chegava à Escola Estadual Gabriela Mistral, no Alto do Pascoal, na Zona Norte do Recife, quando ambas foram atingidas por disparos de arma de fogo, por volta das 19h de ontem. A dona de casa que não quis revelar a identidade costuma levar a filha para assistir aula com ela todos os dias. Dois homens, que estariam usando farda da rede estadual, tentaram roubar a arma do vigilante da unidade de ensino, que reagiu.

Estudante de 25 anos foi baleada junto com a filha de apenas sete anos. Foto: Reprodução/TV Clube

Estudante de 25 anos foi baleada junto com a filha de apenas sete anos. Foto: Reprodução/TV Clube

Mãe e filha passam bem, mas a criança permanece internada no Hospital Otávio de Freitas (HOF), no Sancho, na Zona Oesta, após ter passado por cirurgia. Ela sofreu perfurações à bala nas duas mãos e um tiro de raspão na bochecha e ombro direitos.

Segundo a dona de casa, que estuda na unidade, ela estava entrando na escola quando ouviu os disparos. “Todo mundo tentou correr e depois vi que minha filha tinha sido baleada na mão. Ainda cheguei perto do vigilante e disse que o tiro atingiu minha filha. Somente quando cheguei na UPA eu vi que também estava baleada. O médico disse que tive sorte porque estava com as canetas presas na roupa e isso impediu que a bala entrasse no meu corpo”, contou a mulher em entrevista à TV Clube/Record.

De acordo com uma tia da criança, a menina está em observação e terá sua mão avaliada por uma equipe médica. “Ela fez a cirurgia, mas ainda não sabemos qual foi o resultado. Só vamos saber após a avaliação médica”, ressaltou.

Por meio de nota, a Secretaria Estadual de Educação lamentou o fato e confirmou que a investida dos assaltantes teve como alvo o roubo da arma do vigilante da escola. A secretaria informou que está prestando assistência à estudante da unidade de ensino e à filha dela. A nota diz ainda que a “gestão da escola e a empresa de vigilância contratada para fazer a segurança da unidade de ensino estão colaborando com a polícia nas investigações. A Secretaria de Educação esclarece que a escola não possui histórico de violência, sendo essa a primeira vez que ocorre esse tipo de investida.”

O marido da estudante acredita que faltou preparo ao vigilante. “Ele deveria ser melhor treinado para agir em situações como essas. Por pouco eu não perdi minha família”, declarou. A Prosegur confirmou a tentativa de assalto a um vigilante ontem. Ainda segundo a nota, “durante a ação criminosa, houve troca de tiros entre os suspeitos e o vigilante e, na ação, uma senhora e uma criança ficaram feridas. A Prosegur informa que está dando apoio às vítimas e às autoridades.

Polícia pede prisão de alunos do Agnes por morte de Betinho

O estudante Ademário Gomes da Silva Dantas, 19 anos, um dos suspeitos de participar do assassinato do professor José Bernardino da Silva Filho, 49 anos, teve o pedido de prisão preventiva enviado à Justiça ontem. Ademário, que é filho do diretor do Colégio Agnes, foi indiciado por homicídio qualificado pelo delegado Alfredo Jorge que investigou a morte de Betinho, como a vítima era conhecida. Além disso, o delegado pediu a internação para cumprimento de medida socioeducativa do adolescente de 17 anos, também aluno do Agnes, por ato infracional correspondente ao crime de homicídio. Ele também participou do assassinato, segundo a Polícia Civil.

Delegado Alfredo Jorge apresentou conclusão do caso. Foto: Wagner Oliveira/DP/D.A Press

Delegado Alfredo Jorge apresentou conclusão do caso. Foto: Wagner Oliveira/DP/D.A Press

Ao apresentar a conclusão da investigação que durou quatro meses e 14 dias, o delegado ressaltou que ouviu cerca de 40 pessoas no inquérito e que interregou os suspeitos duas vezes. Mesmo assim, o caso seguiu para a Justiça sem a motivação esclarecida. “Já havia dito que a motivação só seria descoberta com a confissão dos suspeitos, o que não aconteceu. O que posso dizer é que o celular de Betinho não foi encontrado. Isso leva a crer que a motivação do crime poderia estar registrada no aparelho. Não restam dúvidas sobre a autoria do assassinato, embora os suspeitos neguem. Durante a investigação, surgiu a informação de uma suposta ameaça de morte de Ademário contra Betinho devido a problemas na escola, mas ele negou essa informação”, comentou o delegado. No mês passado, a defesa de Ademário deu entrada num pedido de habeas corpus preventivo na Justiça. O pedido foi negado.

Professor trabalhava no Agnes e na rede municipal de ensino. Foto: Arquivo Pessoal

Professor trabalhava no Agnes e na rede municipal de ensino. Foto: Arquivo Pessoal

Segundo a polícia, Betinho foi torturado antes de morrer. “Ele teve o fio de ferro enrolado ao pescoço quando ainda estava vivo. Depois sofreu os golpes que causaram sua morte. As digitais do adolescente de 17 anos foram encontradas exatamente do ferro elétrico e no ventilador, cujo fio estava amarrando as pernas da vítima. Já a digital de Ademário estava na porta de um móvel do apartamento”, ressaltou Alfredo Jorge.

Procurados pelo blog/Diario, os advogados dois suspeitos disseram que ainda não tiveram acesso ao inquérito e que ficaram sabendo da conclusão pela imprensa. “Vamos esperar o inquérito chegar à Justiça”, declarou Marcos Antônio da Silva, advogado de Ademário Dantas. Já o defensor do adolescente, Carlos Queiroz, disse que a família e o próprio adolescente estão à disposição da Justiça e do MPPE para que a verdade seja descoberta. “O adolescente é inocente”, afirmou Queiroz.

Crime está sendo investigado pelo delegado Alfredo Jorge do DHPP. Foto: Roberto Ramos/DP/D.A Press

Crime aconteceu no Edifício Módulo, na Boa Vista. Foto: Roberto Ramos/DP/D.A Press

O corpo de Betinho foi encontrado despido da cintura para baixo, na noite do dia 16 de maio, com as pernas amarradas por um fio de ventilador e com um fio de ferro elétrico enrolado ao pescoço em seu apartamento, no Edifício Módulo, na Avenida Conde da Boa Vista. Além do Agnes, Betinho também trabalhava na Escola Municipal Moacir de Albuquerque, no bairro de Nova Descoberta, de onde havia pedido transferência uma semana antes de ser assassinado após ser flagrado saindo do banheiro com um adolescente aluno da escola.

Outra indiciada
Além dos dois estudantes, o inquérito do DHPP foi enviado à Justiça com o indiciamento da supervisora de uma creche de Olinda. De acordo com o delegado Alfredo Jorge, Wenderly Gomes de Castro, 46, tentou atrapalhar as investigações indicando falsas testemunhas para prestaram depoiementos. “Essa mulher disse que conhecia uma pessoa que teria ouvido a confissão de dois rapazes como sendo os assassinos de Betinho. Ela disse que teriam sido aqueles dois jovens ouvidos no início da investigação, mas descobrimos que era tudo mentira e que ela é ligada à família de Ademário. Por esse motivo, ela foi indiciada”, frisou Alfredo Jorge.

Caso Betinho: inquérito é concluído

O Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) da Polícia Civil vai apresentar nesta quarta-feira, às 10h, a conclusão do inquérito que apurou a morte do professor José Bernardino da Silva Filho, 49 anos, encontrado morto dentro do seu apartamento no último dia 16 de maio. Segundo a polícia, os dois suspeitos do crime são dois alunos do Colégio Agnes, onde a vítima trabalhou durante dez anos. Os estudantes têm 19 e 17 anos. Eles deverão ser indiciados por homicídio. Em dois depoimentos prestados ao delegado Alfredo Jorge, responsável pelo caso, ambos negaram participação no crime.

Foto: Wagner Oliveira/DP/D.A Press

Caso foi investigado pelo delegado Alfredo Jorge. Foto: Wagner Oliveira/DP/D.A Press

Para tentar evitar a possível prisão do estudante de 19 anos, que é filho do diretor do Agnes, seus advogados deram entrada num pedido de habeas corpus preventivo na Justiça. O pleito foi negado pelo Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE). Segundo a polícia, as impressões digitais dos dois estudantes foram encontradas em objetos usados para matar Betinho, como a vítima era conhecida, e em um móvel no apartamento do professor. O habeas corpus foi negado pelo juiz Alfredo Hermes Barbosa de Aguiar Neto, da 12ª Vara Criminal da Capital, que alegou que o estudante “não foi indiciado ainda pelo crime pelo qual alega estar sendo injustamente acusado.”

Crime está sendo investigado pelo delegado Alfredo Jorge do DHPP. Foto: Roberto Ramos/DP/D.A Press

Crime aconteceu no Edifício Módulo. Foto: Roberto Ramos/DP/D.A Press

O corpo de Betinho foi encontrado despido da cintura para baixo, na noite do dia 16 de maio, com as pernas amarradas por um fio de ventilador e com um fio de ferro elétrico enrolado ao pescoço. Segundo a polícia, o ferro elétrico foi utilizado para dar pancadas na cabeça da vítima. As digitais do adolescente estavam no ferro e no ventilador. Já as digitais do jovem de 19 anos estavam em uma cômoda do apartamento que fica no Edifício Módulo, na Avenida Conde da Boa Vista. Além do Agnes, Betinho também trabalhava na Escola Municipal Moacir de Albuquerque, no bairro de Nova Descoberta, de onde havia pedido transferência uma semana antes de ser assassinado.

Recolhidas todas as armas utilizadas no Complexo Prisional no domingo

Todas as armas dos policiais militares e agentes penitenciários que estavam trabalhando no Complexo Prisional do Curado, no Sancho, no último domingo, devem ser recolhidas para serem periciadas, inclusive fuzis. O objetivo é descobrir qual foi a arma de onde partiu o tiro que matou Ricardo Alves da Silva, 33 anos, atingido no quintal de casa, no Totó, por volta das 6h30 do domingo, enquanto escovava os dentes para ir trabalhar. A vítima foi morta por bala perdida no momento em que ocorria uma confusão no complexo, onde dois detentos ficaram feridos.

Foto: Corpo de Ricardo foi velado e sepultado ontem. Foto: Rodrigo Silva/Esp.DP/D.A Press

Foto: Corpo de Ricardo foi velado e sepultado ontem. Foto: Rodrigo Silva/Esp.DP/D.A Press

A ordem de recolhimento partiu do secretário de Justiça e Direitos Humanos de Pernambuco, Pedro Eurico, que está na Costa Rica, onde participou ontem de uma audiência pública sobre os problemas do complexo, promovida pela Corte Interamericana de Direitos Humanos. “Daqui mesmo da Costa Rica determinei que todas as armas fossem recolhidas para ser periciadas e saber de onde partiu o tiro que matou o rapaz” declarou Eurico. O secretário acrescentou que agentes que trabalhavam dentro do presídio “precisaram agir para evitar que houvesse uma invasão de pavilhão, o que poderia resultar em uma chacina.”

Ricardo Alves foi atingido quando estava escovando os dentes. Fotos: Divulgação

Ricardo Alves foi atingido quando estava escovando os dentes. Fotos: Divulgação

O corpo de Ricardo foi sepultado ontem à tarde no Cemitério Parque das Flores. A morte está sendo investigada pela Polícia Civil e pela Secretaria Executiva de Ressocialização do Estado (Seres), vinculada à Secretaria de Justiça e Direitos Humanos. O gestor do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), José Cláudio Nogueira, informou que ainda não foi identificado o calibre da bala que atingiu o autônomo. Ainda segundo a Polícia Civil, nenhum projétil foi encontrado no local do crime.

Ricardo apresentava três lesões na face, mas apenas a perícia deve confirmar quantos tiros acertaram o autônomo e se as perfurações foram provocadas pela saída ou entrada da bala. De acordo com familiares, o disparo fez com que a vítima caísse, danificando um tanque de lavar roupas. A previsão para conclusão do inquérito é de 30 dias.

A família da vítima cobra justiça. “Eu estava em casa quando tudo aconteceu. Agora só espero que o governo do estado tome uma posição sobre isso. Sempre que sai algum tiro no presídio as pessoas da comunidade sofrem. Várias casas têm marcas nas paredes”, afirmou o comerciante Maviael Alves, 43 anos, irmão da vítima.

Vizinho e amigo de Ricardo, José Francisco Santana, 63, contou que quase todas as semanas a comunidade vive momentos de terror com tiros no complexo. “Quem mora no Alto Bela Vista (comunidade onde Ricardo vivia) costuma acordar de madrugada com os tiros”, frisou.

Familiares de Ricardo afirmaram também que ele planejava se mudar. “Ele dizia que morar perto do presídio era muito perigoso”, contou Josenildo Barbosa de Souza, 47, sogro. O mecânico morreu cinco dias antes de completar 33 anos.

Polícia nega violação de cena

Familiares de Ricardo afirmaram, durante o velório, que policiais militares teriam entrado na casa dele procurando vestígios que pudesssem ajudar na investigação antes da chegada da perícia. “Em nenhum momento isso foi mencionado nas diligências preliminares. Muitas pessoas estiveram no local no momento, inclusive populares. Isso deve ser descoberto na investigação”, comentou o delegado José Cláudio Nogueira. A casa de Ricardo fica a aproximadamente 300 metros do presídio.

Já a Polícia Militar informou que “uma equipe do Batalhão de Guarda (BPGd) esteve na casa da vítima por volta das 9h, quando já estavam presentes no lugar policiais civis e peritos do Instituto de Criminalística (IC) realizando os procedimentos.” A PM ressalta que “neste caso, não há registro de violação por parte dos PMs no local do incidente, onde permaneceram por cerca de 40 minutos, segundo relato da oficial que esteve na residência.”

Protesto
Depois de saírem do cemitério, moradores do Alto Bela Vista, parentes e amigos de Ricardo caminharam de casa dele ao complexo em protesto. “Ele era um cidadão. Estamos indignados”, enfatizou João Rodrigues da Silva, amigo da vítima. Os moradores atearam fogo em pneus e pedaços de madeira em frente a entrada principal da penitenciária. Houve momentos em que o fogo ficou alto e perto dos carros, danificando alguns veículos.

Problemas persistem no complexo

O Complexo Prisional do Curado continua superlotado e registrando casos de violência um ano depois da Corte Interamericana de Direitos Humanos ter ordenado que medidas de proteção fossem adotadas. Desde que a corte, com sede na Costa Rica, estabeleceu as medidas em 2014, houve três rebeliões. Dois detentos foram asfixiados em incêndios, dois eletrocutados, dois decapitados e cinco sofreram abuso sexual. No início da tarde de ontem, a TV Clube/Record glagrou presidiários andando com armas artesanais e até uma foice no pátio.

“Esse é o saldo macabro que temos no Complexo do Curado desde que essa corte ordenou medidas urgentes”, denunciou ontem Fernando Delgado, da Clínica Internacional de Direitos Humanos da Universidade de Harvard (EUA). O complexo tem sete mil internos em um espaço para menos de dois mil. Em maio de 2014, a corte pediu ao Brasil que adotasse medidas urgentes.

O secretário Pedro Eurico disse que a audiência pública que discutiu os problemas do complexo ocorreu “dentro do esperado”. “Falamos sobre todas as nossas ações e agora vamos esperar que a corte diga se as medidas devem ser mantidas ou ampliadas”, disse o secretário.

Ainda de acordo com Eurico, a lista de ações apresentadas inclui a colocação de alambrados sobre os muros das unidades prisionais para evitar que objetos sejam lançados do lado de fora e a intensificação das revistas.

Polícia já identificou autores do tiro no Birosca da Ilha do Leite

O Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) já tem os nomes dos dois suspeitos que atiraram no músico da banda John Geração, em frente ao bar Birosca, no bairro da Ilha do Leite, na madrugada dessa sexta-feira. A vítima foi o tecladista Jonattas Henrique Alves Fragoso, 25 anos. Ele foi atingido no abdômen e foi socorrido e levado para o Hospital da Restauração (HR), onde passou por cirurgia e pernamece internado na enfermaria sem previsão de alta.

Polícia começa a tomar depoimentos na segunda-feira. Foto: Joao Velozo/ Esp. DP/ D. A Press

Polícia começa a tomar depoimentos na segunda-feira. Foto: Joao Velozo/ Esp. DP/ D. A Press

Segundo o delegado Alfredo Jorge, responsável pelas investigações, as imagens das câmeras de monitoramento da Secretaria de Defesa Social (SDS) e de estabelecimentos das proximidades irão auxiliar nas investigações que foram iniciadas pela delegada Josineide Confessor.

Na manhã da sexta-feira, empresários da banda e do bar estiveram na sede do DHPP, no bairro do Cordeiro, mas não quiseram comentar o caso com a imprensa. “Os dois rapazes que já foram identificados chegaram ao bar durante a madrugada e acabaram sendo expulsos da casa pelos seguranças porque estavam arrumando confusão no local. Depois disso, eles ficaram na frente do bar e, quando as pessoas começaram a sair do estabelecimento, um deles atirou em direção ao grupo. O músico acabou atingido”, afirmou o delegado.

Jonattas Henrique passou por cirurgia no Hospital da Restauração. Foto: Divulgação

Jonattas Henrique passou por cirurgia no Hospital da Restauração. Foto: Divulgação

Depois que entraram e deram partida na Land Rover em que estavam, os jovens teriam disparado outros dois tiros. A arma usada teria sido uma pistola. Um cliente da casa disse ao Diario que viu a confusão e ouviu um dos suspeitos dizer “vou pegar o berro (arma) no carro”. Ele acrescenta que o músico não percebeu que tinha sido atingido. “Mas outras pessoas o alertaram de que ele fora baleado”, disse.

“No Birosca não há câmeras, mas já solicitamos imagens de outros pontos nas proximidades. Marquei para a segunda-feira os depoimentos dos seguranças do bar e dos integrantes da banda. Os suspeitos irão responder por tentativa de homicídio”,
completou o delegado Alfredo Jorge.

No Instagram, a John Geração disse que lamenta o ocorrido e conta com o trabalho da polícia. O bar se pronunciou por meio de uma nota enviada pela assessoria de imprensa. O informe diz que “o Birosca Itinerante Recife preza pelo bem-estar e segurança de todos os clientes. Infelizmente, na madrugada desta sexta-feira, houve um incidente rapidamente solucionado pelos seguranças da casa, que colocaram o indivíduo causador do tumulto para fora do estabelecimento.”

Assaltos, mortes e muita violência

Duas vidas foram interrompidas de forma brutal pela violência na Região Metropolitana, em menos de oito horas. Um homem de 56 anos e uma mulher de 40 foram assassinados no bairro da Encruzilhada, no Recife, e no Loteamento São João e São Paulo, em São Lourenço da Mata, respectivamente. Os dois casos estão sendo investigados como assaltos, embora, no crime de São Lourenço, a polícia também apure outras hipóteses. Ninguém foi preso.

Carro da vítima foi abandonado no Espinheiro. Fotos: Guilherme Verissimo/Esp DP/DA Press

Carro da vítima foi abandonado no Espinheiro. Fotos: Guilherme Verissimo/Esp DP/DA Press

Após o crime na Encruzilhada, a polícia anunciou que vai solicitar imagens das câmeras da SDS e lojas para tentar identificar os assassinos. Jorge Rodrigues de Lima Maciel foi morto com um tiro na testa após ter reagido ao assalto. O homicídio ocorreu por volta do meio-dia, na Rua Gomes de Matos Júnior.

Dois homens chegaram em um carro, abordaram a vítima e um deles assumiu a direção do Gol de Jorge. A vítima entrou em luta corporal, foi baleada e morreu. O veículo foi abandonado na Rua Quarenta e Oito, Espinheiro, possivelmente por ter bloqueio automático. O bandido que dirigia fugiu em um ônibus. Impressões digitais foram colhidas no carro.

Peritos papiloscopistas do IITB encontraram várias digitais no carro.

Peritos papiloscopistas do IITB encontraram várias digitais no carro.

Segundo a delegada Andreá Busch, a possibilidade de latrocínio é a mais provável. De acordo com o perito Antônio Neto, Jorge foi baleado fora do carro, embora tenham sido encontradas manchas de sangue e massa encefálica na parte interna da porta e no banco. “Ele foi obrigado a sair do carro, não se conteve e tentou reaver a sua propriedade”, ressaltou Neto.

Crime aconteceu na Rua Gomes de Matos Júnior, na Encruzilhada

Crime aconteceu na Rua Gomes de Matos Júnior, na Encruzilhada

Um irmão da vítima disse à polícia que Jorge era casado e tinha uma filha, mas não informou sua profissão. Com a vítima foram encontrados documentos de uma empresa de terceirização em limpeza. O caso vai ser investigado pelo delegado Bruno Magalhães. O policiamento na área é feito por PMs do 13º Batalhão, em todos os turnos com carros e motos, através das rondas da Patrulha do Bairro.

Segundo assalto em dois meses

A empregada doméstica assassinada em São Lourenço tinha sido assaltada há dois meses na localidade onde mora, segundo familiares. O delegado Ramon Teixeira iniciou as investigações sobre a morte de Ana Paula Neres, 40, ocorrida por volta das 4h30 de ontem, enquanto esperava pelo ônibus, no Loteamento São João e São Paulo. Ele não descarta também a possibilidade de execução. A vítima, que seguia para o trabalho em Parnamirim, Recife, foi assassinada com dois tiros na cabeça. Dois suspeitos chegaram em uma moto.

O corpo foi sepultado à tarde, em São Lourenço. De acordo com a irmã da vítima, um pedreiro estava na parada de ônibus no momento do crime. “O rapaz disse que os criminosos chegaram de capacetes e mandaram os dois deitarem no chão. Ele deitou e cobriu a cabeça. Depois ouviu os homens mandarem minha irmã baixar a cabeça e atiraram”, disse a dona de casa.

Ela contou que após os tiros, de acordo com a testemunha, os suspeitos teriam mandado o homem sair correndo. “Quando ele voltou para encontrar minha irmã ela já estava morta e tinham levado a bolsa”, disse. “Minha irmã saía de casa muito cedo para ir trabalhar. Há dois meses, ela foi assaltada e levaram o celular dela. Vivia com medo de andar sozinha.”

O comando do 20º Batalhão, responsável pelo policiamento em São Lourenço e Camaragibe, informou que a segurança é feita por policiamento a pé, viaturas táticas e pela Patrulha do Bairro, que pode ser acionada pelo número 98600-8956, além do Grupo de Apoio Tático Itinerante (Gati).