Novos PMs nas ruas a partir desta sexta-feira. Será que isso resolve?

A partir desta sexta-feira, os novos 1,448 mil soldados da Polícia Militar de Pernambuco (PMPE) já estarão nas ruas de Pernambuco para tentar, junto aos demais agentes de segurança, diminuir os índices de criminalidade do estado. O grupo que participou da formatura na manhã desta quinta-feira vai atuar nas ruas da Região Metropolitana e também no interior. Participaram da solenidade o governador do estado, Paulo Câmara, o secretário de Defesa Social, Antônio de Pádua, o comandante da PMPE, coronel Vanildo Maranhão, e diversas autoridades. Na próxima segunda-feira, uma nova turma de 1,3 mil alunos começará o Curso de Formação e Habilitação de Praças da PM. A expectativa é de que esse segundo efetivo esteja pronto para o trabalho ostensivo em até seis meses. Familiares do formandos acompanharam o evento que aconteceu no Quartel do Derby, na área central do Recife.

Novos militares passaram oito meses em curso. Fotos: Wagner Oliveira/DP

Em seu discurso, Paulo Câmara falou sobre a relevância da chegada dos novos PMs para ajudar no combate à criminalidade e declarou ainda que é contra a convocação da Força Nacional para atuar em Pernambuco, como foi proposto pelos deputados estaduais da bancada de oposição. “O povo quer policiais nas ruas, e essa resposta nós estamos dando com novos soldados, com as novas academias e com o trabalho responsável que a polícia está fazendo de prender traficantes de drogas, de prender homicidas e buscar, incansavelmente, restabelecer a paz em Pernambuco. Quando se pede a Força Nacional é porque se desconhece o nosso trabalho, tudo aquilo que a gente está fazendo por um estado de segurança e de paz. Temos que ter responsabilidade com o tema. Eu, como governador de Pernambuco, de maneira nenhuma vou autorizar isso”, destacou.

Governador comandou a solenidade ao lado da cúpula da segurança pública do estado

Sobre as tentativas de reduzir a criminalidade no estado, o governador falou ainda da entrada de novos alunos no curso de formação e da abertura de curso de formação da Polícia Civil. “A partir da próxima segunda-feira, começa uma nova academia com 1,3 mil novos PMs. E já em outubro, a academia dos policiais civis também vai começar. Teremos 140 novos delegados, 600 agentes e quase 500 novos profissionais da Polícia Científica. Não escondemos que estamos com desafios na segurança, os números mostram isso. Mas nós temos responsabilidade com o tema e com a população. Nos últimos três anos do meu governo, quase R$ 1 bilhão foi investido na segurança pública”, apontou Paulo Câmara.

Soldados comemoraram a formatura no Quartel do Derby

Com carga horária de 1.106 horas aulas, o Curso de Formação e Habilitação de Praças da PM foi iniciado em janeiro deste ano e foi realizado no Campus de Ensino Metropolitano I da Academia Integrada de Defesa Social (Acides). Além do trabalho prático, esses profissionais foram capacitados sobre diversos temas relacionados ao desempenho do trabalho policial, como as técnicas de policiamento ostensivo, abordagem, inteligência de segurança pública e defesa pessoal, além gerenciamento de crises, resolução de problemas, direitos humanos, ética e cidadania, e relações interpessoais. A promessa do governo do estado é de que a cada ano seja aberto concurso para o preenchimento de 500 vagas para contratar novos policiais militares.

“São homens e mulheres que atuarão não só na Região Metropolitana, mas serão distribuídos para as demais regiões. Todo o estado vai receber parte desse efetivo para aumentar a segurança de cada município”, declarou o secretário Antônio de Pádua. O soldado Neidson Queiroz, 23 anos, foi um formandos. Acompanhado da família, ele disse que estava feliz por entrar para a Polícia Militar. “É um momento de muita felicidade. Foram oito meses de muito aprendizado e agora espero colocar em prática nas ruas tudo o que aprendi para melhorar a segurança do nosso estado”, ressaltou o novo soldado.

Também nesta quinta-feira, foram entregues 83 novas viaturas aos órgãos operativos da SDS. A maior parte, 75, ficaram com a PMPE e serão utilizadas para o policiamento em áreas urbanas e na Patrulha Escolar, cinco foram repassadas para o Corpo de Bombeiros e três para a Polícia Civil. O comandante geral da PMPE, coronel Vanildo Maranhão, falou sobre a distribuição dos novos PMs. “Procuramos distribuir esse efetivo de uma maneira estratégica. Com esse reforço, umas das preocupações do comando em geral foi justamente contemplar aquelas unidades, aquelas pequenas cidades que têm os destacamentos menores. Essas cidades vão receber esse reforço para melhorar o policiamento ostensivo”, declarou o comandante.

Só viaturas novas não resolvem o problema da segurança no estado

Nesta segunda-feira, o governo do estado fez a entrega de 83 novas viaturas para as polícias do estado. Os veículos vieram acompanhados de falas esperançosas do governador Paulo Câmara e do secretário de Defesa Social, Antônio de Pádua. Ambos declararam que a partir de agora os policiais terão mais condições de combater a criminalidade que aumenta a cada dia no estado. Em parte, estão certos, algumas viaturas andam pelas ruas em condições péssimas. Muitas até quebram em deslocamento.

Viaturas foram entregues em solenidade no Palácio do Governo. Foto: Julio Jacobina/DP

No entanto, além de carros para perseguir criminosos e oferecer policiamento ostensivo, os policiais precisam de armas, coletes à prova de balas e salários que pagem o risco de estarem na linha de frente no embate com criminosos fortemente armados. O número de assassinatos em Pernambuco atingiu índices assustadores, apenas nos seis primeiros meses deste ano, 2.876 pessoas foram mortas de maneira violenta no estado.

Durante a solenidade desta segunda-feira, Paulo Câmara afirmou que mais de 30 pessoas foram assassinadas no estado, nesse fim de semana, mas não apresentou os números oficiais. Isso porque o balanço da criminalidade do mês só tem sido divulgado pela Secretaria de Defesa Social (SDS) no dia 15 do mês seguinte.

Pacto pela Vida será debatido em audiência na Assembleia Legislativa

Representantes de cerca de 60 organizações e movimentos sociais, que integram o Fórum Popular de Segurança Pública – PE realizam nesta quinta-feira, na Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe), uma audiência pública para debater o Pacto Pela Vida e o aumento da criminalidade no estado. A sessão, marcada para as 9h, contará com a presença de parlamentares, representantes do governo do estado, movimentos, pesquisadores e organizações que têm interesse na temática. Na ocasião, será realizada uma intervenção política, organizada pelo Fórum, simbolizando a situação caótica na qual Pernambuco se encontra.

O fórum foi criado a partir de uma audiência pública sobre o tema, realizada no dia 12 deste mês. A iniciativa tem o intuito de reforçar a necessidade do direito de participação da sociedade civil nas discussões e decisões sobre a política de segurança pública no estado. Entre suas principais reivindicações, está a solicitação ao governo estadual para a reestruturação do Conselho Estadual de Defesa Social, a transparência nos dados criminais e a preparação para a realização da 2° Conferência Estadual de Segurança Pública, que teve a primeira e última edição em 2009.

No encontro desta quinta-feira será feira ainda uma análise dos 10 anos do Pacto Pela Vida. Para seus integrantes, o crescente número de casos de violência, assaltos e homicídios demonstra a ausência de ações efetivas, capazes de mudar esse quadro. O Pacto Pela Vida, política pública estadual de segurança de Pernambuco, foi criado em maio de 2007. Como meta estruturante, o Pacto visa reduzir 12% dos crimes violentos letais intencionais ao ano, e estes crimes foram reduzidos até o ano de 2013.

Com informações da assessoria de imprensa

Entre golpes, gols e notas musicais

Veja algumas das oficinas oferecidas por policiais militares a moradores de vários bairros da Zona Norte do Recife através do projeto Amigos do 11º Batalhão. O trabalho tem o objetivo de tirar crianças e adolescentes das ruas e afastá-los da criminalidade.

Aulas de jiu-jítsu para quem não fazia nada

Fotos: Peu Ricardo/Esp/DP

Fotos: Peu Ricardo/Esp/DP

Há quatro meses, o estudante Rafael Vicente de Oliveira, 14 anos, conheceu um mundo diferente. Aluno no 9º ano, ele entrou para a turma de jiu-jítsu – arte marcial japonesa aperfeiçoada no Brasil – que treina na Escola Estadual Lions de Parnamirim, onde também estuda. “Antes de entrar para o jiu-jítsu, eu ficava em casa sem fazer nada. Agora estamos eu e meu irmão treinando e eu penso em me tornar lutador profissional. Às vezes, até meu pai treina com a gente em casa”, confessou Rafael.

Assim como ele, o irmão Emanuel Alexandre de Oliveira, 16, não falta a uma aula. Vestidos com quimono, os garotos se juntam a outros moradores dos bairros de Dois Irmãos e Sítio dos Pintos para aprender a arte macial fora do horário de estudo. As aulas acontecem todas as segundas e quintas-feiras na quadra da escola. O espaço foi cedido pelo diretor da unidade de ensino, Nelson Alves.

O responsável pelas aulas e orientações dadas aos garotos é o soldado da Polícia Militar Evaldo Bahia. “Treino jiu-jítsu há 20 anos e também dou aulas em alguns lugares. No projeto Amigos do 11º BPM estou há um ano. Esse é um trabalho muito importante, pois no tempo livre dos meninos eles praticam atividades e isso evita que caiam na criminalidade”, destacou Bahia. Ainda segundo o professor, crianças a partir dos 10 anos, alunos ou não da escola, podem fazer a inscrição de maneira gratuita para participar das aulas.

Juan França, 12 anos, não pensou duas vezes quando viu outros garotos da escola fazendo as aulas de jiu-jítsu. “É muito legal fazer parte desse projeto. Antigamente eu ficava pela rua no horário da manhã. Agora, duas vezes na semana, estou treinando. O professor passa todas as orientações para a gente. Depois que assisti à Olimpíada, fiquei com vontade de ser lutador”, disse o estudante do 6º ano. Para o diretor da escola, Nelson Alves, a parceria com a Polícia Militar é importante para o desenvolvimento dos alunos.

Uma bola no pé e alguns sonhos na cabeça

O campo do Barreirão, em Dois Unidos, virou ponto de encontro de adolescentes e adultos nas tardes de terça-feira. O bairro onde a violência já foi marca registrada hoje recebe aulas semanais. O objetivo é levar lazer e esporte à população da localidade. Dos 32 mil habitantes de Dois Unidos, segundo dados do Censo de 2010, 48% são do sexo masculino, o mais facilmente recrutado pelo mundo do crime. Ainda de acordo com o Censo, 12 mil moradores de Dois Unidos têm entre 5 e 24 anos, onde está inserida a faixa etária que mais morre vítima de violência.

A partir das 14h, o soldado da Polícia Militar Leonardo Souza começa as atividades no Barreirão. “Estamos com o projeto aqui há três meses e muita gente tem procurado para fazer inscrições. Antes de iniciar as partidas, os meninos fazem aquecimento e dividimos os jogos em dois grupos. No primeiro, jogam os garotos mais novos. Os mais velhos entram em campo na segunda partida”, detalhou Souza. No dia em que a reportagem acompanhava o treino, o time ganhou duas bolas de futebol novas, frutos de doações. “Muita gente da comunidade e até de outros lugares colaboram fazendo doações para o projeto. Isso é muito bom para o nosso trabalho”, completou o sargento Amiel Alcântara.

O sonho de ser jogador de futebol faz parte do imaginário de muitos meninos e adolescentes pernambucanos. O estudante Luciano Apolinário da Silva, 14 anos, é um deles. Morador do bairro da Linha do Tiro, ele sai de casa toda terça-feira para jogar bola no campo do bairro vizinho. “Gosto muito de jogar aqui. Também é bom porque o treinador é um policial militar e a gente sabe que nada de errado vai acontecer enquanto a gente estiver procurando ocupar nosso tempo”, ressaltou. O também estudante Erick Cleidson Silva, 14, sonha em jogar num grande time do futebol pernambucano. “É importante esse projeto porque tira a gente da rua. Estou me dedicando para realizar meu sonho de ser jogador”, contou Erick.

Taekwondo colhe primeiros resultados

A doméstica Maria Rita dos Santos, 36 anos, está mais aliviada desde que seu filho adolescente passou a frequentar as aulas de taekwondo, arte marcial de origem coreana, que fazem parte do projeto Amigos do 11º BPM. O estudante João Marcos dos Santos, 16 anos, estuda à noite e costumava passar as manhãs e tardes jogando futebol ou sem outras atividades para fazer. Agora, ele é um dos alunos que se encontram todas as quartas-feiras pela manhã no espaço cedido por um morador da Rua do Canal, no bairro da Macaxeira.

“Achei uma maravilha meu filho participar da atividade de luta, assim ele fica longe das coisas erradas. Além do taekwondo, ele está jogando futebol e estudando à noite”, comentou a doméstica, que faz questão de acompanhar o treino.

As aulas que acontecem das 8h às 12h para meninos e meninas são ministradas pelo soldado da PM Emerson Martins. “O projeto por aqui é recente, mas está atraindo muita gente. Nosso objetivo é fazer com que as crianças e adolescentes das comunidades não fiquem ociosos. Alguns alunos já estão até participando de campeonatos. Para entrar nas aulas, os garotos e as garotas precisam estar estudando. Assim é possível tirar as crianças da criminalidade e trazê-las para a disciplina”, apontou Martins. Os treinos acontecem numa área da casa do aposentado Reginaldo Israel de França, 78. “Esse trabalho é muito importante para a nossa comunidade, por isso resolvi apoiar”, destacou.

O estudante João Marcos está animado com as aulas de taekwondo. “Esse tempo que passamos aqui é muito valioso. Ficamos longe das coisas erradas estamos aprendendo um esporte. Além disso, ainda jogo futebol e estudo à noite”, destacou o adolescente. Também aos 16 anos, o estudante João Vitor Aguiar fez a sua segunda aula na semana passada. Foi incentivado por colegas. “Além de ter visto as lutas na televisão, meus amigos entraram e disseram que era legal. Agora que comecei estão gostando muito e quero ser lutador”, revelou Vitor.

Aprendendo e ensinando os primeiros acordes

É de uma sala ao lado da igreja de Nossa Senhora de Fátima, no Alto da Foice, bairro do Vasco da Gama, que ecoam sons para o futuro. É lá que o soldado Moisés Costa, integrante do projeto Amigos do 11º BPM, ministra suas aulas de instrumentos musicais e canto. Uma faixa colocada na frente do prédio faz o convite aos moradores da localidade para participarem. Uma média de 30 alunos já está inscrita para as aulas que acontecem todas as quartas-feiras pela manhã. “Temos alunos de várias idades e aqueles que já estão mais avançados acabaram virando monitores e me ajudam durante as aulas”, destacou Moisés.

Falantes e alegres, as estudantes Dayane Larissa da Silva, 10 anos, Bruna Viviane da Conceição, 9, e Taylane Lys Lima, 10, estão animadas com as aulas de violão. Apesar de terem sonhos de seguirem outras carreiras quando terminarem os estudos, as três amigas acham importante aprender a cantar e tocar o instrumento de cordas. “Gosto muito de cantar, por isso me interessei”, respondeu Larissa, que pretende ser atriz. Já Bruna disse que vai ser médica. “Mas gosto de cantar também”, completou. Taylane escolheu para seu futuro ser advogada ou juíza. “Vou estudar muito para realizar meu sonho”, declarou.

Enquanto ainda estão um pouco longe de concretizar seus desejos, elas vão aproveitando as aulas de percussão, bateria, teclado, violão e canto. Quem ajuda a fazer as inscrições dos jovens e acompanha as aulas é o líder comunitário Fábio da Silva. “É uma oportunidade para eles terem um curso gratuito e ocuparem o tempo livre enquanto não estão na escola. Além disso, são preparados para o futuro”, ressaltou Fábio. O produtor de eventos Valter de Oliveira tem 31 anos e já é baterista profissional. Entrou no projeto para aprender a tocar teclado. O filho dele, Valter Santos, de 11 anos, acompanha o pai nas aulas. “É um incentivo para tirar as crianças das ruas e das drogas”, comentou.

Confira o vídeo com entrevistas sobre o projeto

Projeto da Polícia Militar muda realidade de jovens da Zona Norte

Promover mudanças nas comunidades e na vida das pessoas que nelas moram. Esse é o principal objetivo do projeto idealizado por policiais militares e que está levando lazer, esporte e música para crianças, adolescentes e adultos de diversos bairros da Zona Norte do Recife. Há um ano, militares do 11º Batalhão da Polícia Militar (BPM) estão mais perto dos moradores e conseguindo, aos poucos, mudar a relação da comunidade com os integrantes da corporação.

Garotos de Dois Unidos e proximidades jogam futebol no campo do Barreirão. Fotos: Peu Ricardo/Esp. DP

Garotos de Dois Unidos e proximidades jogam futebol no campo do Barreirão. Fotos: Peu Ricardo/Esp. DP

Por meio das aulas de ginástica, jiu-jítsu, futebol, instrumentos musicais, taekwondo e outras atividades, as orientações sobre cidadania, educação e melhoria da qualidade de vida chegam às famílias que vivem em localidades conhecidas como violentas. O projeto Amigos do 11º BPM, criado pelo comando do batalhão, está presente em 15 dos 31 bairros atendidos pelo seu efetivo.

Em Dois Irmãos, estudantes treinam jiu-jítsu na Escola Lions de Parnamirim

Em Dois Irmãos, estudantes treinam jiu-jítsu na Escola Lions de Parnamirim

Mais de mil alunos estão inscritos nas aulas ministradas por policiais militares de segunda-feira aos sábados, no horário das 6h às 22h. Os interessados em participar não precisam pagar nenhuma taxa. Basta ter vontade de querer um futuro longe das drogas e do mundo do crime. “No início do projeto, algumas pessoas tiveram receio da presença da polícia nas comunidades, mas hoje a população até gosta e se sente mais segura. A ideia do projeto é ocupar o tempo livre das crianças e adolescentes dessas localidades para que eles não tenham contato com a criminalidade. Durante as aulas eles recebem orientações e se transformam em multiplicadores, levando essas informações até seus familiares e colegas da escola”, destacou o cordenador do projeto, tenente Wellington Araújo.

No Alto da Foice, no Vasco da Gama, grupo estuda música e canto

No Alto da Foice, no Vasco da Gama, grupo estuda música e canto

O trabalho realizado pelos policiais militares pode contribuir para uma mudança de cenário nas estatísticas de violência na área coberta pelo 11º BPM. Segundo dados da Secretaria de Defesa Social (SDS), de janeiro a julho deste ano, 92 pessoas foram vítimas de Crimes Violentos Letais Intencionais (CVLIs) na Área Integrada de Segurança (AIS) 5. O número preocupa as autoridades, já que apresentou aumento m relação ao mesmo período do ano passado, quando foram notificados 74 casos de CVLIs na AIS5. “É um trabalho para se obter resultados a longo prazo. O mais importante já está acontecendo, que é a presença da polícia nas comunidades. No bairro de Dois Unidos, por exemplo, não acontece um homicídio há mais dois meses e meio”, apontou o tenente.

Meninos e meninas lotam espaço das aulas de taekwondo no bairro da Macaxeira

Meninos e meninas lotam espaço das aulas de taekwondo no bairro da Macaxeira

Enquanto um grupo de adolescentes jogava futebol no campo do Barreirão, a dona de casa Maria Gomes de Moura, 64 anos, parou ao lado da viatura e parabenizou os policiais que estavam no local. Essa é mais uma vantagem do projeto. Enquanto o professor estiver dando aula, uma viatura com outros dois PMs fica parada na localidade. “Esse trabalho de vocês é muito bonito e importante. Com essas atividades, as nossas crianças ficam longe das coisas erradas e se desenvolvem melhor. Quero parabenizar todos da polícia, pois além de fazer o trabalho de segurança na rua eles ainda ajudam a comunidade”, comentou a dona de casa moradora de Dois Unidos.

Parcerias

Para manter o projeto de pé, é preciso o apoio de algumas pessoas e empresas. É nessa hora que entra em cena o sargento Amiel Alcântara. Com 30 anos de Polícia Militar, dos quais 14 dedicados ao 11º Batalhão, o militar é quem corre atrás dos parceiros. “Já entrei muito nessas comunidades procurando bandidos e fazendo prisões, mas agora é diferente. Estou entrando para trazer coisas boas para as crianças e adolescentes desses lugares. Para isso, nós precisamos contar com alguns parceiros. Para a realização das atividades precisamos de equipamentos e também dos espaços para as aulas. Tudo isso é conseguido através de parcerias. Toda ajuda é muito bem-vinda”, destacou o sargento. O 11º BPM fica na Rua Apipucos, número 15, no bairro de mesmo nome. O telefone da unidade é o (81) 3183-5474.

Entrevista – Gilson Antunes

O projeto Amigos do 11º Batalhão nasceu em julho do ano passado e hoje conta com mais de mil alunos inscritos nas suas atividades. A iniciativa foi avaliada como positiva pelo professor adjunto do Departamento de Sociologia da UFPE e Pesquisador do Núcleo de Estudos e Pesquisas em Violência, Criminalidade e Políticas Públicas de Segurança (PGS/UFPE). Mas ele faz um alerta para a necessidade de apresentação de resultados do trabalho desenvolvido nas comunidades.

Como avalia o programa realizado pelos militares do 11º Batalhão?
São iniciativas como essas que estão faltando no campo de prevenção da criminalidade. O que se tem atualmente são muitas ações de repressão, mas de prevenção são poucas. O fato de o batalhão colocar os próprios militares para dar aulas aos jovens é muito positivo para promover o estreitamento dos laços de confiança entre a polícia e a comunidade. Em muitos lugares essa relação de confiança já não existe mais.

Que sugestão daria para o melhorar o projeto?
Acho necessário que os responsáveis pelo projeto comecem a apresentar os resultados que estão sendo obtidos. A redução da criminalidade é um bom indicador, mas é preciso entender se está ligada às atividades. Ações de prevenção realizadas com planejamento e organização podem ajudar no combate à violência.

Acha que poderiam ser oferecidas outras atividades no projeto?
Acredito que atividades ligadas à informática deveriam ser oferecidas também. Mas não falo aqui em digitação ou iniciação à informática, mas em relação às mídias sociais. Os participantes do projeto poderiam ser orientados de maneira que pudessem fazer uso do ponto de vista positivo de todas essas mídias, como Facebook, WhatsApp e Twitter, por exemplo.

Plataforma de Observação Elevada vai ajudar a combater crimes no Recife

Uma das áreas mais movimentadas do Recife ganhou uma ajuda de peso no combate à insegurança. Está em operação, desde o início desta semana, no Viaduto Capitão Temudo, a Plataforma de Observação Elevada – POE da Secretaria de Defesa Social – SDS. A plataforma foi adquirida para ajudar na fiscalização da Copa do Mundo em 2014 e, devido à eficiência dos seus serviços, foi integrada as ações da Policia Militar.

Equipamento está no Viaduto Capitão Temudo. Foto: SDS/Divulgação

Equipamento está no Viaduto Capitão Temudo. Foto: SDS/Divulgação

A POE conta com 14 câmeras de longo alcance e abrangência de 360º e vai ajudar a PMPE no combate a crimes na região que fica em torno do viaduto, como a Avenida Agamenon Magalhães, o Fórum Joana Bezerra, a Ponte do Pina, a comunidade do Coque e até trechos da Rua Imperial. Além das câmeras tradicionais, a plataforma conta também com câmeras térmicas, que ajudam em ocorrências noturnas. O equipamento tem chamado a atenção de quem passa pelo viaduto.

O serviço está ligado ao Centro Integrado de Operações de Defesa Social – CIODS e conta com o apoio do 16º Batalhão de Policia Militar – BPM, 24 horas por dia, que administra o uso das câmeras e com a Companhia Independente de Policiamento com Motocicleta – CIPMoto, que realiza rondas nas ruas próximas à Plataforma durante o dia.

A presença do poder policial nesta área era um pedido antigo da população local, já que a região possui estatísticas recorrentes de assaltos. Segundo o secretário executivo da SDS, Alexandre Lucena, o novo serviço vai reforçar a fiscalização ostensiva na área, por onde passam todos os dias boa parte da população do Recife e Região Metropolitana, e ampliar a sensação de segurança dessas pessoas.

Criminalidade sai das grandes cidades e avança para o interior

Da Agência Brasil

De acordo com o último Mapa da Violência, 56.337 pessoas foram vítimas de homicídio em 2012. Esse número corresponde a 29 mortes a cada grupo de 100 mil habitantes e é o maior da série histórica do estudo, divulgado a cada dois anos, tendo como base o Sistema de Informações de Mortalidade do Ministério da Saúde. Em 2002, o índice era de 28,5 por cem mil habitantes. A maior queda foi registrada em 2007, quando chegou a 25,2.

Segundo o coordenador do estudo, Julio Jacobo Waiselfisz, sociólogo da Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais (Flacso), o mapa mostra a tendência da violência de migrar dos grandes centros para o interior. Se nesta década o número de homicídios permaneceu quase o mesmo, ele diminuiu em cidades como Rio, São Paulo e Recife, mas migrou para cidades médias e pequenas.

Vítima foi assassinada por volta das 12h dessa sexta-feira. Foto: Annaclarice Almeida/DP/D.A Press

Cidades como Recife, São Paulo e Rio de Janeiro diminuíram o número de assassinatos nos últimos anos. Foto: Annaclarice Almeida/DP/D.A Press

“Por um lado, pode-se dizer, sim, que o crime migrou porque foi mais bem combatido nas cidades, mas também foram as relações que se deterioraram. Um grande número de mortes ocorre por desavenças que acabam em brigas e até mesmo em mortes”, disse.

Profissionalização
A análise do mapa, segundo Jacobo, mostra que as grandes cidades profissionalizaram suas áreas de segurança, enquanto no interior a área ainda age como 20 anos atrás, como se não houvesse crimes para investigar. “O que você tem nas pequenas cidades é um contingente policial mínimo, despreparado para lidar com desavenças e que não tem condições de combater qualquer tipo de crime”, disse.

Para tentar resolver essa questão, o governo federal criou o programa Brasil Mais Seguro, que ajuda os estados na formação de policiais e aquisição de equipamentos. “Para se ter uma ideia, não tínhamos peritos treinados nos equipamentos mais modernos, e graças ao programa montamos laboratórios e a Polícia Federal treinou nossos investigadores”, relatou Diógenes Tenório, secretário de Defesa Social de Alagoas, primeiro estado a receber o programa.

Jovens negros
Os jovens negros foram as maiores vítimas dessa violência. Pessoas com idade entre 15 e 29 anos tiveram as taxas de homicídio aumentadas de 19,6 em 1980 para 57,6 em 2012, a cada 100 mil jovens.

Negros também morreram muito mais que brancos. Morreram 146,5% mais negros do que brancos no Brasil, em 2012, vítimas de violência. Entre 2002 e 2012, o número de homicídios de jovens brancos caiu 32,3% e o dos jovens negros aumentou 32,4%.

“O problema é que a política de segurança pública escolheu um inimigo, e claramente ele é o jovem negro, que já é vítima dos lugares mais pobres e violentos, e eles não têm a mesma proteção dos jovens brancos de classe média”, avalia Ruth Vasconcelos, socióloga da Universidade Federal de Alagoas e especialista em violência.

“Claramente, o que precisamos é de uma política de segurança cidadã, e nossos policiais estão sendo treinados cada vez mais nessa perspectiva, para proteger o cidadão e não para matar os bandidos”, relatou o deputado Edson Santos (PT-RJ), que foi ministro da Igualdade Racial e integra a Comissão de Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado da Câmara dos Deputados.

Mortes de policiais
A discussão sobre o papel da polícia também é importante. Dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública, elaborado por um fórum de especialistas ligados à área governamental de segurança, mostram que 490 policiais tiveram mortes violentas em 2013, destes 75,3% foram mortos quando não estavam em serviço. Por outro lado, policiais causaram 11.197 mortes. Em comparação com outros países, os dois dados são alarmantes.

“É uma situação muito grave, porque representa uma situação quase de guerra. Até por isso os policiais precisam ser bem treinados e remunerados, para se protegerem e às suas famílias”, disse o deputado João Campos (PSDB-GO), que é delegado e integrante da Comissão de Segurança Pública da Câmara.

Pacto pela Vida faz seis anos com redução de 35,4% nos assassinatos

Depois de figurar 18 vezes como o estado mais violento do país em 25 anos e de ter registrado um total de 46 mil assassinatos entre os anos de 1996 e 2006, Pernambuco escolheu o ano de 2007 para iniciar uma nova história no quesito segurança pública. Há seis anos estava sendo lançado o programa Pacto pela Vida, uma integração entre os poderes públicos e a sociedade civil organizada, que conseguiu deixar Pernambuco numa posição menos crítica no ranking da violência. Atualmente, o governo do estado comemora a redução de 35,4% nos Crimes Violentos Letais Intencionais (CVLIs).

Iara, Delma e Nivaldo moram na Rua Timbiras e conversam na calçada até tarde. Foto: Nando Chiappetta/DP.D.A Press

Iara, Delma e Nivaldo moram na Rua Timbiras e conversam na calçada até tarde. Foto: Nando Chiappetta/DP.D.A Press

Segundo a Secretaria de Defesa Social (SDS), o número foi resultado da implantação do programa estadual de segurança pública que visa reduzir em 12% o número de mortes a cada ano e que hoje inspira a elaboração de um plano semelhante para a capital do estado. No Recife, a redução no número de mortes desde 2007 foi de 52,1%.

Os investimentos feitos na área de segurança fizeram de Pernambuco o único estado do Nordeste a reduzir os índices de criminalidade. Segundo o Mapa da Violência 2013 – Mortes Matadas por Armas de Fogo, o estado obteve uma redução de 27,8% nas mortes entre os anos de 2000/2010. Ainda como ponto positivo do pacto é lembrado o último dia 29 de abril, quando o estado passou 24 horas sem registrar um único crime de homicídio. “Pela primeira vez, zeramos os homicídios em território pernambucano desde a implantação do pacto. Isso merece uma celebração à vida. Esse dia histórico é resultado do trabalho articulado, da dedicação e da perseverança nas metas de redução da violência”, definiu o governador quando fez o anúncio na semana passada.

Márcia e Flávio, comemoram a tranquilidade no bairro. Foto: Nando Chiappetta/DP/D.A. Press

Márcia e Flávio, comemoram a tranquilidade no bairro. Foto: Nando Chiappetta/DP/D.A. Press

Entre as ações prometidas pelo Pacto pela Vida estavam a contratação de mais policiais militares, construção e reforma de batalhões e delegacias, reforço no patrulhamento ostensivo e investimento em qualificação profissional e inteligência dos policiais civis e militares. Conhecido por muito tempo como um dos bairros mais perigosos do Recife, Santo Amaro, após a implantação do pacto, passou a ser exemplo para o estado. O bairro chegou a ser citado pelo então presidente Lula em vários eventos como exemplo na redução da criminalidade. Moradora do bairro há 60 anos, a aposentada Márcia de Moura, 63, conta da tranquilidade na Rua Barros Barreto, onde mora com o companheiro Flávio Martins de Souza, 55. “Moro aqui desde criança. As coisas melhoram muito. Não vemos mais violência como antigamente”, ressalta Márcia.

Quem também destaca a tranquilidade de Santo Amaro são os aposentados Iara Batista, 66, Nivaldo Alexandre da Silva, 75, e Delma Moraes, 70. Moradores da Rua Timbiras, eles afirmam que aproveitam os finais de tarde e até mesmo a noite para conversar na calçada. “Isso aqui é uma calmaria. Tem gente que fica na frente de casa até uma hora da madrugada e ninguém mexe com a gente”, revela seu Nivaldo. Até o final deste mês, o prefeito do Recife Geraldo Julio deve apresentar o projeto do Pacto pele Vida do Recife que também terá como meta reduzir os índices de assassinatos em 12% na capital pernambucana.

Recife espera seguir exemplo do estado na redução de homicídios

Em 2007, a capital pernambucana contabilizava uma média de 68 homicídios para cada 100 mil habitantes. Seis anos depois, a taxa caiu para 38. Com a criação do programa Pacto pela Vida do Recife, porém, a prefeitura lançará uma meta ainda mais ousada. A Secretaria Municipal de Segurança Urbana garantiu que vai trabalhar para reduzir os índices a 10 mortes para cada 100 mil habitantes – conforme preconiza a Organização das Nações Unidas (ONU). O objetivo precisa ser atingido até o final de 2016, quando chega ao fim a gestão do prefeito Geraldo Julio. Nos primeiros quatro meses deste ano, Recife já obteve uma redução de 21,8% em relação ao mesmo período de 2012 – um dado relevante se comparado com a média do estado, que conseguiu uma queda inferior a 6%.

Desde a criação do Pacto pela Vida, a meta é de queda anual de 12%, mas, nos últimos dois anos, houve oscilações mensais e a Secretaria de Defesa Social não conseguiu cumprir o objetivo. “Estamos trabalhando com o setor de inteligência para desarticular as organizações criminosas e com a polícia preventiva, presente nos bairros e comunidades. Vamos lutar para atingir a meta até dezembro”, afirmou Wilson Damázio.

Confiança

Moradora do bairro de Casa Amarela, na Zona Norte do Recife, a técnica de laboratório Ana Lúcia Gomes, 54 anos, se diz confiante com os resultados do Pacto pela Vida. Ela também destacou como principal ponto positivo o reforço no policiamento nos bairros.   “Estamos nos sentindo mais seguros graças às prisões”, destacou.

Entre as ações que serão implementadas pela Prefeitura do Recife estão o reforço na iluminação pública, a interação da Polícia Militar com a guarda municipal e a criação de mais espaços de lazer nas comunidades. O Pacto Pela Vida do Recife começou a ser construído em parceria com a sociedade no dia 6 de abril, durante a Consulta Pública realizada no Centro de Formação de Educadores Professor Paulo Freire, na Madalena.

Do Diario de Pernambuco

 

Temer diz que redução da maioridade penal não reduz criminalidade

O vice-presidente da República, Michel Temer, disse nessa semana que a redução da maioridade penal não reduz a criminalidade entre os jovens. Para ele, são mais eficientes políticas públicas de incentivo e amparo aos adolescentes.

“Li hoje um argumento para reduzir [a maioridade] para 16 anos, mas, e daí, se o sujeito tem 15 anos e meio, e comete um crime, vamos reduzir para 15 anos? Não sei se é por aí a solução”, disse. “Talvez seja aquilo que o governo federal está tentando fazer: planos para dar incentivo e amparo aos menores”. O vice-presidente falou após o lançamento de seu livro de poesias Anônima Intimidade, na Associação Comercial do Rio de Janeiro.

Em resposta ao governador do estado de São Paulo, Geraldo Alckmin, que defendeu a redução da maioridade penal de adolescentes, o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo disse ser contrário a medida, porque seria inconstitucional.

Da Agência Brasil

É muito bonito ouvir dizer que as mudanças precisam ser feitas em cima de políticas públicas de incentivo e amparo aos adolescentes. Porém, vemos cada vez menos medidas desse tipo sendo tomadas. Enquanto isso, nossa juventude vai mergulhando nesse mundo de criminalidade que muita vezes não oferece caminho de volta. E você, o que pensa sobre o assunto? É a favor da redução da maioridade penal?