Abandono e insegurança no Mercado das Flores

Um cenário de abandono e degradação circunda o Mercado das Flores do Recife. Instalado há oito anos no Cais de Santa Rita e de frente para as torres gêmeas, os 40 boxes não conseguem atrair clientes ao local. As reclamações dos comerciantes vão desde o abandono por parte do município até a falta de segurança nas proximidades. Atos de vandalismo são constantes.

Espaço está abandonado e comerciantes estão revoltados. Fotos: Edvaldo Rodrigues/DP/D.A Press

Espaço está abandonado e comerciantes estão revoltados. Fotos: Edvaldo Rodrigues/DP/D.A Press

Na manhã dessa terça-feira, mais de dez comerciantes se revoltaram com mais um arrombamento no mercado. Vândalos destruíram cadeados e portas, entraram nos espaços, reviraram tudo e levaram o que havia de valor nos quiosques.

O comerciante Valmir Carneiro, 48 anos, disse que soube do arrombamento ainda na noite da terça-feira, mas deixou para conferir o prejuízo na manhã de ontem. “Essa não é a primeira vez que isso acontece aqui. Minha porta tinha cadeado e ainda uma grade de proteção. Eles destruíram um pedaço da parede e entraram. Levaram televisão, furadeira, ventilador e até uma máquina com a qual eu trabalhava”, lamentou Carneiro. Maria Francisca Veras, 64, conta oito arrombamentos em seu box. “Estamos aqui abandonados. Precisamos que alguém tome uma providência urgente”, disse.

A aposentada Josefa Gomes Mariz, 67, teve até um fogão levado pelos criminosos. “O movimento aqui é muito fraco, não temos dinheiro para comprar almoço todo dia. Por isso temos fogão nos boxes para fazer nossa comida ou esquentar quando trazemos de casa. Eles deixaram tudo virado e foram embora”, afirmou Josefa.

O comerciante Aguinaldo Batista Filho, 50, mostrou a destruição provocada pelos vândalos no box onde a mãe dele trabalha. “Estamos aqui no mercado há oito anos, mas ele nunca foi inaugurado. Não temos atenção nenhuma por parte do poder público. Quem trabalha aqui está entregue à própria sorte”, declarou.

Em relação à falta de segurança no local, a assessoria de comunicação da Polícia Militar afirmou que o 16º BPM, responsável pelo policiamento na área, atua com viaturas da Patrulha do Bairro e com o posto policial fixo do Cais de Santa Rita, que funciona 24 horas. A PM disse ainda que a denúncia sobre a insegurança nas proximidades do mercado foi repassada ao 16º BPM, para que providências sejam tomadas. Quanto à seguranca interna do mercado, a PM informou que isso cabe à prefeitura.

A Companhia de Serviços Urbanos do Recife (Csurb) afirmou que a questão da segurança é de responsabilidade da PM. A prefeitura ressaltou que está em andamento o processo de revitalização do cais, que prevê um espaço moderno e seguro para os comerciantes e frequentadores.

Assédio sexual em transporte público poderá ser punido com prisão

A Câmara dos Deputados analisa o Projeto de Lei 7372/14, do deputado Romário (PSB-RJ), que torna crime o ato de constranger alguém por meio de contato físico com fim libidinoso. A intenção é punir o assédio sexual no transporte público, em que homens se utilizam da superlotação para se aproveitar de mulheres.

Segundo o projeto, quem for enquadrado no crime pode pagar multa e cumprir detenção (prisão em regime aberto ou semiaberto) de três meses a um ano. A pena poderá ser convertida em prestação de serviços ou outro tipo de pena alternativa.

Romário critica o fato de a lei que revisou os crimes sexuais em 2009 ter retirado a punição do abuso em transporte ou aglomerações públicas. A conduta, segundo ele, precisa voltar a ser crime, já que a impunidade incentiva o assédio.

Divulgadores
A proposta também aplica a punição a quem divulgar imagem, som ou vídeo com a prática do ato libidinoso.

“Uma busca rápida pela internet revela que a prática é exaltada em redes sociais, sites e blogs. Sem pudor ou constrangimento, os ‘encoxadores’, como se autodenominam, compartilham experiências, marcam encontros e trocam imagens das vítimas e relatos do que, muitas vezes, chamam de ‘brincadeira’. As histórias, que vêm de várias partes do País, chamam atenção pela quantidade de detalhes e descortinam a certeza da impunidade”, argumenta Romário.

O projeto de lei também exige que os responsáveis pelos serviços de transportes reservem área privativa para as mulheres e afixem avisos de que é crime constranger alguém mediante contato físico com fim libidinoso.

Repressão
O relator da proposta na Comissão de Seguridade Social e Família, deputado Paulo Foletto (PSB-ES), apresentou parecer favorável, que aguarda votação. Foletto diz que a punição não é o melhor caminho, mas afirma que ela se torna necessária diante do aumento dessa agressão. “Não é polícia nem punição que resolvem o problema, mas passa a haver um temor”, afirma.

Foletto lembra que, atualmente, o agressor, quando punido, cumpre somente pena alternativa, como prestação de trabalho comunitário. “Se for só ‘sem-vergonhice’, cabe mais ainda a punição penal. Se for desvio de conduta na personalidade, também há necessidade de se encaminhar para um tratamento porque, aí, só a punição não vai resolver”, ressalta.

O advogado criminalista Pedro Paulo Castelo Branco, que é professor da Universidade de Brasília (UnB), dá apoio integral a essa proposta. “Não resolve, mas ameniza. É preciso reprimir esse tipo de contato físico, que nós chamamos de ‘encoxada’, e também essas outras situações de se tirar fotografias e de se filmar as partes íntimas de uma pessoa que, de repente, se vê constrangida em uma situação dessas.”

Da Agência Câmara

Polícia Federal assume caso do promotor de Itaíba em caráter de urgência

Perto de completar nove meses do assassinato do promotor de Justiça Thiago Faria Soares, 36 anos, a investigação do crime ganhou mais um capítulo. Depois de ter decido no mês passado que a Polícia Civil de Pernambuco retomaria a apuração parada desde o dia 14 de fevereiro, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) atendeu a um novo pedido da Procuradoria-Geral da República para que a Polícia Federal assuma o caso temporariamante. A Superintendência da Polícia Federal em Pernambuco, no entanto, ainda não recebeu a recomendação do STJ.

Homem que matou Thiago Faria estaria no banco traseiro do carro. Fotos: Paulo Paiva/DP/D.A Press

Homem que matou Thiago Faria estaria no banco traseiro do carro. Fotos: Paulo Paiva/DP/D.A Press

Publicada no dia 1º de julho, a decisão do ministro Rogerio Schietti Cruz ressalta que já passaram mais de oito meses desde a morte do promotor e que ele autorizou a retomada dos trabalhos para não comprometer o resultado final da investigação. “A falta de entendimento entre a Polícia Civil e o Ministério Público estadual tem ensejado um conjunto de falhas na investigação criminal que pode acabar comprometendo o resultado da persecução penal, com risco, inclusive, de gerar a impunidade dos mandantes e executores do noticiado crime.”

A decisão do ministro Schietti ressalta a autorização da PF para junto com o Ministério Público Federal fazer a colheita de “elementos indiciários, em caráter urgente e precário, que não constituam reserva de jurisdição e que possam ter o resultado comprometido com o decorrer do tempo.” O que o STJ ainda não decidiu, finalmente, é quem será o responsável pela conclusão do inquérito. Essa resposta só será conhecida com o julgamento final do Incidente de Deslocamento de Competência, que voltou a ser analisado. Resta saber o que os agentes federais irão encontrar de provas tanto tempo depois do crime.

Thiago Faria foi executado dentro do próprio carro. Foto: Anônimo

Thiago Faria foi executado dentro do próprio carro. Foto: Anônimo

O promotor foi executado no dia 14 de outubro do ano passado na rodovia PE-300, entre as cidades de Águas Belas e Itaíba, quando seguia para o trabalho. Ele estava acompanhado da noiva, a advogada Mysheva Martins, e um tio dela. Ambos escaparam sem ferimentos. Procurado pelo Diario, o chefe da Polícia Civil, Osvaldo Morais, disse que não havia sido notificado desta nova decisão do STJ.

Thiago Faria foi morto a caminho do trabalho. Foto: Reprodução/Facebook

Thiago Faria foi morto a caminho do trabalho. Foto: Reprodução/Facebook

O pedido de federalização do caso foi feito pelos promotores do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), que estavam acompanhando a apuração da Polícia Civil. Atualmente, não há ninguém preso pela morte do promotor.

Proposta para delegado fazer conciliação de crimes será debatida

A Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania reúne-se nesta quinta-feira (10) para discutir a proposta (PL 1028/11) que autoriza os delegados de polícia a promover audiência de conciliação entre as partes envolvidas em um crime de menor potencial ofensivo, antes de encaminhar o inquérito ao Ministério Público. Hoje esses crimes são julgados pelo Juizado Especial.

“A finalidade do PL 1028/11 é simplificar o atendimento nos Juizados Especiais Criminais e diminuir o custo do processo criminal, para uma melhor prestação jurisdicional”, explica o deputado José Mentor (PT-SP), relator do projeto.

A proposta já causou divergência em outra audiência pública que reuniu delegados e integrantes do Poder Judiciário. Apesar da polêmica, a Comissão de Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado aprovou o projeto.

Agora, a pedido de José Mentor, foram convidados para o debate:
– o presidente do Conselho Federal da OAB; Marcus Vinicius Furtado Coêlho;
– presidente da Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal, Marcos Leônicio Sousa Ribeiro;
– presidente da Associação dos Delegados de Polícia do Brasil, Paulo Roberto D’Almeida;
– o presidente da Associação Nacional dos Policiais Rodoviários Federais, Ernane Ribeiro Pitangui;
– o presidente do Conselho Nacional dos Comandantes- Gerais das Polícias Miliares e Corpo de Bombeiros Militar, coronel Carlos Alberto David dos Santos;
– o presidente do Conselho Nacional de Entidades Oficiais Militares Estaduais, coronel Marlon Jorge Teza;
– o presidente da Associação Nacional dos Membros do Ministério Público, Norma Angélica Reis Cardoso Cavalcanti;
– o presidente da Associação dos Magistrados Brasileiros, João Ricardo dos Santos Costa;
– o presidente do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo, José Renato Nalini;
– o procurador-geral da República, Rodrigo Janot Monteiro de Barros;
– o presidente da Associação Nacional dos Procuradores da República, Alexandre Camanho de Assis; e
– o presidente da Federação Nacional dos Policiais Federais, Jones Borges Leal.

Da Agência Câmara

PCPE entrega novo prédio de delegacias no interior do estado

A Secretaria de Defesa Social (SDS) inaugurou o prédio onde passa a funcionar as delegacias 20ª Delegacia Seccional, a Delegacia de Polícia da 167ª Circunscrição e a 13ª Delegacia de Polícia da Mulher, localizadas em Afogados da Ingazeira, no Sertão de Pernambuco.
Autoridades compareceram à inauguração. Foto: Polícia Civil/Divulgação

Autoridades compareceram à inauguração. Foto: Polícia Civil/Divulgação

As novas instalações estão funcionando na Área Integrada de Segurança (AIS -20), onde também está instalado o 23º Batalhão da Polícia Militar. O objetivo da AIS é integrar as ações das polícias no combate à criminalidade, de maneira a unificar as ações de polícia ostensiva com as ações de polícia judiciária.

O prédio possui 1.500 m², dividido em três pavimentos e com aproximadamente 70 salas climatizadas e mobiliadas para proporcionar aos profissionais de segurança pública e à sociedade excelentes condições de atendimento. Foram investidos mais de R$ 4 milhões na construção, no mobiliário e na climatização do ambiente.

A Área Integrada será responsável pelo policiamento nas cidades de Afogados da Ingazeira, Brejinho, Carnaíba, Iguaraci, Ingazeira, Quixaba, Santa Terezinha, São José do Egito, Tabira e Tuparetama.

Leia mais sobre o assunto em:

Justiça mantém prisão de suspeitos de matar médico Artur Azevedo

A juíza Gisele Vieira de Resende, que está substituindo a juíza Inês Maria de Albuquerque, da 1ª Vara do Tribunal do Júri de Jaboatão dos Guararapes, manteve a prisão dos suspeitos da morte do médico Artur Eugênio Azevedo, 36 anos. O pedido foi feito pelo delegado Guilherme Caraciolo, que está à frente das investigações.

Médico está detido no Cotel. Foto: Ricardo Fernandes/DP/D.A Press

Médico está detido no Cotel. Foto: Ricardo Fernandes/DP/D.A Press

O médico Cláudio Amaro Gomes, 57, e o filho o bacharel em direito Cláudio Amaro Gomes Júnior, 32, estavam presos por 30 dias, mas a polícia pediu a prorrogação por mais 30 dias, o que foi acatado pela Justiça. Enquanto isso, pai e filho seguem presos no Centro de Triagem, em Abreu e Lima, no Grande Recife.

Filho do médico participou diretamente do crime. Foto: Guilherme Verissimo/Esp.DP/D.A Press

Filho do médico participou diretamente do crime. Foto: Guilherme Verissimo/Esp.DP/D.A Press

O delegado segue com as investigações por mais 30 dias. Ele espera identificar e prender os dois executores do crime. Pai e filho estão presos desde o dia 3 de junho. A defesa do médico tentou por duas vezes pedir sua liberdade, mas a Justiça negou.

Delegado Guilherme Caraciolo está à frente do caso. Fotos: Wagner Oliveira/DP/D.A Press

Delegado Guilherme Caraciolo está à frente do caso. Fotos: Wagner Oliveira/DP/D.A Press

Artur Eugênio era casado e deixou um filho pequeno. Ele foi arrastado por dois homens na entrada do prédio onde morava, na Rua dos Navegantes, em Boa Viagem, depois de largar do plantão no Real Hospital Português (RHP). Uma dupla em um carro interceptou o Golf preto que pertencia ao médico, de placas OYS-1564, e dois homens, um deles armado, entraram no veículo.

Médico tinha 36 anos, era casado e deixou um filho pequeno. Foto: Arquivo Pessoal

Médico tinha 36 anos, era casado e deixou um filho pequeno. Foto: Arquivo Pessoal

Na sequência, o carro saiu em alta velocidade com os suspeitos e a vítima. As câmeras de monitoramento do prédio registraram a ação. Ele foi encontrado morto na noite da segunda-feira, dia 12 de maio, às margens da BR-101, em Jaboatão dos Guararapes. O carro foi localizado um dia depois, no dia 13, carbonizado, no bairro da Guabiraba, Recife.

Jovem e negro são as maiores vítimas de morte violenta no país

Em média, 100 a cada 100 mil jovens com idade entre 19 e 26 anos morreram de forma violenta no Brasil em 2012, mostra o Mapa da Violência 2014, que considera morte violenta a resultante de homicídios, suicídios ou acidentes de transporte (que incluem aviões e barcos, além dos que ocorrem nas vias terrestres de circulação).

O estudo mostra que, nos anos 1980, a taxa de mortalidade juvenil era 146 mortes por 100 mil jovens, e passou para 149, em 2012. Se a média geral não mudou significativamente com o passar do tempo e o aumento populacional, a causa, sim. Naquela década, as causas externas, que independem do organismo, eram responsáveis pela metade do total de mortes dos jovens.

Já em 2012, dos 77.805 óbitos juvenis registrados pelo Sistema de Informações de Mortalidade (SIM), do Ministério da Saúde, 55.291 tiveram sua origem nas causas externas. Mais de 71% do total. Os homicídios e os acidentes de transporte são os dois principais responsáveis por essas mortes, segundo o relatório.

A diferença também é diagnosticada quando comparados homens e mulheres. Entre 1980 e 2012, no total das mulheres, as taxas passam de 2,3 para 4,8 homicídios por 100 mil. Um crescimento de 111%. Entre os homens, a taxa passa de 21,2 para 54,3. Um aumento de 156%.

No caso dos suicídios, a pesquisa revela mortalidade três a quatro vezes maior no caso dos homens, no Brasil. Entre as décadas citadas, as taxas masculinas cresceram 84,9%. Já as femininas, 15,8%.

Uma terceira variável chama a atenção na pesquisa: a vitimização dos negros é bem maior que a de brancos. Morreram proporcionalmente 146,5% mais negros do que brancos no Brasil, em 2012. Considerando a década entre 2002 e 2012, a vitimização negra, isso é, a comparação da taxa de morte desse segmento com a da população branca, mais que duplicou.

Segundo o responsável pela análise, Julio Jacobo Waiselfisz, coordenador da Área de Estudos da Violência da Faculdade Latino-Americana de Ciências, o recorte racial ajuda a explicar o fato de não ter se verificado na pesquisa grandes mudanças nas taxas globais de homicídios, embora o número registrado a cada ano tenha aumentado. Os brancos têm morrido menos. Os negros, mais. Entre 2002 e 2012, por exemplo, o número de homicídios de jovens brancos caiu 32,3% e o dos jovens negros aumentou 32,4%.

De acordo com Jacobo, essa seletividade foi construída por diversos mecanismos, entre os quais o desenvolvimento de políticas públicas de enfrentamento à violência em áreas onde havia mais população branca do que negra, bem como o acesso, por parte dos brancos, à segurança privada. Assim, os negros são excluídos duplamente – pelo Estado e por causa do poder aquisitivo. “Isso faz com que seja mais difícil a morte de um branco do que a de um negro”, destaca o sociólogo.

Ele alerta que essa situação não pode ser encarada com naturalidade pela população brasileira. “Não pode haver a culpabilização da vítima”, diz Jacobo, para quem o preconceito acaba justificando a violência contra setores vulneráveis. O sociólogo, que em 2013 recebeu o Prêmio Nacional de Segurança Pública e Direitos Humanos da Presidência da República, defende o estabelecimento de políticas de proteção específicas, que respeitem os direitos dos diferentes grupos e busquem garantir a vida da população.

Da Agência Brasil

Policiais militares tentam impedir assaltos na Agamenon Magalhães

Policiais militares de motos e viaturas da Patrulha do Bairro de dois batalhões estão atuando das 6h às 23h ao longo da Avenida Agamenon Magalhães para tentar coibir os assaltos que têm ocorrido há cerca de três meses.

De acordo com o tenente-coronel Ebenezer Machado, comandante do 13º BPM, a operação está sendo realizada em parceria com o 16º Batalhão. “Policiais das duas unidades estão atuando nos dois sentidos da via. Depois que começaram esses assaltos, aumentamos a fiscalização. O problema é que muitas vezes os adolescentes ou adultos que fazem os assaltos não estão com armas de verdade”, explicou o oficial.

Investidas têm deixado a população assustada. Foto: Edvaldo Rodrigues/DP/D.A Press

Crimes têm deixado a população assustada. Foto: Edvaldo Rodrigues/DP/D.A Press

Segundo Machado, muitos assaltos são feitos por pessoas que ameaçam estar armadas. “As vítimas são mais mulheres e muitas ficam nervosas nas abordagens. Recomendamos que elas não deixem as bolsas à mostra, nem usem o telefone celular. Além disso, devem evitar parar nas laterais da via. Procurar a faixa do centro e estar sempre com os vidros fechados”, alertou o tenente-coronel.

As câmeras de segurança instaladas na avenida têm ajudado a polícia a identificar os pontos mais críticos. O pior deles é no cruzamento da Agamenon Magalhães com a Rua do Paissandú.

Os constantes assaltos têm prejudicado as pessoas que tiram o sustento trabalhando na avenida. O vendedor de pipocas Everaldo Silva, 42 anos, disse que os crimes praticados por alguns “falsos vendedores” estão deixando os clientes assustados. “Esses meninos estão por aqui no horário da manhã e no final da tarde, quando o trânsito está mais lento. Eles abordam as mulheres, pedem os celulares, fogem correndo e depois voltam para o mesmo lugar. São todos conhecidos e agem com muita violência”, apontou o vendedor.

Motoristas são vítimas de assaltos na Avenida Agamenon Magalhães

A fisioterapeuta Letícia Pereira, 26 anos, por pouco não se tornou mais uma vítima dos constantes assaltos que estão acontecendo na Avenida Agamenon Magalhães, uma das principais artérias do Recife. Na semana passada, Letícia voltava da Zona Norte para Boa Viagem quando foi abordada por assaltantes ao parar o carro no semáforo nas proximidades da Rua do Paissandú.

Ponto mais pirigoso é o cruzamento com a Rua do Paissandú. Foto: Edvaldo Rodrigues/DP/D.A Press

Ponto mais pirigoso é o cruzamento com a Rua do Paissandú. Foto: Edvaldo Rodrigues/DP/D.A Press

Os casos de investidas a motoristas ao longo da via têm aumentado nos últimos meses, o que chamou a atenção da Polícia Militar, que afirmou ter reforçado o policiamento na localidade. As vítimas, em sua maioria, são mulheres.

Os assaltos acontecem nos dois sentidos da avenida e a qualquer hora do dia. Em menos de um mês, a Polícia Civil registrou dez casos do tipo. A Delegacia de Joana Bezerra, responsável pelas investigações na área, apreendeu, recentemente, dois adolescentes e um homem envolvidos em atos infracionais e assaltos, respectivamente, ao longo da Avenida Agamenon Magalhães. “Muitos assaltos acontecem no sentido para a Zona Sul, o que faz as pessoas prestarem queixa na Delegacia de Boa Viagem”, ressaltou o delegado de Joana Bezerra, Darley Timóteo.

Assaltantes usaram uma arma de brinquedo para roubar bolsa. Fotos: Divulgação

Assaltantes usaram uma arma de brinquedo para roubar bolsa. Fotos: Divulgação

Letícia seguia para casa, por volta 16h30, quando foi abordada por dois garotos, um deles armado, segundo a fisioterapeuta. “Quando estava me aproximando do sinal, vi que havia alguns meninos à beira do canal, mas achei que eram apenas vendedores. No momento em que parei o carro, dois deles foram até a minha porta e bateram no vidro. Um deles estava com dois sacos de pipocas e me mostrou uma arma, que pensei ser de brinquedo”, contou.

O assalto a Letícia não foi consumado porque um homem percebeu a movimentação e perguntou aos garotos o que estava acontecendo. “Eles estavam pedindo o meu celular, mas aí apareceu um ‘anjo’ que fez com que os garotos fossem embora. Fiquei muito nervosa e chorei bastante depois”, lembrou.

Dois adolescentes e um adulto foram pegos pela polícia por assaltos na área

Dois adolescentes e um adulto foram pegos pela polícia por assaltos na área

A empresária Lorena Gouveia, 30, não teve a mesma sorte de Letícia. No dia 22 de maio Lorena voltava de Boa Viagem quando foi assaltada na Agamenon Magalhães, nas proximidades do Derby. “Estava com meu filho pequeno no carro e os assaltantes foram muito violentos. Pediram meu celular e ainda ameaçaram atirar na minha cabeça. Lembro que eram três garotos e que um deles estava com vários sacos de pipoca nas mãos. Foi horrível. Mudei de endereço para não ter que passar pela Agamenon novamente para buscar meu filho na escola”, ressaltou Lorena.

Os assaltos na avenida acontecem com tamanha frequência que a médica Márcia Pereira, 55, já presenciou pelo menos cinco no trajeto de casa para o trabalho. “Presenciei assaltos em todos os horários e os assaltantes escolhem como alvo principal as mulheres. Eles abordam pessoas que estão com os vidros dos carros abertos ou pedem para os motoristas abrirem aqueles que estão fechados. Está muito perigoso transitar pela Agamenon Magalhães”, ressaltou.

Presos de Pernambuco vão expor artesanato na Fenearte

Detentos das unidades prisionais do estado irão participar, mais uma vez, expondo produtos na Fenearte, que acontece entre os dias 2 e 12 de julho, no Centro de Convenções. Os 150 reeducandos fizeram as peças que serão expostas no stand da Secretaria Executiva de Ressocialização (Seres) durante os dez dias da feira.

Detentos tiveram produtos expostos no ano passado. Fotos: Marcelo Aragão/Seres

Detentos tiveram produtos expostos no ano passado. Fotos: Marcelo Aragão/Seres

Os materiais utilizados na confecção dos produtos são variados, como madeira, papel, palito, tecido, metal e palha de bananeira. Entre o material produzido estão: tabuleiros de xadrez, casinhas de boneca, almofadas, artigos para decoração, brinquedos infantis, toalhas bordadas e baús decorativos em madeira.

De acordo com o secretário da Seres, Romero Ribeiro, o trabalho é uma das principais ferramentas de ressocialização. “Incentivamos este tipo de atividade, pois além de ocupar a cabeça do recluso, serve como fonte de renda para os artesãos”, explicou o gestor. O stand da Seres está localizado Rua 18, nº 360.

A Seres mantém ainda duas lojas que comercializam durante todo o ano as peças produzidas pelos reeducandos/artesãos. Elas estão situadas na Casa da Cultura e no Shopping Paço Alfândega.