A “mágica” do número de policiais militares

 

Ao anunciar o esquema de policiamento para o São João do estado, o secretário de Defesa Social, Wilson Damázio informou um número muito estranho e que está chamando a atenção de muita gente. Tanto Damázio, como o comando da Polícia Militar sempre têm dito que o efetivo de policiais militares nas ruas em Pernambuco é de 20 mil homens. Porém, surpreendentemente, um total de 33.763 militares será o efetivo que vai atuar nas festividades deste ano, segundo a SDS. Uma conta que não fecha. Como pode mais de 13 mil homens terem aparecido nos batalhões do estado do dia para a noite? E os 1.612 aprovados no concurso de 2009 que ainda não foram nomeados?

Maior parte do efetivo da polícia vai atuar em Caruaru

Maior parte do efetivo da polícia vai atuar em Caruaru

Durante entrevista coletiva, a cúpula da segurança pública tratou de dizer que houve um aumento de 16% em relação ao número de policiais que trabalharam no São João do ano passado. Além da quantidade generosa de militares que estará nas ruas, a SDS prometeu ainda 9.557 policiais civis, 1.102 profissionais da Polícia Científica e 4,159 homens do Corpo de Bombeiros trabalhando para garantir um São João tranquilo para toda a população do estado.

 

Abusadores são pessoas próximas

 

É em meio a uma brincadeira, muitas vezes, que os abusos sexuais são praticados. Crianças e adolescentes costumam ser vítimas de primos, irmãos e de vizinhos, segundo a polícia. Os casos acontecem dentro do ambiente familiar e as denúncias, quando chegam à GPCA, são todas investigadas. De acordo com a delegada de Atos Infracionais da especializada, Renata Almeida, as vítimas, em geral, são crianças de até 12 anos. “No mês passado, encaminhamos um caso ao MPPE de um menino de 15 anos que abusou da prima de 4 anos. Quando o caso chegou à GPCA, descobrimos que esse mesmo menino já havia abusado também da irmã dele, que também é uma criança”, diz a delegada.

Carlos Brito já atendeu casos em seu consultório


O psicólogo infantil Carlos Brito lembra que já atendeu em seu consultório casos de abusos de crianças praticados por adolescentes. “Já acompanhei o caso de um menino de 15 anos que praticou uma investida contra a prima de 8 anos e outra situação foi um adolescentes de 16 anos que chegou a mostrar revistas pornográficas para um menino de 6 anos, que é irmão de um amigo dele. Nos dois casos, o abuso não foi consumado”, conta Brito. A delegada Renata Almeida ressalta a importância de fazer denúncias. “Quando a família souber do abuso é preciso procurar a delegacia. Depois encaminhamos a vítima para fazer a perícia sexológica no IML. As etapas seguintes são ouvir os familiares, a vítima e o infrator”, pontua a delegada.

Delegada Renata Almeida recebe os casos na GPCA


Segundo o juiz da Vara Regional da Infância e Juventude, Humberto Vasconcelos, enquanto as orientações não forem repassadas da maneira correta para as crianças e adolescentes, esse cenário de abuso não será modificado. “Precisamos educar e orientar nossos filhos. Os conceitos atuais desses meninos são equivocados. Diálogo e educação é o que falta. Eles têm capacidade de compreender tudo o que for ensinado da maneira correta. Bastar usarmos a linguagem apropriada para isso. É preciso, urgentemente, entrar nas escolas para promover uma educação sexual”, conclui.

Cresce número de adolescentes estupradores

 

Um problema grave e silencioso tem chegado com cada vez mais frequência aos gabinetes da Gerência de Polícia da Criança e do Adolescente (GPCA) e aos consultórios de psicologia. O abuso sexual praticado por adolescentes é, segundo especialistas, um fenômeno novo e que tem preocupado autoridades e psicólogos. Do início do ano, até o final de maio, 16 casos de estupro, onde os autores são menores de 18 anos, foram registrados pela delegacia especializada. Desses, 10 foram de meninos contra meninas e seis entre meninos. As estatísticas revelam ainda que, na maioria dos casos, o abusador é um primo, um irmão ou um vizinho da vítima, que, em geral, é menor de 12 anos. Esse tipo de abuso é percebido em todas as classes sociais, embora tenha mais notabilidade nas camadas mais pobres. Apenas no mês de janeiro, a Fundação de Atendimento Socioeducativo (Funase), recebeu 11 adolescentes de todo o estado para cumprir medida socioeducativa por ato infracional correspondente ao crime de estupro.

 

Para o juiz da Vara Regional da Infância e Juventude, Humberto Vasconcelos, e alguns psicólogos que trabalham com crianças, o que tem motivado a ocorrência desses abusos praticados por adolescentes é a falta de orientação sexual nas escolas e também dentro de casa. “É necessária uma intervenção urgente. É preciso prevenir. Invadir as escolas para orientar esses adolescentes”, aponta Vasconcelos. A coordenadora do Centro Dom Helder Câmara de Estudos e Ações Sociais (Cendhec), Valéria Nepomuceno, diz que a carência de estudos e pesquisas sobre esse fenômeno é um grande dificultador para seu entendimento e possível enfrentamento. “É uma situação relativamente nova, mas não temos onde pesquisar suas causas. O Cendhec já recebeu alguns casos de abusos sexuais contra crianças que foram praticados por adolescentes, mas, encaminhamos para a polícia. O que precisamos é saber porque essas coisas estão acontecendo e de políticas públicas efetivas”, afirma Valéria.

 

Especialista em psicologia infantil, Carlos Brito destaca duas causas para a ocorrência desses abusos. “Acredito que a erotização da infância estimula essa cultura de antecipar cada vez mais a infância e as crianças são jogadas na adolescência sem preparação. Além disso, as mídias disponíveis promovem ainda mais essa erotização e as crianças são apresentadas à sexualidade muito cedo”, destaca Brito. Ainda segundo o psicólogo, o outro fator que contribui para esse cenário é a ausência de discussões nas escolas sobre o tema sexo. “Existe uma necessidade urgente de discutir essa problemática. Os namoros estão acontecendo cada vez mais cedo entre estudantes. As escolas precisam abordar esse assunto”, alerta.

Aprovados da PM “cozinhados” pelo governo

Um grupo de 1.612 pessoas aprovadas no concurso da Polícia Militar do estado no ano de 2009 quer saber do governo do estado quando serão nomeados para assumir os cargos para o qual foram aprovados. A lenga-lenga tem deixado os concursados revoltados, pois já houve várias promessas de nomeação e até agora nenhuma delas saiu do papel. Como forma de protesto, nesta sexta-feira (01), às 10h, o grupo fará a entrega de alimentos e donativos para os pacientes do Hospital do Câncer. Integrantes da Comissão de Reservas informaram ao blog que desde 2010 o grupo espera pela nomeação. Eles ressaltaram que o governador Eduardo Campos chegou a afirmar em campanha que a política do Pacto pela Vida seria de contratação todos os anos. “Até agora não vimos essa promessa ser posta em prática”, disse um dos jovens.

 

Aprovados no concurso de 2009 sonham com o momento da aula inaugural

Aprovados no concurso de 2009 sonham com o momento da aula inaugural

 

Os aprovados no concurso lembraram que o secretário de Defesa Social, Wilson Damázio, chegou a afirmar em entrevista no ano passado que seriam contratados cerca de 2.500 policiais, o que não aconteceu. “Eduardo Campos afirmou que em janeiro deste ano seríamos convocados, mas até agora nada andou. Sabemos que vários municípios do interior estão precisando de policiais e nós estamos querendo trabalhar. Falta apenas o governo do estado nomear os aprovados”, ressatou um dos concursados. O grupo de 1.612 pessoas já realizou todos os testes físicos, exames médicos, psicológicos e foram considerados aptos para iniciar o curso de formação.

Ações das polícias na rua serão monitoradas

Telões e mesa digital substituíram os papeis e os velhos mapas que eram usados

 

Planejar as ações e operações das polícias civil e militar do estado agora ficou um pouco mais fácil. É que todo o esquema de atuação que antes era feito em papel e com a ajuda de mapas passou a ser montado por computador. Isso nos traz a esperança de eliminação ou diminuição de erros durante os procedimentos. Após o planejamento, tudo o que é feito na rua é monitorado pelos departamentos de Operações Gerais das duas instituições, o que implica dizer ao policial que não ande fora da linha, pois está sendo monitorado por todos os lados. A novidade faz parte do projeto de Modernização dos Centros de Planejamento das Polícias Civil e Militar de Pernambuco e deve começar a funcionar, na prática, no início do mês de julho.

 

Todas as ações da rua serão monitoradas em tempo real nas salas de planejamento

 

De acordo com o gerente técnico de Programas e Projetos da Secretaria de Defesa Social, capitão David Gonzaga, as duas salas de planejamento e monitoramento da Civil e da PM estão passando pelos últimos ajustes para começarem a funcionar. O blog visitou a unidade da Polícia Civil, na Rua da Aurora, onde um grupo de policiais estava sendo treinado para montar uma operação. Uma mesa digital grande e dois telões são utilizados para demarcar as áreas onde os policiais devem estar e como eles irão atuar no momento das operações, além de mostrar imagens das ações em tempo real. Uma das ações a ser montada efetivamente com o novo sistema será o planejamento do São João do município de Caruaru, no Agreste do estado.

 

Viaturas estão equipadas com terminais e duas câmeras de monitoramento

 

“Nós conseguimos mapear toda a área onde vamos trabalhar utilizando a tecnologia de localização com o auxílio do Google e, além disso, todas as imagens das câmeras de segurança da SDS podem ser acessadas por aqui. Para conseguirmos ter as imagens mais precisas das ações, implantamos 35 terminais embarcados nas viaturas da PM com câmeras na parte dianteira e traseira do veículo”, explicou Capitão David. Os policiais que estão participando dessas operações também estarão com localizadores pessoais. A SDS comprou 200 equipamentos para colocar nas ruas. Com tanto investimento em tecnologia na área de segurança, espera-se que as operações sejam sempre positivas, a partir de agora.

 

Preso perde olho direito após ser baleado

 

A Secretaria de Ressocialização do Estado (Seres) abriu uma sindicância para apurar de que forma o preso Brian Mignac, 19 anos, foi atingido por uma bala de borracha e perdeu o olho direito. O incidente aconteceu na manhã dessa segunda-feira quando o rapaz, que está preso no pavilhão O do Presídio Juiz Antônio Luiz Lins de Barros, no Complexo Aníbal Bruno, estava deixando a unidade para ir a uma audiência. Na hora, alguns presos estariam armados com facas e provocando tumulto na prisão. Foi quando um policial militar, ainda não identificado, atirou com balas de borrachas para conter a confusão e acabou acertando Brian. Os detentos do local ficaram revoltados e chegaram a jogar pedras no corpo da guarda. Ferido, o preso foi levado para o Hospital da Restauração, de onde foi transferido para a Fundação Altino Ventura. O jovem passou por uma cirurgia, mas ainda espera na enfermaria do presídio até voltar ao hospital para colocar uma prótese no olho, já que o globo ocular foi retirado. A família ainda não decidiu de que forma vai agir, mas adiantou que quer justiça. “Meu filho é muito jovem. Ele perdeu um órgão e está muito nervoso com tudo isso. Queremos justiça”, desabafou a dona de casa Sandra Mignac, mãe de Brian. Casos de presos que ficam cegos dentro de unidades prisionais do estado têm sido recorrentes. Leia mais sobre o caso na edição impressa do Diario de Pernambuco desta quinta-feira.

Passeata sem a presença de delegados

 

Vestidos de preto, cerca de 500 policiais civis saíram nesta tarde em passeata pelo Centro do Recife para cobrar melhores condições de trabalho. O grupo saiu da sede do Sindicato dos Policiais Civis (Sinpol), no bairro de Santo Amaro, e seguiu até o Palácio do Campo das Princesas. Com apitos, cartazes e narizes de palhaços, os policiais não contaram com a presença dos colegas delegados. Apenas os agentes, escrivãos e comissários marcharam atrás de um carro de som. O protesto, que deixou o trânsito do Centro tumultuado, contou com o apoio da Associação de Cabos e Soldados da Polícia Militar.

 

Policiais saíram do Sinpol até o Palácio do Campos das Princesas

 

Apesar de também reclamarem das condições de trabalho, dos baixos salários e da falta de atenção do governo do estado com a categoria, os delegados de Pernambuco optaram por não irem às ruas, talvez para evitar constragimento com a chefia. No entanto, o blog tem recebido vários e-mails relatando o descontentamento da categoria com a atual situação. Faltou apenas um pouco de coragem para se juntarem à comissão que foi recebida por um representante do governador Eduardo Campos, na sede do Palácio.

Golpe em academia vira caso de polícia

 

 

Academia na Rua do Espinheiro amanheceu vazia. Foto: Júlio Jacobina/DP/D.A Press

Cerca de 700 alunos e aproximadamente dez funcionários da Power Academia, conhecido endereço de malhação, no bairro do Espinheiro, no Recife, esperam uma resposta da polícia para o que chamaram de um “golpe de mestre”. No início dessa semana, malhadores, professores de educação física e funcionários deram com a cara na porta quando chegaram na academia. Todos os aparelhos de musculação, os vidros e até os vasos santinários haviam sido retirados do local. Como a academia costumava oferecer desconto aos alunos que pagassem as mensalidades antecipadas, muita gente acabou ficando no prejuízo, pois pagou por um serviço que não irá mais receber. O caso foi parar na Delegacia de Repressão ao Estelionato, que abriu inquérito para investigar a situação. Segundo o delegado Rômulo Aires, os proprietários do estabelecimento podem ter a prisão preventiva solicitada, caso não compareçam à delegacia para prestar esclarecimentos.

Apenas as fichas dos alunos ficaram no prédio. Foto: Júlio Jacobina/DP/D.A Press

Clientes e funcionários da academia contaram que o proprietário do local havia avisado que iria fechar o estabelecimento na noite da sexta-feira para fazer uma reforma e que reabriria normalmente na segunda-feira. “A academia funcionava 24 horas e por isso ele avisou que fecharia na sexta-feira para a tal reforma. Ainda ajudei a recolher alguns pesos e durante o final de semana soubemos que ele foi embora com tudo”, contou o advogado Eduardo Nogueira, que malhava no local. Nogueira e outros alunos não conseguiram entrar em contato com os proprietários da academia. O professor de educação física Cleison Souza, que tralhava na Power há cinco anos, também procurou a polícia para formalizar a queixa. “O delegado falou que iria esperar mais pessoas formalizar a queixa e tentar intimar os donos, mas como eles devem ter fugido, o mais provável é realmente o pedido de prisão preventiva”, ressaltou Eduardo Nogueira. Esse caso serve de alerta para as pessoas que costumam pagar antecipado por serviços que irão receber no futuro. Fique sempre atento ao histórico das empresas e das pessoas que estão por trás delas. O Procon Pernambuco não recomenda que serviços sejam pagos com antecedência. Quem quiser procurar a Delegacia de Estelionato, o número é (81) 3182.5174. O prédio fica na Rua São Miguel, no bairro de Afogados.

Policiais civis insatisfeitos com o governo

 

Não é de hoje que grande parte da categoria da Polícia Civil de Pernambuco vem demonstrando sua insatisfação com o governo do estado. Agentes, escrivãos, comissários e delegados reclamam da baixa remuneração, da falta de equipamentos de trabalho, inclusive de proteção pessoal, cobram melhores instalações físicas e lamentam também a falta de efetivo. A lista de reivindicações não para por aí. Nos corredores das delegacias e nas salas do Sindicato dos Policiais Civis (Sinpol), outro tema tem ganho bastante destaque. O baixo valor pago aos policiais que fazem a jornada extra (plantão). Alguns policiais dizem, inclusive, que o valor pago é menor do que o previsto pela legislação.

“Apesar de todas essas dificuldades que nós da polícia estamos enfrentado, o estado está batendo recordes de redução nas taxas de assassinatos e, além disso, Pernambuco tem se destacado como um dos mais prósperos estados do Nordeste. Está na hora de nossa categoria receber um tratamento digno por parte do governo do estado”, desabafou um policial que preferiu não ter o nome revelado. Para mostrar que não estão brincando quanto às cobranças por melhorias, os policiais civis prometem paralizar as atividades às 14h desta quarta-feira e realizar uma passeata em direção ao Palácio do Campo das Princesas para tentar um encontro com o governador Eduardo Campos, que tem se mostrado bastante satisfeito com o resultado de redução de crimes em todo o estado. Resta saber se realmente todos os policiais terão coragem de dar a cara para bater e seguir até a sede do governo para cobrar o que lhe é de direito.

Soldado da PM preso por extorsão novamente

 

Joelmir já havia sido preso no dia 15 de março

 

Pouco mais de dois meses depois ter sido preso sob a suspeita de agiotagem, ameaça às vítimas que lhe pediam dinheiro emprestado e porte ilegal de armas, o soldado do 11º Batalhão da Polícia Militar Joelmir Roberto Ferreira, 27 anos, foi preso novamente, na tarde dessa terça-feira, por policiais da Corregedoria Geral da Secretaria de Defesa Social sob a acusação de estar extorquindo uma dona de casa. Joelmir, que chegou a ser levado para o Centro de Reeducação da Polícia Militar (Creed), em Abreu e Lima, quando foi preso no dia 15 de março, estava em liberdade há pouco tempo. Ainda ontem à tarde, o soldado foi levado para a Delegacia de Repressão aos Crimes contra a Administração Pública (Decasp) e depois seguiu para o plantão da Delegacia de Casa Amarela, onde foi autuado em flagrante e encaminhado ao Creed mais uma vez. Difícil é entender como um homem que foi preso em flagrante há pouco mais de dois meses já estava em liberdade novamente e cometendo os mesmos crimes, sabendo que estava sendo monitorado pela Corregedoria Geral da SDS. É confiar demais no seu santo protetor ou achar que não seria denunciado novamente pelas suas vítimas.

 

Vários cadernos e cartões estavam com o soldado

 

Segundo a polícia, Joelmir emprestava dinheiro a juros altos inclusive, para colegas de profissão. Para assegurar o pagamento, ficava com cartões eletrônicos e senhas dos “clientes”, que passavam a ser vítimas de suas ameaças. Segundo os relatos das vítimas, os saques feitos pelo soldado eram superiores ao combinado e os cartões não eram devolvidos aos donos. Quando foi preso pela primeira vez, o militar estava com mais de 500 cartões de débito, crédito, Bolsa-Família, auxílio-moradia e até INSS. Além disso, cinco cadernos com vários nomes e valores de empréstimos, duas armas e mais de R$ 30 mil foram recolhidos na casa do soldado, naquela época.