Metrô implantará Vagão Rosa e aplicativo para denúncias

Um vagão exclusivo para as mulheres, um aplicativo de celular no qual os passageiros poderão fazer denúncias e o reforço de 120 policiais militares da reserva são as principais apostas do metrô do Recife para tentar reduzir a violência nesse tipo de modal. As medidas, propostas pelo consultor de segurança do metrô, coronel Luiz Meira, foram apresentadas ao superintendente da Companhia Brasileira de Trens Urbanos (CBTU) do Recife, Leonardo Villar. Os testes para a implantação do Vagão Rosa, como será chamado o espaço, devem ser iniciados na próxima semana em alguns trens da Linha Centro. Segundo coronel Meira, 38% dos 400 mil usuários/dia do metrô são do sexo feminino. O Vagão Rosa já existe em São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília e Belo Horizonte.

Abordagnes criminosas acontecem nas estações e dentro dos vagões

Muitas abordagnes criminosas acontecem nas estações e dentro dos vagões. Foto: Peu Ricardo/Esp/DP

“Muitas passageiras já fizeram reclamações de que nos horários de pico, quando os vagões estão lotados, elas sofrem assédio por parte de alguns homens. Há relatos de mulheres que foram apalpadas. Recentemente houve também uma usuária assassinada durante um assalto dentro de um vagão”, relembra Meira. A morte à qual o consultor se refere aconteceu no dia 1º de dezembro de 2016, nas imediações da Estação Imbiribeira, na Linha Sul. Em abril do ano passado uma mulher foi agredida num assalto entre as estações Joana Bezerra e Recife.

O coronel Luiz Meira destacou ainda que o Vagão Rosa poderá ser usado por mulheres de todas as idades, mas que elas não serão obrigadas a entrar apenas nesses vagões. “A partir dos testes que iremos fazer, vamos saber se o serviço será bem aceito pelos usuários e onde poderemos melhorar. Os vagões destinados às mulheres serão todos adesivados”, alertou o superintendente da CBTU, Leonardo Villar.

Em relação ao aplicativo de celular que será disponibilizado para passageiros e vigilantes do metrô, Villar explica que em breve a empresa responsável fará a adaptação do app para que ele possa ser implantado no metrô. “O usuário vai poder mandar fotos, vídeos e áudios de pessoas em atitude suspeitas ou de criminosos diretamente para a nossa central. Com isso, os vigilantes ou até mesmo a Polícia Militar, serão acionados rapidamente para resolver a situação”, detalhou.

Segundo o coronel Luiz Meira, a CBTU vai solicitar ao governo do estado que a Guarda Patrimonial passe a ajudar na segurança das estações e trens do metrô do Recife. Atualmente, a segurança é feita por uma empresa de vigilância terceirizada. “Será socilitado ao governador a presença de 120 policiais militares que estão na reserva, mas que continuam trabalhando, para atuarem no policiamento do metrô”, adiantou o coronel.

Homem é preso suspeito de mais de 20 estupros na Zona Sul

Do Diario de Pernambuco, por Larissa Rodrigues

O número de estupros em Pernambuco caiu 21% este ano em comparação com o ano passado. No entanto, mesmo com a redução, o estado amarga 1.149 casos de janeiro a julho de 2015. A Polícia Civil apresenta hoje um suspeito de abusar de pelo menos 21 mulheres na Zona Sul. Além de abusar das vítimas, ele também roubava seus celulares e fazia fotos delas após a violência ser consumada.

Foto: Roberto Ramos/DP/D.A Press

Mais de 1,100 casos foram registrados de janeiro a julho deste ano no estado. Foto: Roberto Ramos/DP/D.A Press

Wilton Sérgio de Araújo Cavalcanti, 26 anos, foi preso por policiais da Delegacia de Boa Viagem. De acordo com o delegado Manoel Martins, chefe da seccional de Boa Viagem, o número de vítimas pode aumentar. Com Wilton Sérgio foram apreendidos 26 aparelhos de celular. “Temos, inclusive, um mapa com os lugares onde ele agia”, comentou Martins.

A profissão do suspeito, informada pela polícia, é contratante de caminhão de empresa de logística. Os investigadores não disseram quando e onde ele foi preso, mas informaram que o mandado de prisão foi cumprido por policiais coordenados pelo delegado Wagner Domingues.

Após ser recolhido à delegacia, Wilton Sérgio foi reconhecido como autor dos crimes por diversas vítimas que já estiveram no local. Além das provas que serão detalhadas hoje, em uma entrevista coletica, a polícia também utilizou exames de DNA para dar mais subsídios à investigação. Segundo a assessoria de imprensa da Polícia Civil, os testes deram positivo para todas as vítimas que compareceram à delegacia desde a prisão de Wilton Sérgio.

Outro caso
Em cinco dias, esta será a segunda apresentação, pela polícia, de um suspeito de múltiplos estupros no Recife. Na sexta-feira, a Delegacia da Várzea anunciou a captura de Geraldo Vieira da Silva, 34 anos, que agia no bairro da Várzea, violentando estudantes universitárias.

Ele foi reconhecido por duas das vítimas, sendo a última delas uma aluna de 22 anos do curso de psicologia da UFPE. O crime ocorreu há oito dias, na Avenida General Polidoro, a principal da Cidade Universitária.

Geraldo também é acusado de abusar de uma estudante de farmácia de 21 anos da UFPE. O crime também teria ocorrido na mesma via. Os dois atos foram filmados por câmeras de segurança de empresas localizadas nas proximidades. As empresas forneceram as imagens à polícia, colaborando com a investigação. O delegado Joel Venâncio também espera que, com a divulgação, possam aparecer mais vítimas.

Violência contra mulher em alta em Fernando de Noronha

Por Rebeca Silva, do Diario de Pernambuco

Conhecido por suas belezas naturais, o arquipélago de Fernando de Noronha, a 545 quilômetros do Recife, tem chamado atenção pelos registros de violência doméstica contra as mulheres. O Ministério Público de Pernambuco (MPPE) investiga cerca de 70 denúncias de agressão ao público feminino, geralmente praticada pelos companheiros.

O promotor André Múcio Rabelo considera a situação grave e começa nesta semana, que é comemorado o Dia Internacional de Combate à Violência contra a Mulher, a elaborar uma carta ao governo do estado exigindo a criação de um centro de apoio às noronhenses.

Moradoras da famosa ilha sofrem agressões dos companheiros. Foto: Wagner Oliveira/DP/D.A Press

Moradoras da famosa ilha sofrem agressões dos companheiros. Foto: Wagner Oliveira/DP/D.A Press

Para o promotor, entre os fatores que contribuem para as agressões está o alto nível de alcoolismo na ilha. Em maio deste ano a coordenadoria de saúde pública do arquipélago lançou, inclusive, uma campanha contra o uso abusivo de bebidas alcoólicas.

“Outro fator é que a maioria das mulheres agredidas são independentes financeiramente e, no universo machista, isso gera insatisfação no homem”, acrescentou. Segundo ele, a principal problemática continua sendo o não registro oficial da queixa. Na ilha, não há um centro voltado especificamente para o atendimento às vítimas nem juizado especial, este último preconizado na Lei Maria da Penha. Os procedimentos são realizados nas varas criminais comuns.

Já as denúncias são feitas na delegacia, no Centro de Referência em Assitência Social (Cras) ou no MPPE. “É díficil elas falarem sobre isso. Às vezes na primeira audiência o casal já se reconcilia, desiste de prestar denúncia”, acrescentou. Com isso, dos cerca de 70 casos, apenas 30 se tornaram de fato processo judicial.

Segundo a gestora do Departamento de Polícia da Mulher de Pernambuco, Lenise Valetim, outro agravante é a área limitada. “As moradias são poucas e não se pode sair construindo novas. Às vezes o casal se separa e continua convivendo no mesmo imóvel com o ex e, algumas, com o novo companheiro. Também gera ciúmes o flerte com os turistas”.

Lenise disse ainda que a criação de uma delegacia da mulher na ilha não é viável porque não há equipe e a população é pequena. “O que poderia ser feito é a capacitação dos policiais ou levar pessoas capacitadas para fazer o atendimento das mulheres. Faz tempo a capacitação não é retomada”.

A doutora em sociologia e professora da Universidade Federal Rural de Pernambuco Rosário Andrade avaliou que, além das características específicas de Noronha, há ainda uma cultura social que favorece a reprodução desse tipo de violência. “As mulheres são estimuladas a aguentar a situação. A própria Maria da Penha disse que antes havia tentado se separar e a família achou que não era para tanto. As meninas também são criadas para estarem mais em casa, terem obediência”.

Denúncias de violência contra a mulher no Ligue 180 aumentam 60%

A ministra da Secretaria de Políticas para as Mulheres, Eleonora Menicucci, disse hoje (18) que as denúncias de violência contra a mulher recebidas pelo Ligue 180 nas últimas três semanas aumentaram em 60%. As ligações passaram de uma média de 12 mil para 20 mil por dia.

A ministra Eleonora Menicucci fala no Programa Bom Dia, Ministro, sobre a campanha Violência contra as Mulheres (Elza Fiúza/Agência Brasil)

Eleonora Menicucci atribuiu esse aumento à campanha nacional “Violência contra as mulheres – Eu ligo”, que visa a estimular as denúncias por meio da Central de Atendimento à Mulher – Ligue 180. A campanha foi lançada no dia 25 de maio e incluiu um novo aplicativo para celular chamado Clique 180, que pode ser baixado na internet.

O aplicativo permite o acesso direto ao Ligue 180 e contém informações sobre os tipos de violência contra a mulher, dados de localização dos serviços da rede de atendimento e proteção, além de sugestões de rota para chegar até eles.

“A violência contra a mulher é uma chaga que estamos combatendo cotidianamente. É possível combatê-la por meio de políticas públicas de prevenção, proteção e punição aos agressores e por campanhas que mudam a cultura da violência no nosso país, como a campanha ‘Eu ligo’”, disse Eleonora, que participou do programa Bom Dia, Ministro, produzido pela Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República em parceria com a EBC Serviços.

Muitas vítimas demoram para denunciar as agressões. Foto: Annaclarice Almeida/DP/D.A.Press

Muitas vítimas demoram para denunciar as agressões. Foto: Annaclarice Almeida/DP/D.A.Press

A ministra ainda informou que foram relatados dois estupros de turistas estrangeiras desde o início da Copa do Mundo. Os crimes, segundo ela, foram cometidos por um brasileiro e um estrangeiro. “Mas já está resolvido, tudo foi apurado. Elas já foram embora”, relatou.

Eleonora repudiou as vaias e ofensas à presidenta Dilma Rousseff na abertura da Copa, na Arena Corinthias, o Itaquerão. “Foi lamentável, foi execrável.  As mulheres brasileiras se sentiram agredidas e humilhadas. O Conselho Nacional dos Direitos da Mulher soltou uma nota lamentando e repudiando. Tem preconceito por ela ser uma mulher também”.

A ministra ainda informou que a primeira Casa da Mulher Brasileira deverá ser inaugurada em Brasília até o fim de setembro. A estimativa é inaugurar dez casas até o fim do ano. Esses centros integrarão serviços públicos de segurança, acesso à Justiça, saúde, assistência social e orientação para o trabalho, emprego e renda em 26 capitais.

Da Agência Brasil

Onda de estupros assusta Cruz de Rebouças

O medo é o companheiro mais comum dos moradores de Cruz de Rebouças, em Igarassu, nos últimos dias. Segundo a população, uma onda de estupros contra meninas e adolescentes da localidade está deixando todos assustados e virou motivo de preocupação para as autoridades que ainda não conseguiram dar uma resposta efetiva à sociedade. O primeiro caso foi denunciado à polícia há cerca de um mês. Depois disso, pelo menos outras três pessoas sofreram abusos.

População foi às ruas protestar. Foto: Prefeitura de Igarassu/Divulgação

Na manhã dessa quarta-feira, uma garota de 17 anos quase foi violentada, mas conseguiu fugir. Na terça-feira, uma grupo de aproximadamente 200 pessoas foi às ruas pedir que a polícia tomasse providências. O temor se espalhou de tel forma que a Câmara de Vereadores da cidade exigiu, em audiência pública, o reforço do policiamento.

O modo como os estupros aconteceram leva a crer que se trata de uma quadrilha que age à luz do dia, sem temer a ação da polícia. Adolescentes de 14 a 17 anos, sozinhas, são agarradas e jogadas dentro do carro, cujos modelo e placa ainda não foram identificados. Após serem estupradas, as vítimas são deixadas, seminuas, no meio da rua. As mães não deixam mais suas filhas andarem sozinhas.

Mães esperam as filhas na porta das escolas. Foto: Arthur de Souza/DP/D.A.Press

Uma das garotas, de 14 anos, foi abordada na rua ao lado do colégio onde estuda. “A população deve nos procurar. Toda informação é importante para que a gente possa identificar os criminosos”, pontuou o delegado Roberto Geraldo. Ele afirmou que já está investigando algumas pessoas que podem ter relação com a onda de estupros. A polícia diz que está se mexendo, porém os criminosos estão agindo de maneira muito mais rápida e a população não tem tempo para esperar que novas vítimas sejam feitas. Atenção polícia e gestores públicos, esse problema deve ser resolvido logo e os acusados presos.

Com informações do repórter Raphael Guerra do Diario de Pernambuco

 

CPI fará diligências para investigar tráfico de mulheres

A CPI do Tráfico de Pessoas agendou diligências e audiências públicas fora de Brasília para apurar denúncias de aliciamento de brasileiros para prostituição. As visitas incluem ainda uma diligência ao Suriname, para investigar a rota do tráfico de pessoas do Pará para a Guiana e o Suriname. A data, no entanto, depende de uma negociação com o governo do Suriname para viabilizar o trabalho da CPI.

As visitas serão nas seguintes datas:

– 21 e 22/02/2013: Salvador e Monte Santo, na Bahia;
– 28/02 e 01/03: Acre;
– 07 e 08/03/2013: São Paulo;
– Oiapoque e Suriname: datas a serem confirmadas.

Plano Nacional de Enfrentamento
O presidente da CPI, deputado Arnaldo Jordy (PPS-PA), disse que vai cobrar explicações do governo federal sobre os motivos de ainda não ter sido lançado o 2º Plano Nacional de Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas. “Já está há um ano para ser promulgado pela presidente Dilma e ainda não temos notícia dessa promulgação. É um plano que foi discutido com toda a sociedade e está pronto para ser aplicado”, declarou.

Ontem, foi divulgado no Diário Oficial da União decreto que autoriza a publicação do 2º Plano Nacional de Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas. A expectativa do governo é que, em março, o plano seja implementado.

O governo pretende ampliar e aperfeiçoar a atuação de instâncias e órgãos envolvidos no enfrentamento ao tráfico de pessoas, na prevenção e repressão do crime, responsabilização dos autores, atenção às vítimas e na proteção de seus direitos. Está previsto também o fortalecimento da cooperação entre órgãos públicos, organizações da sociedade civil e organismos internacionais envolvidos no enfrentamento ao tráfico de pessoas.

Da Agência Câmara

 

Mais de 120 mil denúncias de violação de direitos de crianças e adolescentes recebidas pelo Disque 100

De janeiro a novembro deste ano, 77% das denúncias registradas por meio do Disque 100 são relativas a violação de direitos humanos de crianças e adolescentes. Foram 120.344 denúncias. As meninas correspondem a mais da metade (57%) das vítimas, principalmente na faixa etária de 8 a 14 anos. Além disso, 61% desses registros são relacionados a crianças e adolescentes pretos e pardos.

Segundo números divulgados nessa segunda-feira pela Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República (SDH), responsável pelo serviço de denúncias por telefone, nos noves meses deste ano foram registrados, ao todo, 155.336 casos, relacionados também à violação de direitos de idosos, de pessoas com deficiência, entre outros.

Para a ministra da SDH, Maria do Rosário, a elevada incidência de denúncias ligadas a crianças e adolescentes é explicada, em parte, pela vulnerabilidade dessa população diante dos agressores. Ela acredita que o aumento do número de denúncias tenha ligação com o fato de o serviço ter sido lançado em 2003, com o monitoramento exclusivo da violência contra crianças e adolescentes.

“Não tenho nenhuma dúvida que, no Brasil de hoje, temos que estar dedicados à proteção das crianças para que elas não sofram violência”, disse, lembrando que o governo federal começa a pagar, mensalmente, os recursos da expansão do Brasil Carinhoso. A ação integra o Plano Brasil sem Miséria e complementa a renda das famílias extremamente pobres de forma que todos os integrantes superem o patamar de renda de R$ 70 mensais.

“Dessa forma, estamos alcançando em termos de renda mais 8,1 milhões de crianças no país, que estão saindo da situação de miséria extrema. Aliamos a renda e o atendimento para enfrentarmos a violência”, disse.

A secretária nacional de Promoção dos Direitos da Criança e do Adolescente, Angélica Goulart, destacou que, para enfrentar o problema, o governo federal está trabalhando para fortalecer os conselhos tutelares pelo país. A partir de março de 2013, os conselhos receberão novos equipamentos, como carros, computadores com acesso à internet, celulares e impressoras.

“Inicialmente, 500 conselhos vão receber os equipamentos para poder aplicar melhor as medidas de proteção a todas as crianças e adolescentes”, disse, acrescentando que a medida será estendida, progressivamente, a outros conselhos tutelares. Ao todo, essas unidades somam 5.900 no país.

Foram registradas entre janeiro e novembro deste ano 21.404 denúncias de violação de direitos dos idosos, o que corresponde a 13,8% do total; 7.527 denúncias relacionadas aos direitos das pessoas com deficiência, representando 4,8% do total; 2.830 contra a população LGBT (lésbicas, gays, bissexuais, travestis, transexuais e transgêneros), ou 1,8% do total; 489 contra população em situação de rua (0,3%) e 1.603 contra outras populações em situação de vulnerabilidade, que engloba quilombolas, indígenas, ciganos entre outros (1,8%).

Desde maio de 2003, quando o Disque 100 passou a ser operado pelo governo federal, foram recebidas 396.693 denúncias. O serviço funciona 24 horas, todos os dias da semana, incluindo domingos e feriados. A ligação é gratuita e pode ser feita de qualquer telefone em todo o território nacional.

As denúncias de violações de direitos humanos são examinadas e encaminhadas para os órgãos responsáveis, entre eles o Ministério Público, as defensorias públicas nos estados e os conselhos estaduais do idoso, para apuração e providências.

A partir do ano que vem, o Disque 100 vai registrar denúncias de tortura em prisões.

 

Da Agência Brasil

Canal de denúncias da Polícia Federal recebe até queixas de desilusões amorosas

 

Brasília – No Brasil, a população dispõe de mecanismos para denunciar crimes na internet, como pornografia infantil. Nem sempre, esse canais são bem usados. Queixas de mulheres que se dizem enganadas por homens que conheceram em sites de relacionamentos, desabafos de pessoas insatisfeitas com a vida, centenas de spams e até a reclamação de uma pessoa que ganhou um liquidificador em uma rifa e não recebeu o produto.

Mensagens como essas representam mais de 90% do que chega diariamente à caixa do endereço eletrônico da Polícia Federal (PF) destinada a receber denúncias (denuncia.ddh@dpf.gov.br). Segundo o delegado Dennis Cali, responsável por analisar os e-mails, quando o endereço foi criado em 2009 a intenção da PF era receber apenas informações que estivessem ligadas à pornografia infantil, mas não é isso que acontece.

No total, são 30 a 40 e-mails, por dia. “Esse sistema precisa ser reformulado. O que a gente percebe é que falta informação para as pessoas. Por falta de conhecimento, elas acabam usando o endereço para tudo”, explica. O delegado disse à Agência Brasil que, muitas vezes, situações que poderiam resultar em algum tipo de investigação ficam prejudicadas porque as informações que chegam são insuficientes, por exemplo, para cruzar dados bancários. Quando a denúncia procede, é investigada pela PF ou encaminhada à Polícia Civil.

Além do e-mail da Polícia Federal, existem várias formas de denunciar pornografia infantil na internet. A mais conhecida é a Central Nacional de Denúncias de Crimes Cibernéticos, criada pela organização não governamental SaferNet. A central, operada em parceria com o Ministério Público Federal (MPF), a Polícia Federal e o Disque 100 da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, é única na América Latina e Caribe.

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Crack é campeão de queixas no Disque-Denúncia

 

Vinte e oito ligações por dia. Essa é a média recebida pela central do Disque-Denúncia sobre os casos de venda e compra de crack em Pernambuco. Só neste ano, foram contabilizadas 5.956 denúncias relacionadas ao crack. No ano passado, o número foi de 11.252 denúncias. O que corresponde a um aumento de 225%, só na Região Metropolitana do Recife (RMR), em relação ao ano passado. Esse percentual vem crescendo num período de dez anos. Em 2002, o Disque-Denúncia somava apenas 26 queixas sobre o assunto.

Segundo a superintendente do Disque-Denúncia Pernambuco, Carmela Galindo, o crack é o líder do ranking de denúncias. “O perfil das informações recebidas pela central alertam para uma redução expressiva do uso de outras drogas, como maconha ou cola, em detrimento ao crack. O aumento, a cada ano, é alarmante. Entre 2010 e 2011, o crescimento foi de 225% apenas na Região Metropolitana do Recife”, explicou. Até o dia 22 de junho, a polícia de Pernambuco apreendeu 91 kg de crack prontos para o consumo. No ano passado todo, foram retirados de circulação um total de 84 kg da droga.

A superintendente acredita que o aumento está diretamente ligado à campanha de combate ao crack lançada no ano passado pelo governo do estado. De acordo com a central, 17% das denúncias referem-se ao tráfico de crack e os outros 83% tratam da venda da droga aliada a outros tipos de entorpecentes. Quase metade dos registros, 48%, revelam que a droga é encontrada com mais facilidade nas ruas. Em 17% dos casos, a venda de crack acontece à noite. O Recife é o responsável por 48% das denúncias, seguido por Olinda (16%), Jaboatão dos Guararapes (12%) e Caruaru (11%).

O Disque-Denúncia funciona durante 24 horas, todos os dias da semana. Quem telefona, tem o anonimato preservado e pode receber, no caso de informações sobre a venda da droga, até R$ 2.000 em recompensa. O serviço funciona através dos telefones 3421.9595, no Recife e RMR, e (81) 3719.4545.

 

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