Crimes assustam moradores do Sítio Histórico de Olinda

Moradores e comerciantes do Sítio Histórico de Olinda estão assustados com a onda de violência que voltou a invadir as ruas da Cidade Alta. Assaltos a qualquer hora do dia e arrombamentos de residências e comércios têm sido frequentes na localidade. A administradora de empresas Rosa Barcellos sabe bem o que representa esse aumento da insegurança na localidade.

Em pouco mais de um mês ela teve a casa invadida por criminosos duas vezes, na Rua Antônio Francisco Gomes, no bairro do Carmo. Segundo a Companhia Independente de Apoio ao Turista da Polícia Militar (CIATur), nos quatro primeiros meses deste ano, 379 casos de furtos foram notificados nos bairros do Carmo, Amparo e Varadouro.

Assaltos e arrombamentos acontecem a qualquer hora do dia. Fotos: Paulo Paiva/DP

Assaltos e arrombamentos acontecem a qualquer hora do dia. Fotos: Paulo Paiva/DP

De acordo com Rosa Barcellos, no dia 7 de abril sua casa foi invadida por assaltantes. “Nesse dia levaram R$ 1 mil em dinheiro, uma televisão e dois telefones celulares. Agora no dia 11 de maio minha casa foi invadida novamente. Tinha comprado uma televisão nova, que foi levada pelo assaltante, além de um tablet e dois notebooks. Duas horas depois o furto, o suspeito foi preso. Apenas os computadores e outros pertences menores foram recuperados”, contou a administradora.

Na rua onde Rosa mora, os vizinhos contaram ainda que assaltos acontecem a qualquer hora do dia. Na última quarta-feira, a CIATur prendeu Márcio da Silva Santos, 32 anos, suspeito de praticar vários arrombamentos e furtos no Sítio Histórico de Olinda. Na casa dele foram encontrados diversos objetos de moradores da área, inclusive da casa de Rosa.

Presença das câmeras de segurança não inibe ação dos criminosos

Presença das câmeras de segurança não inibe ação dos criminosos

Além do Carmo, o medo também está nos bairros do Amparo, Varadouro e no Alto da Sé. “Os assaltos estão acontecendo em várias ruas e a qualquer hora. A polícia quase não é vista por aqui”, disse uma moradora do Amparo. Na noite da quarta-feira, cerca de 40 moradores da Cidade Alta participaram de uma reunião com o comandante da CIATur, major Alano Araújo, o secretário de Segurança Urbana de Olinda, Ubiratan de Castro, e representantes da Sociedade Olindense de Defesa da Cidade Alta (Sodeca).

“A reunião foi proveitosa. Foi apresentado um documento com todas as demadas dos moradores das ruas que têm registro de assaltos e uma nova reunião ficou marcada para o início do próximo mês. Esperamos que haja uma melhora no policiamento ostensivo e na iluminação pública”, ressaltou o conselheiro Edmilson Cordeiro.

O major Alano Araújo ressaltou que as quatro viaturas e as duas motos da Polícia Militar que fazem rondas 24horas no Sítio Histórico passarão a fazer mais rondas e mais abordagens nas ruas com maiores índices de reclamações. “Vamos reforçar a atenção em três localidades que foram apontadas pelos moradores como pontos inseguros. Nossas viaturas estarão mais presentes na Rua da Bica dos Quatro Cantos, na Rua da Palha, esquina com a Travessa São Francisco e na Avenida Joaquim Nabuco”, detalhou o comandante da CIATur.

Família de Artur Eugênio aguarda justiça para o caso há dois anos

Nesta quinta-feira faz dois anos que o cirurgião torácico Artur Eugênio de Azevedo, na época com 36 anos, foi assassinado. O crime que teve repercussão em todo o estado chocou também a comunidade médica depois que a Polícia Civil concluiu a investigação. O inquérito apontou que o médico Cláudio Amaro Gomes, que já havia sido chefe de Artur, seria o mandante do crime. Além dele, estão presos Cláudio Amaro Gomes Júnior, Lyferson Barboza da Silva, e Jailson Duarte Cesar.

A família da vítima espera que o julgamento dos suspeitos aconteça logo e que todos sejam condenados. Os quatro estão presos preventivamente no Centro de Triagem, em Abreu e Lima. Havia um quinto envolvido no crime, Flávio Braz de Souza, morto em troca de tiros com a polícia  antes decretação das prisões.

O pai de Artur, o aposentado Alvino Luiz, disse que ele e a família estão passando por momentos difíceis desde a morte do filho. “As pessoas que fizeram isso com o meu filho conseguiram destruir várias famílias. Minha esposa até hoje vive à base de remédios. E no caso do Cláudio Amaro Gomes é ainda pior, pois ele foi uma pessoa que fez um juramento de salvar vidas e mandou tirar a vida do meu filho”, comentou o pai de Artur. As prisões dos cinco suspeitos foram solicitadas após mais de dois meses de investigação.

A polícia concluiu que o médico Cláudio Amaro pediu ao filho Cláudio Júnior que contratasse pessoas para matar Artur Eugênio. A motivação seriam desavenças profissionais entre a vítima e o suposto mandante. Os suspeitos foram indiciados por sequestro, homicídio, roubo, associação criminosa, estelionato e comunicação falsa de crime.

Para o advogado da família de Artur, Daniel Lima, os quatro suspeitos devem ser julgados ainda neste ano. “Como Cláudio Amaro Gomes e Jailson Duarte recorreram da decisão de pronuncia eles serão julgados separados dos outros dois. O que deve acontecer até o final deste ano. Já o julgamento de Cláudio Amaro Júnior e Lyferson Barboza pode acontecer ainda neste primeiro semestre. Estamos esperando só a Justiça marcar as datas”, destacou Lima. Todos os suspeitos negam envolvimento na morte de Artur Eugênio.

O delegado Guilherme Caraciolo, que investigou o crime, disse na conclusão do caso que Artur sabia de muitas coisas erradas cometidas por Cláudio Amaro e não concordava com nenhuma delas. Eles chegaram, inclusive, a romper uma sociedade e Artur pretendia mover um processo por assédio moral contra Cláudio. No dia da apresentação do inquérito, Caraciolo falou que o superfaturamento de cirurgias e o recebimento de percentual do valor pago pelos convênios em casos onde o paciente precisasse de internação na UTI estavam entre as supostas acusações feitas contra Cláudio Amaro.

Ainda segundo a polícia, a descoberta desses fatos por Artur Eugênio teria levado Cláudio Gomes a tramar sua morte. Segundo a polícia, Flávio foi a pessoa que atirou em Artur. Jailson foi o responsável por apresentar Lyferson e Flávio a Cláudio Amaro Júnior. O Valor acertado para e execução da vítima pode ter chegado a até R$ 100 mil. A arma utilizada no crime, uma pistola 9mm que pertencia a Flávio, nunca foi encontrada pela polícia. Artur foi encontrado morto às margens da BR-101, em Comportas, Jaboatão dos Guararapes, no dia 12 de maio de 2014.

Grupo de Operações Especiais (GOE) terá novo delegado titular

A notícia da saída do delegado Cláudio Castro da chefia do Grupo de Operações Especiais (GOE) pegou os policiais da unidade especializada e também de outras delegacias de surpresa. Depois de 10 anos trabalhando no GOE, dos quais oito como delegado titular, Castro deixará o cargo que passará a ser ocupado pelo delegado Guilherme Caraciolo, seu adjunto atualmente.

Castro (E) será substituído por Caraciolo. Foto: Roberto Ramos/DP

Castro (D) será substituído por Caraciolo. Foto: Roberto Ramos/DP

Castro tem vasta experiência em resolução de crimes de extorsão mediante sequestro, que inclusive estão sem registros há muito tempo no estado. Ele é conhecido pelo perfil operacional e por chefiar grandes operações. Apesar da mudança não ter sido publicada oficialmente ainda pela Polícia Civil de Pernambuco, os comentários já ganharam os corredores de vários departamentos policiais e até do prédio da chefia da PCPE. Ainda não se sabe para onde Cláudio Castro será transferido.

O novo titular do GOE, Guilherme Caraciolo, já havia passado pela especializada como delegado adjunto de Castro em 2008 e depois foi deslocado para outras delegacias. Atuou um tempo da Delegacia de Homícidios de Jaboatão dos Guararapes, onde investigou a morte do médico Artur Eugênio, que completa dois anos nesta quinta-feira.

De janeiro a março, 122 crianças e adolescentes sofreram violência sexual no Grande Recife

Dados alarmantes sobre exploração sexual de crianças e adolescentes no Grande Recife foram divulgados nesta terça-feira durante o lançamento da campanha do dia 18 de maio, que trata justamente desse tema. O evento foi realizado na sede do Conselho Estadual dos Direitos da Criança e do Adolescente, no bairro das Graças, e contou com a presença de diversos atores no combate ao abuso e exploração sexual.

Este ano, considerando a situação da Rede de Proteção no atendimento às situações de Violência Sexual, a campanha tem como tema “Fortalecimento da Rede de Proteção para o Enfrentamento à Violência Sexual contra Crianças e Adolescentes: Proteger é coisa nossa”. De janeiro a março deste ano, 122 crianças e adolescentes sofreram abuso sexual.

Entidades temem que exploração aumente na Copa do Mundo. Foto: Blenda Souto Maior/DP/D.A Press

Meninas são as maiores vítimas dos abuso sexuais. Foto: Blenda Souto Maior/DP

O objetivo é comprometer a sociedade e o poder público no que se refere à necessidade de pautar a temática dessa violência, assim como primar pelo aperfeiçoamento e fortalecimento da Rede de Proteção, considerando a estruturação dos equipamentos e qualificação do atendimento a crianças e adolescentes vítimas de violência sexual. A coordenação da Rede de Enfrentamento apresentou as peças publicitárias que foram produzidas para a campanha e informou as atividades que serão realizadas para celebrar a data.

Mas o que mais chamou a atenção dos presentes foi a apresentação dos dados revelados pelo delegado Ademir de Oliveira, gestor da Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA). Segundo o policial, nos três primeiros meses deste ano, apenas nas quatro DPCAs que existem no Grande Recife, foram registrados 122 casos de abuso sexual contra crianças e adolescentes. “Isso não representa nem 10% da quantidade real, porque muitos casos não são denunciados à polícia”, alertou Ademir de Oliveira.

Dados foram revelados na manhã desta terça-feira. Foto: Wagner Oliveira/DP

Dados foram revelados na manhã desta terça-feira. Foto: Wagner Oliveira/DP

De todos os casos ocorridos, seis vítimas tinham entre 14 e 17 anos. As outras 116 vítimas sofreram estupro de vulnerável, ou seja, tinham idades entre zero e 13 anos. “Com base nesses dados, podemos afirmar que 60% dos casos de abuso tiveram como vítimas crianças e adolescentes de zero a 11 anos. Foram 24 casos de zero a seis anos e 47 ocorrências com vítimas de 7 a 11 anos”, detalhou o delegado. A maior parte dos abusos foram praticados contra vítimas do sexo feminino, num total de 96 casos. Já do sexo masculino foram 26 registros.

Agressor

Também foi revelado o perfil do agressor dessas crianças e adolescentes. Ainda de acordo com o delegado Ademir de Oliveira, dos 122 casos registrados, grande parte deles foram cometidos por pessoas muito próximas, geralmente da família. “Foram notificados 14 casos praticados pelo pai, 21 pelo padrasto, 11 por um tio, oito pelo avô e cinco por um desconhecido. Isso mostra que os casos quase sempre acontecem dentro da casa das vítimas e muitas delas têm medo de denunciar por sofrerem ameaças”. apontou o delegado.

Programação

Nesta quarta-feira será realizado um seminário sobre o fortalecimento da Rede de Proteção para o Enfrentamento à Violência Sexual contra Crianças e Adolescentes. O evento será no auditório Denis Bernardes, no CCSA, na UFPE. Já no próximo dia 18 acontecerá uma caminhada com concentração do Parque 13 de maio, a partir das 14h. E desde o dia 5 até o dia 31 deste mês estão sendo realizadas ações e atividades com o tema da campanha das instituições, órgãos públicos, comunidades e municípios.

Propostas que criam novo Código de Processo Penal serão debatidas

Da Agência Câmara

As propostas que criam o novo Código de Processo Penal (PL 8045/10 e apensadas) serão debatidas, nesta terça-feira (10), em audiência pública da comissão especial que analisa o tema. As propostas revogam o antigo código (CPP – Decreto-Lei 3689, de 1941) e alteram diversas outras normas. Foram convidados o advogado-geral da União (AGU), José Eduardo Martins Cardozo, o defensor público federal André Carneiro Leitão, a subprocuradora-geral da República Luiza Cristina Fonseca Frischeisen e o presidente do Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil, Cláudio Pacheco Prates Lamachia.

João Campos diz que o Poder Judiciário ignora o que a lei diz. Foto: Agência Câmara/Divulgação

João Campos diz que o Poder Judiciário ignora o que a lei diz. Foto: Agência Câmara/Divulgação

O relator do colegiado, deputado João Campos (PRB-GO), que propôs a reunião, afirmou que pretende realizar audiências em todo o País. Ele explicou algumas mudanças na legislação. “Vamos procurar regulamentar de forma objetiva a prisão domiciliar. A prisão domiciliar no Brasil está banalizada. Hoje, nós temos quase 150 bandidos em regime de prisão domiciliar. Tá banalizada. O Poder Judiciário ignora o que a lei diz, decreta prisão domiciliar do jeito que entende, é uma bagunça. O Judiciário, desse ponto de vista, virou a casa da mãe Joana, uma Babel”, criticou.

Ele também ressaltou que “é preciso inverter a lógica da prisão preventiva. A prisão preventiva, hoje, o juiz não deve decretar. O juiz deve buscar uma alternativa diversa da prisão, só se não encontrar uma alternativa diversa da prisão é que o juiz decretará a prisão preventiva. Isso é um absurdo”.

Restrição dos recursos
Outras propostas também são polêmicas, como a que restringe o uso de recursos – muitas vezes utilizados como medidas para retardar o andamento do processo. Também está em discussão a criação do chamado juiz das garantias, um juiz especial que atuaria durante o período de investigação criminal para cuidar da legalidade dos trâmites e dos direitos individuais das partes.

MPPE diz que nenhuma linha está descartada no caso Beatriz Mota

Enquanto a Polícia Civil de Pernambuco mantém o silêncio sobre as investigações da morte da menina Beatriz Mota, 7 anos, o Ministério Público de Pernambuco (MPPE) divulgou nota de esclarecimento sobre o caso ocorrido dentro de uma escola no centro de Petrolina, no Sertão do estado. Segundo o MPPE, nenhuma linha de investigação pode ser descartada ainda.

Beatriz tinha sete anos. Foto: Blog O Povo Com a Noticia/Reproducao da Internet

Beatriz tinha sete anos. Foto: Blog O Povo Com a Noticia/Reproducao da Internet

Confira abaixo:

Diferentemente do que se percebe por alguns títulos das matérias veiculadas sobre o caso Beatriz, de Petrolina, com base em pronunciamento de membro do Ministério Público de Pernambuco (MPPE), incumbe esclarecer que a colocação do promotor de Justiça responsável pelo caso, foi no sentido de que nenhuma linha de investigação deva ser, nesse momento, descartada.

Ciente da possibilidade de diversas interpretações quanto ao conteúdo das declarações do órgão ministerial, o MPPE deixa clara:

1. a inexistência de acusação voltada a qualquer tipo de religião ou credo;
2. que a responsabilização pela(s) conduta(s) homicidas que levaram à morte uma criança de forma tão estúpida e violenta devam ser imputadas individualmente a seu(s) autor(es) e não a qualquer religião ou credo e;
3. que as investigações ainda estão em curso, portanto nada conclusivo pode ser apontado como causa do homicídio, que sensibilizou o município, Estado e País;
4. que as falhas eventualmente apontadas no procedimento investigatório dizem respeito, em sua maioria, à própria estrutura deficitária e ao método/modelo de investigação consolidada na prática policial em nosso País, não dizendo respeito a atuação individual de seus componentes.

As instituições componentes do aparato de justiça e segurança estão envidando esforços para encontrar a solução do caso, prestando, assim, satisfação à população que clama pela Justiça, neste sentido, prudência e cautela devem pautar a propagação de informações sobre o caso neste momento.

Novos equipamentos para reforçar segurança na UFPE e entorno

Novos equipamentos para reforçar a segurança na área do Campus e no entorno da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) foram anunciados nesta quarta-feira durante a segunda reunião do Conselho Integrado de Segurança da instituição. A  aquisição de mais 91 câmeras de monitoramento e o início dos testes com o totem eletrônico que vai monitorar parte do Campus estão entre as novidades. Além disso, foi ressaltada a parceria entre a UFPE e as polícias Militar e Civil para o reforço da segurança e investigação dos casos registrados.

Esse é o modelo do toten que será testado na UFPE. Foto: Wagner Oliveira

Esse é o modelo do totem que será testado na UFPE. Foto: Wagner Oliveira/DP

Participaram do encontro o reitor da UFPE, Anísio Brasileiro, o superintendente de segurança institucional, Armando Nascimento, representantes de agências bancárias das proximidades do Campus e do Condomínio Sudene, além do comandante do 12º Batalhão de Polícia Militar, tenente-coronel Alberto Cassiano, e os delegados da Polícia Civil Edilson Alves e Bruno Magalhães. Ainda durante a reunião, a UFPE revelou que a quantidade de ocorrências registradas dentro e no entorno do Campus tiveram redução no primeiro quadrimestre. “Com exceção de mês de janeiro, conseguimos redução no número de ocorrências nos outros meses. Isso é fruto dessa parceria entre as polícias, bancos, demais órgãos públicos e a universidade”, destacou Armando Nascimento.

Reunião aconteceu na reitoria da UFPE. Foto: Wagner Oliveira/DP

Reunião aconteceu na reitoria da UFPE. Foto: Wagner Oliveira/DP

Até o mês de junho, a UFPE deve começar os testes com o equipamento Kule 360, fabricado pela empresa BankSystem. O totem que pode chegar até a altura de 10 metros será instalado em um ponto do Campus para monitoramento. Composto por 11 câmeras de monitoramento, iluminação de Led, sistema de som e botão de pânico o totem ainda abriga em seu teto um drone. Os teste devem durar 90 dias. Caso o equipamento seja aprovado, a UFPE deve receber um equipamento e comprar outros.

Na semana passada, a UFPE informou que os portões de acesso ao campus ficarão trancados entre 23h30 e 4h30 diariamente. A medida – válida para passagem de carros e pedestres – foi mais uma das ações desenvolvidas pela reitoria para tentar reduzir os casos de violência na instituição. Estudantes, professores e funcionários reclamam de assaltos.

Caso Serrambi faz 13 anos nesta terça-feira e segue em polêmica

No dia 3 de maio de 2003, as adolescentes Maria Eduarda Dourado e Tarsila Gusmão, ambas com 16 anos, desapareceram após um passeio de lancha com um grupo de amigos, na praia de Serrambi, no Litoral Sul do estado. Dez dias depois, os corpos das duas garotas foram encontrados em estado de decomposição num canavial, no distrito de Camela, em Ipojuca. Nesta terça-feira faz 13 anos que as duas adolescentes foram vistas com vida pela última vez.

Maria Eduarda e Tarsila foram vistas caminhando na praia antes de desaparecer. Foto: Divulgação

Maria Eduarda e Tarsila foram vistas caminhando na praia antes de desaparecer. Foto: Divulgação

Um júri popular realizado no ano de 2010 absolveu os dois suspeitos do crime que, segundo a Polícia Civil, foram os irmãos kombeiros Marcelo e Valfrido Lira. Em março no ano passado, o Tribunal de Justiça de Pernambuco julgou a apelação do Ministério Público de Pernambuco (MPPE) que pedia a anulação do júri. No entanto, A 1ª Câmara Criminal do TJPE decidiu por unanimidade manter o resultado do júri popular.

Corpos das duas adolescentes foram encontrados num canavial. Foto: Teresa Maia/DP

Corpos das duas adolescentes foram encontrados num canavial. Foto: Teresa Maia/DP

Com isso, o advogado Bruno Lacerda, que atuou como assistente de acusação do MPPE, entrou com um recurso especial no Superior Tribunal de Justiça (STJ) para recorrer da decisão dos desembargadores. O recurso ainda não foi julgado. “Ainda está na fase de exame para a elaboração do voto do ministro”, disse o advogado Bruno Lacerda.

O pedido de anulação do julgamento que inocentou os kombeiros por quatro votos contra três foi feito pelos promotores Ricardo Lapenda e Salomão Abdo Aziz, que acompanharam o caso na época, e pelos pais da adolescente Tarsila Gusmão. Para justificar a realização de um novo julgamento, a acusação apontou três pontos considerados favoráveis à nulidade, mas os desembargadores não acharam os pontos suficientes para uma anulação.

Irmãos kombeiros foram absolvidos em 2010. Foto: Heitor Cunha/DP

Irmãos kombeiros foram absolvidos em 2010. Foto: Heitor Cunha/DP

Em declaração dada em março do ano passado, Bruno Lacerda citou os três pontos. “Um advogado que atuou na defesa dos kombeiros, no início do processo era advogado de acusação contratado pela família de Maria Eduarda. Outro ponto foi a manifestação de uma jurada após o resultado do julgamento e ainda uma testemunha que não foi ouvida no processo que teria informações sobre o caso.”

A novela em torno do Caso Serrambi se arrastou por sete anos até chegar ao julgamento devido às divergências que existiram entre o então promotor de Ipojuca, Miguel Sales, falecido em outubro de 2014, e a Polícia Civil. O caso foi investigado cinco vezes, duas delas pela Polícia Federal, e em todas as conclusões os irmãos Marcelo e Valfrido foram apontados como autores do crime. Eles alegam que são inocentes.

PF e INSS descobrem fraude de R$ 1 milhão em benefícios irregulares

A operação da Polícia Federal em Pernambuco (PF-PE) batizada de Citrus Prev, está investigando fraudes praticadas contra o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) no Agreste do estado. Segundo a PF e o INSS, as investigações tiveram início há dois anos após uma auditoria que identificou irregularidades na concessão de pelo menos 46 benefícios. Até agora, o prejuízo causado aos cofres da Previdência Social pelo grupo criminoso é de mais de R$ 1 milhão.

Detalhes da operação foram revelados em entrevista coletiva. Foto: Wagner Oliveira/DP

Detalhes da operação foram revelados em entrevista coletiva. Foto: Wagner Oliveira/DP

Nesta terça-feira, foram cumpridos um mandado de prisão temporária, 11 de busca e apreensão e 14 de condução coercitiva, dentre eles, três mandados de busca e apreensão na agência do INSS de Limoeiro. Além disso, foram cumpridas as determinações judiciais de afastamento de dois servidores públicos e de um empregado contratado.

De acordo com a PF, a maioria dos suspeito é formada por moradores do município de Limoeiro. Os benefícios identificados na auditoria foram investigados em 31 inquéritos policiais que atestaram as irregularidades e ainda detectaram a ocorrência de dezenas de outras concessões irregulares, que variam desde auxílio maternidade, auxílio reclusão, benefício assistencial (LOAS) e aposentadorias.

Os mandados expedidos pela 4ª Vara Federal Criminal do Recife foram cumpridos nas cidades de Limoeiro, Camutanga, Carpina, Lagoa do Carro, Timbaúba e Paudalho. Os suspeitos foram conduzidos à sede da Polícia Federal, no Cais do Apolo, no Recife, para serem ouvidos. “Estamos atuando em parceria com a Previdência Social para evitar que crimes como esses sejam praticados”, destacou o superintendente da PF, Marcello Diniz.

Vandalismo gera prejuízo milionário ao Metrô do Recife

Os atos de vandalismo causam prejuízo milionário ao Metrô do Recife todos os anos. Os parabrisas, janelas e vidros das portas das composições estão no topo dos objetos mais danificados com as depredações. Dados da Companhia Brasileira de Trens Urbanos (CBTU) revelam que nos quatro primeiros meses deste ano já foram gastos quase R$ 500 mil no reparo dos trens danificados. No ano passado, o prejuízo foi de R$ 1,3 milhões, já em 2014 as despesas ficaram próximas de R$ 1 milhão. O Metrô do Recife tem o mapeamento dos locais onde mais acontecem os ataques e ressalta que o quebra-quebra quase sempre acontece em dias de jogos de futebol.

Fotos: Malu Cavalcanti/ Esp. DP

Janelas são quebradas com frequência. Fotos: Malu Cavalcanti/ Esp. DP

Sem a presença dos policiais ferroviários nas estações, os seguranças da empresa de vigilância que trabalham nos trens e nas plataformas não são suficientes para inibir os atos de vandalismo. “Além das pedras que são jogadas nos trens, as brigas que acontecem em dias de jogos são os maiores causadores dos danos que geram altos gastos ao metrô. E como quase nunca há punição para esses casos, os episódios voltam a se repetir com frequência”, aponta o assessor de comunicação do Metrô do Recife, Salvino Gomes.

Parabrisas dos trens custam em média R$ 12 mil

Parabrisas dos trens custam em média R$ 12 mil

Do início deste ano até o final de abril, 64 janelas, 27 vidros de portas e cinco parabrisas foram trocados das composições que integram o metrô. Um dos últimos casos de violência foi registrado no domingo passado após a realização de um jogo na Arena Pernambuco. Três composições foram danificadas e uma delas precisou sair de circulação na segunda-feira seguinte, o que gerou alteração nos intervalos entre os outros trens que estavam em operação.

De acordo com o chefe da oficina do Metrô do Recife, Roberval Guedes Peixoto, os 30 parabrisas dos 15 novos trens que chegaram no ano de 2013 já foram danificados. Os trens têm duas frentes. “Cada vidro desses que fica na frente da cabine das composições custa cerca de R$ 12 mil. Nosso trabalho aqui na oficina, nos últimos meses, está praticamente resumido a trocar vidros quebrados”, ressalta Guedes.
Atualmente, o Metrô do Recife tem uma frota de 40 trens, sendo 15 do modelo mais novo e 25 das composições mais antigas.

Ainda segundo Roberval Guedes, para trocar um parabrisas de um trem novo a equipe de manutenção gasta, em média, seis horas de trabalho. “Nos trens dos modelos antigos, esse tempo aumenta para oito horas. Nesse tempo em que os trens ficam parados para reparos, muitos passageiros deixam de ser transportados”, destaca o chefe da oficina. Nos cálculos do Metrô do Recife, 1,2 mil passageiros são transportados por hora num trem. “Os trens não podem circular com avarias nos vidros. Os atos de vandalismo além de causar prejuízo financeiro geram transtornos para os passageiros”, completa Guedes.

Para tentar diminuir a quantidade de depredações e os gastos com a compra de vidros, o Metrô do Recife já pensou na possibilidade de trocar o material usado nas composições, mas o investimento também é muito alto. O valor aproximado dos vidros das janelas e das portas usados atualmente é de R$ 2 mil. Eles têm um formato sanduíche, com duas camadas de vidro e uma película no meio, para evitar a perfuração. No entanto, em alguns casos, o objeto arremessado contra o vidro é tão forte que consegue quebrá-lo. Os parabrisas são mais resistentes, mas mesmo assim não deixam de ser quebrados.