Júri do assassinato do cirurgião Artur Eugênio é adiado

Foi adiado para o dia 21 de setembro o júri popular do caso do assassinato do médico  Artur Eugênio de Azevedo. A decisão foi apresentada pela juíza Inês Maria de Albuquerque, por volta das 11h desta quarta-feira, diante da ausência do advogado de defesa do réu Cláudio Amaro Gomes Júnior. Antes do início da sessão, a defesa do acusado apresentou um atestado médico alegando que o advogado Luiz Miguel dos Santos estava com problemas de saúde.

Família de Artur estava no fórum para acompanhar o julgamento. Foto: Karina Morais/Esp.DP

Família de Artur estava no fórum para acompanhar o julgamento. Foto: Karina Morais/Esp.DP

O atestado, assinado por um médico ortopedista de cirurgia de joelho/medicina esportiva, informava que Luiz Miguel precisava ficar afastado das atividades por quatro dias, a partir do dia 13 de setembro. O que impossibilitou a presença do advogado no Fórum de Jaboatão dos Guararapes. No atestado apresentado, foi informado o Código Internacional de Doença (CID) de número M255, que corresponde a dor articular.

O julgamento seria de Cláudio Amaro Gomes Júnior e Lyferson Barbosa da Silva, dois dos cinco acusados pela morte do cirurgião Artur Eugênio de Azevedo. O acusado Cláudio Amaro Gomes Júnior será julgado por homicídio duplamente qualificado (por motivo torpe e recurso que impossibilitou a defesa da vítima) em concurso material com furto qualificado mediante fraude com comunicação falsa do crime e dano qualificado pelo uso de substância inflamável. Já o acusado Lyferson Barbosa da Silva responderá por homicídio duplamente qualificado (por motivo torpe e recurso que impossibilitou a defesa da vítima) em concurso material com o crime de dano qualificado.

Acusados da morte de médico serão julgados a partir desta quarta-feira

Dois acusados pela morte do cirurgião torácico Artur Eugênio de Azevedo, 36 anos, sentarão hoje no banco dos réus. O júri popular dos acusados Cláudio Amaro Gomes Júnior e Lyferson Barbosa da Silva acontece no Fórum de Jaboatão dos Guararapes e pode durar até sete dias. O crime que teve repercussão em todo o estado chocou também a comunidade médica depois que a Polícia Civil concluiu a investigação.

Os dois acusados do meio serão julgados primeiro. Foto: Reprodução/ TV Clube

Os dois acusados do meio serão julgados primeiro. Fotos: Reprodução/ TV Clube

O inquérito apontou que o médico Cláudio Amaro Gomes, que já havia sido chefe de Artur, seria o mandante do crime. Além dele, foram apontados no crime o seu filho Cláudio Júnior, Lyferson, e Jailson Duarte Cesar. Os quatro estão presos no Centro de Triagem, em Abreu e Lima. Havia um quinto envolvido, Flávio Braz de Souza, morto em troca de tiros com a polícia em fevereiro do ano passado, antes da decretação das prisões.

Os outros dois acusados, Cláudio Amaro Gomes e Jailson Duarte aguardam recurso da decisão de irem a júri popular. O pedido está sendo analisado pelo Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE). O médico Artur Eugênio foi assassinado no dia 12 de maio de 2014. O corpo do cirurgião foi encontrado na BR-101, no bairro de Comporta, no município de Jaboatão dos Guararapes. Segundo a denúncia do Ministério Público de Pernambuco (MPPE), o crime teria sido motivado por desentendimentos profissionais entre Cláudio Amaro e a vítima. Os acusados negam participação no assassinato.

Médico foi assassinado no dia 12 de maio de 2014. Foto: Tv Clube/Reprodução

Artur Eugênio foi assassinado no dia 12 de maio de 2014

No início deste mês, a esposa e os pais de Artur concederam uma entrevista para falar sobre o julgamento. “Espero que agora esteja chegando ao final. Esse processo todo nos desgasta e reviver tudo isso, voltar a discutir em detalhes, é extremamente doloroso. Como se fosse mexer em uma ferida aberta. Mas a família está unida e se mantendo forte”, disse a médica Carla Azevedo, esposa de Artur, no dia da coletiva.

O médico Cláudio Amaro Gomes responderá por homicídio duplamente qualificado (por motivo torpe e recurso que impossibilitou a defesa da vítima). O acusado Cláudio Amaro Gomes Júnior será julgado por homicídio duplamente qualificado (por motivo torpe e recurso que impossibilitou a defesa da vítima) – em concurso material com furto qualificado mediante fraude com comunicação falsa do crime e dano qualificado pelo uso de substância inflamável, material usado para queimar o carro da vítima, que também foi roubado.

Já os acusados Lyferson Barbosa da Silva e Jailson Duarte César responderão por homicídio duplamente qualificado (por motivo torpe e recurso que impossibilitou a defesa da vítima) em concurso material com o crime de dano qualificado. Para a decisão de pronúncia, a juíza Inês Maria de Albuquerque Alves, da 1ª Vara do Tribunal do Júri, levou em consideração os laudos periciais dos fatos anexados aos autos, além da audiência de instrução e julgamento realizada em sete datas entre os dias 14 de outubro de 2014 e 10 de junho de 2015. Nas audiências foram interrogados os réus e ouvidas cerca de 60 testemunhas.

O delegado Guilherme Caraciolo, que investigou o crime, disse na conclusão do caso que Artur sabia de muitas coisas erradas cometidas por Cláudio Amaro e não concordava com nenhuma delas. Eles chegaram, inclusive, a romper uma sociedade e Artur pretendia mover um processo por assédio moral contra Cláudio. No dia da apresentação do inquérito, Caraciolo falou que o superfaturamento de cirurgias e o recebimento de percentual do valor pago pelos convênios em casos onde o paciente precisasse de internação na UTI estavam entre as supostas acusações feitas contra Cláudio Amaro.

Ainda segundo a polícia, a descoberta desses fatos por Artur Eugênio teria levado Cláudio Gomes a tramar sua morte. Segundo a polícia, Flávio foi a pessoa que atirou em Artur. Jailson foi o responsável por apresentar Lyferson e Flávio a Cláudio Amaro Júnior. O Valor acertado para e execução da vítima pode ter chegado a até R$ 100 mil. A arma utilizada no crime, uma pistola 9mm que pertencia a Flávio, nunca foi encontrada pela polícia.

Número de morte de mulheres cai, mas desafios continuam

Por Mariana Fabrício e Wagner Oliveira

O número de mulheres assassinadas em Pernambuco diminuiu 22,3% de 2006, ano de criação da Lei Maria da Penha, até o ano de 2013. No entanto, a redução beneficiou as cidadãs de forma desigual. A quantidade de mulheres negras assassinadas caiu menos (14,3%). Os registros fazem parte do Mapa da violência 2015, homicídios de mulheres no Brasil e foram apresentados recentemente pelo pesquisador Julio Jacobo em evento no Tribunal de Justiça de Pernambuco.

Vítimas precisam denunciar as agressões ou ameaças. Foto: Blenda Souto Maior/DP

Vítimas precisam denunciar as agressões ou ameaças. Foto: Blenda Souto Maior/DP

A redução das mortes de negras vai na contramão da tendência nacional, já que, nesse período, o número de assassinatos de negras no Brasil subiu 54,2% (contra 25% de redução da morte de brancas), mas a diferença nos índices conforme a cor da pele sinaliza desafios, na opinião de Jacobo.

“A população negra é vítima prioritária da violência homicida no país. Claramente, as políticas públicas beneficiam bem mais mulheres brancas no que diz respeito à segurança. É preciso repensar toda a política de combate à violência”, destacou Julio Jacobo. Com a vigência da Lei Maria da Penha, o número de vítimas caiu 2,1% entre as mulheres brancas, mas aumentou 35% entre as negras no país. Ainda de acordo com a pesquisa, a cada mulher branca que morre vítima de violência, cinco negras são assassinadas.

“Os índices ainda estão extremamente elevados, apesar das quedas registradas, principalmente depois da criação da Maria da Penha”, apontou Jacobo. Entre os municípios pernambucanos que aparecem como os mais violentos estão Lagoa de Itaenga, Catende e Sirinhaém.

Aproximadamente 27% dos homicídios acontecem dentro de casa, sendo que 96% dos casos revelam também violência física. Para a vice-presidente do Instituto Maria da Penha, Regina Célia Almeida, o tema deve ser debatido desde a educação básica. “Por que nove anos depois da lei foi criada uma outra que criminaliza o feminicídio, sancionada no ano passado? Os números só crescem e ainda assim foi vetada a discussão de gênero nas escolas. É preciso encarar a raiz desta mácula”, questiona Jacobo.

Para a educadora feminista e cientista social da ONG SOS Corpo, Simone Ferreira, o alto número de mulheres negras assassinadas é decorrência da falta de políticas públicas eficazes. “As mulheres negras são vítimas mais frequentes porque ainda há uma discriminação racial muito forte”, ressaltou Simone.

O enfrentamento à violência contra a mulher, por parte do estado de Pernambuco, também teve avanços. A rede especializada de atendimento conta com 10 delegacias especializadas, 10 varas judiciais de violência doméstica e familiar, 36 centros de referência de atendimento à mulher, 179 organismos municipais de políticas para mulheres, 52 conselhos municipais dos direitos das mulheres, 24 núcleos de estudos de gênero e quatro serviços de abrigamento, além do Núcleo de Apoio à Mulher do MPPE e Defensoria Pública da Defesa da Mulher Vítima de Violência.

Em parceria com outros órgãos, a Secretaria da Mulher criou a Câmara Técnica de Enfrentamento da Violência contra a Mulher do Pacto pela Vida, que se reúne para acompanhar os casos, traçar estratégias e criar políticas para enfrentar a violência contra as mulheres.

Mortes de mulheres

Ano        Brasil        Pernambuco    Brancas    Negras

2003        3.937        274                   53            187
2004        3.830        276                   56            206
2005        3.884        282                   37            226
2006        4.022        310                   35            261
2007        3.772        290                   35            241
2008        4.023        298                   45            245
2009        4.260        304                   40            252
2010        4.465        246                   29            197
2011        4.512        261                   21            223
2012        4.719        215                   20            185
2013        4.762        256                   26            224

Fonte: Mapa da Violência 2015, homicídios de mulheres no Brasil

Como denunciar

0800.281.8187 Ouvidoria da Mulher

180 Central de Atendimento à Mulher

Rede especializada de atendimento

10 Delegacias especializadas para mulher

10 Varas judiciais de violência doméstica e familiar

36 Centros de referência de atendimento à mulher

179 Organismos municiapais de políticas para mulheres

52 Conselhos municipais dos direitos das mulheres

124 Núcleos de estudos de gênero

4 Serviços de abrigamento (casas-abrigo)

1 Núcleo de apoio à mulher do MPPE

1 Defensoria Pública da defesa da mulher vítima de violência

Fonte: Secretaria da Mulher de Pernambuco

Medo e revolta em dias de jogos de futebol no Recife

As cenas de barbárie vistas ontem por todos, amantes ou não do futebol, fizeram aumentar os sentimentos de medo e revolta na população. Até quando vamos ser obrigados a assistir a casos de violência como os registrados no bairro do Cordeiro antes do clássico entre Sport e Santa Cruz? Quantas pessoas precisarão morrer para que uma atitude enérgica seja tomada por parte do governo para impedir essas brigas? Essas perguntas, pelo menos por enquanto, seguem sem respostas.

Além das cenas fortes registradas no Cordeiro, um torcedor foi ferido na frente da Ilha do Retiro. Foto: Alexandre Barbosa/DP

Além das cenas fortes registradas no Cordeiro, um torcedor foi ferido na frente da Ilha do Retiro. Foto: Alexandre Barbosa/DP

Muita gente já deixou de ir a estádio de futebol. Algumas pessoas até já falaram em acabar com jogos entre torcidas rivais aqui no Recife. As torcidas organizadas estão sempre sendo monitoradas pela polícia, mas as confusões não param. As agressões estão cada dia mais violentas. As polícias civil e militar tentam acabar com essa farra nas ruas e até dentro de campo, mas as ações ainda não surtem o efeito imediato e necessário tão esperado por todos nós.

 

Há cerca de dois anos, o delegado Paulo Jeann chegou a eleborar uma proposta de realização de clássicos com acesso ao estádio apenas para a torcida mandante. Entre as sugestões apresentadas pelo policial estavam a suspensão de toda e qualquer gratuidade de ingressos e acessos aos estádios de futebol em dias de jogo, excetuando aquelas pessoas em serviço, permissão de acesso às áreas internas dos estádios apenas dos portadores de ingressos, venda de ingressos devidamente numerados, capacitação e treinamento dos policiais recrutados para exercício em jogos de futebol, além da aquisição de equipamentos de segurança e armamento não-letais para as polícias civil e militar.

Não sei dizer se essa seria a solução para o problema das brigas de torcidas organizadas, mas é um assunto que precisa ser tratado como prioridade pelas autoridades de segurança pública e organizadores dos jogos de futebol realizados em Pernambuco, sobretudo no Recife, onde as brigas são mais frequentes. Além das agressões praticadas contra as pessoas, não podemos deixar de falar também sobre os ataques ao patrimônio público e até ao privado. Ninguém aguenta mais.

Justiça escolheu os jurados para júri do caso do promotor de Itaíba

A Justiça Federal de Pernambuco fez o sorteio nesta segunda-feira dos jurados que irão participar do júri popular dos quatro acusados de matar o promotor de Itaíba Thiago Faria Soares, 36 anos, e tentar matar a noiva dele, Mysheva Freire Ferrão Martins, e o tio dela, Adautivo Elias Martins. O julgamento será no dia 24 de outubro.

Polícia continua buscando suspeitos. Foto: Paulo Paiva/DP/D.A Press

Polícia montou megaoperação no interior para encontrar suspeitos na época do crime. Foto: Paulo Paiva/DP

Foram sorteados 25 jurados e também os 25 suplentes. Somente no dia do júri popular serão escolhidos os sete jurados que irão acompanhar todo o julgamento e serão os responsáveis pelo destino dos réus José Maria Pedro Rosendo Barbosa, José Maria Domingos Cavalcante, Adeildo Ferreira dos Santos e José Marisvaldo Vitor da Silva. O crime aconteceu em outubro de 2013, no Km 19 da PE-300, em Águas Belas, no Agreste do estado.

Segundo a polícia, o promotor, a noiva e o tio dela foram perseguidos por um carro. O homem que estava no banco de trás desse veículo atirou com uma espingarda 12, acertando o promotor. Mysheva saiu do carro do noivo e se protegeu no barranco. O tio dela também saiu do veículo e andou pelo acostamento. Os atiradores voltaram e o homem que estava atrás atirou outras três vezes, antes de deixar o local do crime. Mysheva e o tio escaparam ilesos.

Entre golpes, gols e notas musicais

Veja algumas das oficinas oferecidas por policiais militares a moradores de vários bairros da Zona Norte do Recife através do projeto Amigos do 11º Batalhão. O trabalho tem o objetivo de tirar crianças e adolescentes das ruas e afastá-los da criminalidade.

Aulas de jiu-jítsu para quem não fazia nada

Fotos: Peu Ricardo/Esp/DP

Fotos: Peu Ricardo/Esp/DP

Há quatro meses, o estudante Rafael Vicente de Oliveira, 14 anos, conheceu um mundo diferente. Aluno no 9º ano, ele entrou para a turma de jiu-jítsu – arte marcial japonesa aperfeiçoada no Brasil – que treina na Escola Estadual Lions de Parnamirim, onde também estuda. “Antes de entrar para o jiu-jítsu, eu ficava em casa sem fazer nada. Agora estamos eu e meu irmão treinando e eu penso em me tornar lutador profissional. Às vezes, até meu pai treina com a gente em casa”, confessou Rafael.

Assim como ele, o irmão Emanuel Alexandre de Oliveira, 16, não falta a uma aula. Vestidos com quimono, os garotos se juntam a outros moradores dos bairros de Dois Irmãos e Sítio dos Pintos para aprender a arte macial fora do horário de estudo. As aulas acontecem todas as segundas e quintas-feiras na quadra da escola. O espaço foi cedido pelo diretor da unidade de ensino, Nelson Alves.

O responsável pelas aulas e orientações dadas aos garotos é o soldado da Polícia Militar Evaldo Bahia. “Treino jiu-jítsu há 20 anos e também dou aulas em alguns lugares. No projeto Amigos do 11º BPM estou há um ano. Esse é um trabalho muito importante, pois no tempo livre dos meninos eles praticam atividades e isso evita que caiam na criminalidade”, destacou Bahia. Ainda segundo o professor, crianças a partir dos 10 anos, alunos ou não da escola, podem fazer a inscrição de maneira gratuita para participar das aulas.

Juan França, 12 anos, não pensou duas vezes quando viu outros garotos da escola fazendo as aulas de jiu-jítsu. “É muito legal fazer parte desse projeto. Antigamente eu ficava pela rua no horário da manhã. Agora, duas vezes na semana, estou treinando. O professor passa todas as orientações para a gente. Depois que assisti à Olimpíada, fiquei com vontade de ser lutador”, disse o estudante do 6º ano. Para o diretor da escola, Nelson Alves, a parceria com a Polícia Militar é importante para o desenvolvimento dos alunos.

Uma bola no pé e alguns sonhos na cabeça

O campo do Barreirão, em Dois Unidos, virou ponto de encontro de adolescentes e adultos nas tardes de terça-feira. O bairro onde a violência já foi marca registrada hoje recebe aulas semanais. O objetivo é levar lazer e esporte à população da localidade. Dos 32 mil habitantes de Dois Unidos, segundo dados do Censo de 2010, 48% são do sexo masculino, o mais facilmente recrutado pelo mundo do crime. Ainda de acordo com o Censo, 12 mil moradores de Dois Unidos têm entre 5 e 24 anos, onde está inserida a faixa etária que mais morre vítima de violência.

A partir das 14h, o soldado da Polícia Militar Leonardo Souza começa as atividades no Barreirão. “Estamos com o projeto aqui há três meses e muita gente tem procurado para fazer inscrições. Antes de iniciar as partidas, os meninos fazem aquecimento e dividimos os jogos em dois grupos. No primeiro, jogam os garotos mais novos. Os mais velhos entram em campo na segunda partida”, detalhou Souza. No dia em que a reportagem acompanhava o treino, o time ganhou duas bolas de futebol novas, frutos de doações. “Muita gente da comunidade e até de outros lugares colaboram fazendo doações para o projeto. Isso é muito bom para o nosso trabalho”, completou o sargento Amiel Alcântara.

O sonho de ser jogador de futebol faz parte do imaginário de muitos meninos e adolescentes pernambucanos. O estudante Luciano Apolinário da Silva, 14 anos, é um deles. Morador do bairro da Linha do Tiro, ele sai de casa toda terça-feira para jogar bola no campo do bairro vizinho. “Gosto muito de jogar aqui. Também é bom porque o treinador é um policial militar e a gente sabe que nada de errado vai acontecer enquanto a gente estiver procurando ocupar nosso tempo”, ressaltou. O também estudante Erick Cleidson Silva, 14, sonha em jogar num grande time do futebol pernambucano. “É importante esse projeto porque tira a gente da rua. Estou me dedicando para realizar meu sonho de ser jogador”, contou Erick.

Taekwondo colhe primeiros resultados

A doméstica Maria Rita dos Santos, 36 anos, está mais aliviada desde que seu filho adolescente passou a frequentar as aulas de taekwondo, arte marcial de origem coreana, que fazem parte do projeto Amigos do 11º BPM. O estudante João Marcos dos Santos, 16 anos, estuda à noite e costumava passar as manhãs e tardes jogando futebol ou sem outras atividades para fazer. Agora, ele é um dos alunos que se encontram todas as quartas-feiras pela manhã no espaço cedido por um morador da Rua do Canal, no bairro da Macaxeira.

“Achei uma maravilha meu filho participar da atividade de luta, assim ele fica longe das coisas erradas. Além do taekwondo, ele está jogando futebol e estudando à noite”, comentou a doméstica, que faz questão de acompanhar o treino.

As aulas que acontecem das 8h às 12h para meninos e meninas são ministradas pelo soldado da PM Emerson Martins. “O projeto por aqui é recente, mas está atraindo muita gente. Nosso objetivo é fazer com que as crianças e adolescentes das comunidades não fiquem ociosos. Alguns alunos já estão até participando de campeonatos. Para entrar nas aulas, os garotos e as garotas precisam estar estudando. Assim é possível tirar as crianças da criminalidade e trazê-las para a disciplina”, apontou Martins. Os treinos acontecem numa área da casa do aposentado Reginaldo Israel de França, 78. “Esse trabalho é muito importante para a nossa comunidade, por isso resolvi apoiar”, destacou.

O estudante João Marcos está animado com as aulas de taekwondo. “Esse tempo que passamos aqui é muito valioso. Ficamos longe das coisas erradas estamos aprendendo um esporte. Além disso, ainda jogo futebol e estudo à noite”, destacou o adolescente. Também aos 16 anos, o estudante João Vitor Aguiar fez a sua segunda aula na semana passada. Foi incentivado por colegas. “Além de ter visto as lutas na televisão, meus amigos entraram e disseram que era legal. Agora que comecei estão gostando muito e quero ser lutador”, revelou Vitor.

Aprendendo e ensinando os primeiros acordes

É de uma sala ao lado da igreja de Nossa Senhora de Fátima, no Alto da Foice, bairro do Vasco da Gama, que ecoam sons para o futuro. É lá que o soldado Moisés Costa, integrante do projeto Amigos do 11º BPM, ministra suas aulas de instrumentos musicais e canto. Uma faixa colocada na frente do prédio faz o convite aos moradores da localidade para participarem. Uma média de 30 alunos já está inscrita para as aulas que acontecem todas as quartas-feiras pela manhã. “Temos alunos de várias idades e aqueles que já estão mais avançados acabaram virando monitores e me ajudam durante as aulas”, destacou Moisés.

Falantes e alegres, as estudantes Dayane Larissa da Silva, 10 anos, Bruna Viviane da Conceição, 9, e Taylane Lys Lima, 10, estão animadas com as aulas de violão. Apesar de terem sonhos de seguirem outras carreiras quando terminarem os estudos, as três amigas acham importante aprender a cantar e tocar o instrumento de cordas. “Gosto muito de cantar, por isso me interessei”, respondeu Larissa, que pretende ser atriz. Já Bruna disse que vai ser médica. “Mas gosto de cantar também”, completou. Taylane escolheu para seu futuro ser advogada ou juíza. “Vou estudar muito para realizar meu sonho”, declarou.

Enquanto ainda estão um pouco longe de concretizar seus desejos, elas vão aproveitando as aulas de percussão, bateria, teclado, violão e canto. Quem ajuda a fazer as inscrições dos jovens e acompanha as aulas é o líder comunitário Fábio da Silva. “É uma oportunidade para eles terem um curso gratuito e ocuparem o tempo livre enquanto não estão na escola. Além disso, são preparados para o futuro”, ressaltou Fábio. O produtor de eventos Valter de Oliveira tem 31 anos e já é baterista profissional. Entrou no projeto para aprender a tocar teclado. O filho dele, Valter Santos, de 11 anos, acompanha o pai nas aulas. “É um incentivo para tirar as crianças das ruas e das drogas”, comentou.

Confira o vídeo com entrevistas sobre o projeto

Projeto da Polícia Militar muda realidade de jovens da Zona Norte

Promover mudanças nas comunidades e na vida das pessoas que nelas moram. Esse é o principal objetivo do projeto idealizado por policiais militares e que está levando lazer, esporte e música para crianças, adolescentes e adultos de diversos bairros da Zona Norte do Recife. Há um ano, militares do 11º Batalhão da Polícia Militar (BPM) estão mais perto dos moradores e conseguindo, aos poucos, mudar a relação da comunidade com os integrantes da corporação.

Garotos de Dois Unidos e proximidades jogam futebol no campo do Barreirão. Fotos: Peu Ricardo/Esp. DP

Garotos de Dois Unidos e proximidades jogam futebol no campo do Barreirão. Fotos: Peu Ricardo/Esp. DP

Por meio das aulas de ginástica, jiu-jítsu, futebol, instrumentos musicais, taekwondo e outras atividades, as orientações sobre cidadania, educação e melhoria da qualidade de vida chegam às famílias que vivem em localidades conhecidas como violentas. O projeto Amigos do 11º BPM, criado pelo comando do batalhão, está presente em 15 dos 31 bairros atendidos pelo seu efetivo.

Em Dois Irmãos, estudantes treinam jiu-jítsu na Escola Lions de Parnamirim

Em Dois Irmãos, estudantes treinam jiu-jítsu na Escola Lions de Parnamirim

Mais de mil alunos estão inscritos nas aulas ministradas por policiais militares de segunda-feira aos sábados, no horário das 6h às 22h. Os interessados em participar não precisam pagar nenhuma taxa. Basta ter vontade de querer um futuro longe das drogas e do mundo do crime. “No início do projeto, algumas pessoas tiveram receio da presença da polícia nas comunidades, mas hoje a população até gosta e se sente mais segura. A ideia do projeto é ocupar o tempo livre das crianças e adolescentes dessas localidades para que eles não tenham contato com a criminalidade. Durante as aulas eles recebem orientações e se transformam em multiplicadores, levando essas informações até seus familiares e colegas da escola”, destacou o cordenador do projeto, tenente Wellington Araújo.

No Alto da Foice, no Vasco da Gama, grupo estuda música e canto

No Alto da Foice, no Vasco da Gama, grupo estuda música e canto

O trabalho realizado pelos policiais militares pode contribuir para uma mudança de cenário nas estatísticas de violência na área coberta pelo 11º BPM. Segundo dados da Secretaria de Defesa Social (SDS), de janeiro a julho deste ano, 92 pessoas foram vítimas de Crimes Violentos Letais Intencionais (CVLIs) na Área Integrada de Segurança (AIS) 5. O número preocupa as autoridades, já que apresentou aumento m relação ao mesmo período do ano passado, quando foram notificados 74 casos de CVLIs na AIS5. “É um trabalho para se obter resultados a longo prazo. O mais importante já está acontecendo, que é a presença da polícia nas comunidades. No bairro de Dois Unidos, por exemplo, não acontece um homicídio há mais dois meses e meio”, apontou o tenente.

Meninos e meninas lotam espaço das aulas de taekwondo no bairro da Macaxeira

Meninos e meninas lotam espaço das aulas de taekwondo no bairro da Macaxeira

Enquanto um grupo de adolescentes jogava futebol no campo do Barreirão, a dona de casa Maria Gomes de Moura, 64 anos, parou ao lado da viatura e parabenizou os policiais que estavam no local. Essa é mais uma vantagem do projeto. Enquanto o professor estiver dando aula, uma viatura com outros dois PMs fica parada na localidade. “Esse trabalho de vocês é muito bonito e importante. Com essas atividades, as nossas crianças ficam longe das coisas erradas e se desenvolvem melhor. Quero parabenizar todos da polícia, pois além de fazer o trabalho de segurança na rua eles ainda ajudam a comunidade”, comentou a dona de casa moradora de Dois Unidos.

Parcerias

Para manter o projeto de pé, é preciso o apoio de algumas pessoas e empresas. É nessa hora que entra em cena o sargento Amiel Alcântara. Com 30 anos de Polícia Militar, dos quais 14 dedicados ao 11º Batalhão, o militar é quem corre atrás dos parceiros. “Já entrei muito nessas comunidades procurando bandidos e fazendo prisões, mas agora é diferente. Estou entrando para trazer coisas boas para as crianças e adolescentes desses lugares. Para isso, nós precisamos contar com alguns parceiros. Para a realização das atividades precisamos de equipamentos e também dos espaços para as aulas. Tudo isso é conseguido através de parcerias. Toda ajuda é muito bem-vinda”, destacou o sargento. O 11º BPM fica na Rua Apipucos, número 15, no bairro de mesmo nome. O telefone da unidade é o (81) 3183-5474.

Entrevista – Gilson Antunes

O projeto Amigos do 11º Batalhão nasceu em julho do ano passado e hoje conta com mais de mil alunos inscritos nas suas atividades. A iniciativa foi avaliada como positiva pelo professor adjunto do Departamento de Sociologia da UFPE e Pesquisador do Núcleo de Estudos e Pesquisas em Violência, Criminalidade e Políticas Públicas de Segurança (PGS/UFPE). Mas ele faz um alerta para a necessidade de apresentação de resultados do trabalho desenvolvido nas comunidades.

Como avalia o programa realizado pelos militares do 11º Batalhão?
São iniciativas como essas que estão faltando no campo de prevenção da criminalidade. O que se tem atualmente são muitas ações de repressão, mas de prevenção são poucas. O fato de o batalhão colocar os próprios militares para dar aulas aos jovens é muito positivo para promover o estreitamento dos laços de confiança entre a polícia e a comunidade. Em muitos lugares essa relação de confiança já não existe mais.

Que sugestão daria para o melhorar o projeto?
Acho necessário que os responsáveis pelo projeto comecem a apresentar os resultados que estão sendo obtidos. A redução da criminalidade é um bom indicador, mas é preciso entender se está ligada às atividades. Ações de prevenção realizadas com planejamento e organização podem ajudar no combate à violência.

Acha que poderiam ser oferecidas outras atividades no projeto?
Acredito que atividades ligadas à informática deveriam ser oferecidas também. Mas não falo aqui em digitação ou iniciação à informática, mas em relação às mídias sociais. Os participantes do projeto poderiam ser orientados de maneira que pudessem fazer uso do ponto de vista positivo de todas essas mídias, como Facebook, WhatsApp e Twitter, por exemplo.

Aprovado funcionamento ininterrupto das delegacias da mulher

Da Agência Câmara

A Comissão de Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado da Câmara dos Deputados aprovou o Projeto de Lei 42/15, do deputado Sergio Vidigal (PDT-ES), que determina o funcionamento 24 horas por dia, sete dias por semana, das delegacias de polícia especializadas no atendimento à mulher. Hoje, o horário de funcionamento depende das secretarias de Segurança de cada estado.

Idosa procurou a delegacia para denunciar ameaças. Fotos: Thais Arruda/Esp. DP/ D.A Press

Mulheres de todas as idades são vítimas de agressões.  Fotos: Thais Arruda/Esp. DP/ D.A Press

O parecer do relator, deputado Subtenente Gonzaga (PDT-MG), foi favorável à proposta. O parlamentar cita o estudo “Violência contra a mulher: feminicídios no Brasil”, publicado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), o qual mostra que 36% dos feminicídios ocorrem nos finais de semana, sendo que os domingos concentram 19% das mortes.

“Os finais de semana são períodos críticos para as mulheres que sofrem com a violência doméstica”, ressalta o relator. “Dessa forma, sob o ponto de vista das vítimas em potencial, é muito importante que haja o atendimento nesse período”, complementa.

Leia mais sobre o assunto em:

Maria da Penha faz dez anos e mulheres seguem sofrendo agressões

Câmeras de segurança são novas armas dos moradores de Aldeia

Por Mariana Fabrício
Do Diario de Pernambuco

A insegurança dos moradores de Aldeia, em Camaragibe, vítimas de assaltos e até mortes, trouxe reflexos para Chã de Cruz, que fica a três quilômetros de Aldeia e de Paudalho. Para inibir os assaltos, os comerciantes se uniram para criar o próprio sistema de monitoramento com  câmeras espalhadas pelo centro. Ao todo são 11 equipamentos que filmam por 24  horas o movimento interno e externo dos estabelecimentos. Um investimento de R$ 15 mil dividido entre moradores para ajudar a inibir os crimes e  registrar possíveis roubos para ajudar nas investigações policiais.

Equipamentos foram instalados pela população. Fotos: Karina Morais/Esp.DP

Equipamentos foram instalados pela população. Fotos: Karina Morais/Esp.DP

O mercadinho de Joelma Sales, 32 anos, já sofreu dois assaltos em menos de  três meses e é um dos que estão sendo monitorados. “Por duas vezes, os carros de entrega foram roubados e eu fiquei sem a mercadoria para vender. É uma situação que não é vivida só por mim”, afirmou. Mesmo com o salão de beleza localizado ao lado de um posto policial, o  cabeleireiro Edson Souza, 43 anos, fez questão de investir mais em segurança e participar da cota. “Aqui estamos divididos entre os municípios de Camaragibe e Paudalho, o que nos atrapalha um pouco e atrasa reuniões com as autoridades competentes. Diante desses roubos que estão acontecendo por aqui a gente não pode ficar de braços cruzados e por isso tomei essa iniciativa e  mais gente está aderindo ao monitoramento”, contou.

Joelma já teve o mercadinho arrombado duas vezes

Mercadinho de Joelma Sales já foi assaltado duas vezes

O 20° Batalhão da Polícia Militar, responsável pela área, informou que não faz monitoramento das imagens de câmeras instaladas pela população. Mas que em caso de ocorrência ou flagrantes, as imagens podem ser informadas pelo 190, para subsidiar o trabalho da polícia investigativa. O comando do BPM disse ainda, através de nota, que está em “constante diálogo com a comunidade” através do Fórum de Segurança de Aldeia que faz reuniões semanais, às terças-feiras à noite, e ainda dispõe de um grupo nas redes sociais que conta com o apoio da gestão municipal.

De acordo com a Secretaria de Defesa Social, de janeiro até 28 de agosto 2016, as polícias Civil e Militar apreenderam 104 armas de fogo e realizaram 300 prisões, em toda a Área Integrada de Segurança (AIS 9), composta pelos municípios de Camaragibe e São Lourenço. Segundo o órgão, ocorreram 1.174 Crimes Violentos contra o Patrimônio (CVP) com três mortes. Em comparação ao ano passado, foram registrados 912 CVPs no mesmo período.

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Delegados da Civil deixam plantões

A Associação de Delegados de Polícia de Pernambuco (Adeppe) anunciou ontem que cerca de 200 delegados não trabalharão mais no Programa de Jornada Extra da Segurança, um sistema de horas extras acordado entre a categoria e o estado. Segundo a entidade, 90 delegacias ficarão fechadas em todo o estado como resultado da decisão. A Secretaria de Defesa Social anunciou, no entanto, que fará uma nova escala.

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Delegados estão inconformados com estrutura da PCPE. Arte/DP

Em entrevista coletiva concedida ontem, o presidente da Adeppe, Francisco Rodrigues, também apresentou uma campanha publicitária na qual a associação vai divulgar números da violência em Pernambuco. “A segurança pública do estado tem como base de seu funcionamento o PJES, que nada mais é que um programa de pagamento de horas extras que não remunera corretamente os servidores”, opinou Francisco.

Segundo ele, os delegados estão inconformados com a atual estrutura da Polícia Civil, que estaria trabalhando “basicamente em flagrantes” ao invés de investigar. De acordo com levantamento da Adeppe, 10 delegacias vão fechar na região da Mata Norte, assim como 13 na Mata Sul, 14 no Agreste e aproximadamente 50 no Sertão.

Através de sua assessoria de comunicação, a Secretaria de Defesa Social de Pernambuco informou que já tem um plano de contingenciamento pronto para refazer as escalas nestas unidades policiais.