ADEPPE divulga nota de esclarecimento em sua página

A Adeppe (Associação dos Delegados de Polícia de Pernambuco) vem esclarecer as decisões tomadas na última Assembleia Geral da Categoria, realizada no dia 10 de agosto de 2015, face às informações divulgadas pela imprensa.

As Operações de Repressão Qualificada (ORQ’s) são aquelas amplamente divulgadas pela imprensa, nas quais a Polícia Civil, após meses de investigações, prende um considerável número de criminosos em um único dia, tirando de circulação traficantes, homicidas e quadrilhas especializadas em roubos, os quais, na grande maioria das vezes, agem com extrema violência, colocando a vida, a incolumidade física e o patrimônio do cidadão pernambucano em risco extremo de dano.

Ocorre que tais operações vinham sendo deflagradas sem que o Estado estivesse cumprindo determinação constitucional e legal do pagamento de hora-extra e adicional noturno aos profissionais de Polícia.

Com efeito, após oito horas de expediente diário, Delegados de Polícia eram escalados para participarem das citadas operações, o que demandava que acordassem de madrugada e trabalhassem muitas das vezes até as 12h do dia seguinte, devendo a Autoridade Policial, ainda, retornar à Delegacia onde está lotada para continuar o expediente no turno da tarde.

Isso sem contar quando os Delegados tinham que se deslocar mais de 400 quilômetros para cumprirem os mandados de prisão, como aconteceu tantas vezes, quando as Autoridades Policiais viajavam à noite exaustas, depois, repita-se, de um dia de trabalho, a fim de cumprir os mandados, o que colocava suas vidas em risco.

Tal realidade fazia com que o Delegado de Polícia extrapolasse sua carga-horária diária (e semanal) de trabalho, sem que, contudo, recebesse o que lhe era constitucionalmente devido: hora extra e adicional noturno.

A decisão pela suspensão das ORQ’s, desta feita, não foi tomada por motivos levianos, como está sendo veiculado, como se os Delegados de Polícia fosses crianças que fizessem birra porque o Estado não lhe deu o pirulito que tanto desejam.

Os Delegados de Polícia de Pernambuco são profissionais de Polícia, e, nessa qualidade, assim como todos os outros trabalhadores, fazem jus a todos os direitos e garantias consagrados constitucionalmente, dentre eles o pagamento de hora-extra e do adicional noturno.

É justo exigir que os Delegados de Polícia saiam de suas residências ainda na madrugada, trabalhem durante mais de oito horas ininterruptas (depois de oito horas já trabalhadas), sem receber o pagamento de horas-extras e adicional noturno que lhes são devidos?

Será que a culpa pelo sucateamento da Polícia Civil e pela situação deplorável em que se encontra a segurança pública é dos Delegados de Polícia, que apenas se recusam a trabalhar em locais insalubres, a dar plantões que extrapolam a carga horária semanal, a não receberem o pagamento de hora-extra e de adicional noturno quando participarem de ORQ’s, e que, a despeito dessas condições, são assediados diuturnamente a atingirem as metas cada vez mais desumanas estabelecidas aleatoriamente e sem nenhum critério científico pelos gestores do Pacto Pela Vida? Ou será que a culpa é do Governo do Estado, que insiste em descumprir direitos básicos do profissional do Polícia?

Some-se, ainda, que há Delegados de Polícia, notadamente no interior do Estado, que estão acumulando mais de três delegacias, mas recebem uma gratificação irrisória por apenas uma Circunscrição Policial acumulada. Ou seja, a Autoridade Policial tem sua responsabilidade triplicada, quadruplicada, mas não recebe nada a mais por isso.

Acrescente-se, também, que a Polícia Civil teve sua carga-horária aumentada em 33% (trinta e três por cento), mas não houve a correspondente implementação nos salários dos seus servidores.
Os Delegados de Polícia têm sido vilipendiados em seus direitos há anos e exigem, tão somente, serem tratados com dignidade. Será que isso é exigir demais?

Já no que diz respeito aos pedidos de prisão, o fato é que o Estado de Pernambuco, como diretriz do Pacto pela Vida, tem adotado a política de encarceramento, que consiste em prender o maior número possível de pessoas, ainda que a liberdade delas não provoque qualquer risco ao cidadão.

A regra é prender todos aqueles que cometem crimes, atribuindo a mesma gravidade às condutas daquele que furta um desodorante em um supermercado e daquele outro que mata premeditadamente.

A regra estabelecida pelo Governo do Estado, inclusive em reuniões do Comitê Gestor do Pacto pela Vida, é arbitrar fianças em valores que impeçam o autuado a prestar a garantia, em gritante violação às regras previstas no Código de Processo Penal, que estabelece que, para o arbitramento do valor da fiança, a Autoridade Policial deve observar, a par da gravidade do delito e da vida pregressa do afiançado, a situação econômica do autuado.
Não é que os Delegados de Polícia não vão mais solicitar as prisões dos criminosos. As Autoridades Policiais são vão fazê-lo nos casos em que o encarceramento for cabível, em conformidade com os ditames legais e constitucionais, e não apenas para satisfazerem o Governo do Estado com o preenchimento de planilhas e cumprimento de metas que, como já dito, são estabelecidas sem qualquer critério e, o mais grave, sem o debate franco e aberto com quem efetivamente sabe fazer polícia: os próprios Policiais.

Os Delegados de Polícia são operadores do Direito, assim como Juízes, Promotores de Justiça e Defensores Públicos. Devem zelar pelo cumprimento das normas e, acima de tudo, pela promoção da justiça.

O cidadão, assim, deve exigir e defender uma Polícia Civil livre para exercer seu papel constitucional de servi-lo com eficiência e eficácia.

O papel do Delegado de Polícia é garantir a segurança do cidadão, e não servir de instrumento de propaganda de Governo, como tem sido em relação ao Pacto Pela Vida, o qual, aliás, já mostrou que está em franco declínio, o que não poderia ser diferente, já que se baseia em sacrificar o Policial Civil, que, além de exercer sua função em locais insalubres, sem materiais de limpeza e higiene, ser vítima de assédio moral cotidianamente, sem receber hora-extra e adicional noturno pelo serviço extraordinário e à noite, ainda recebe o pior salário do país.

Por fim, a Adeppe reafirma que, a despeito da lamentável situação acima descrita, os Delegados de Polícia continuam firmes no compromisso com o cidadão pernambucano de continuar apurando todos os crimes, dos menos graves às organizações criminosas. A classe não mais permitirá, entretanto, que os resultados das investigações sejam utilizados como propaganda pelo Governo do Estado, em detrimento das violações dos direitos dos Policiais.

Tratar a Polícia com dignidade é tratar o cidadão com dignidade.

A direção da Adeppe

Delegado lança livro sobre tortura nas delegacias

Após oito anos de pesquisa e entrevistas com delegados, escrivães e agentes, o delegado da Polícia Civil de Pernambuco e membro do Fórum Nacional de Segurança Pública (FNSP) Marcelo Barros lança hoje o livro Polícia e tortura no Brasil – Conhecendo a caixa das maçãs podres.

O trabalho, resultado da sua tese de doutorado pela Universidade de Salamanca, na Espanha, revela que a tortura nas unidades policiais, para a obtenção de confissões de presos, é mais comum do que se pensa. Marcelo lembra que a prática perdura porque torturar é mais fácil do que gastar tempo e recursos na investigação.

Foto: Roberto Ramos/DP/D.A Press

Marcelo Barros pesquisou o tema por oito anos. Foto: Roberto Ramos/DP/D.A Press

“Quando iniciei essa pesquisa, pensei que teria dificuldades grandes, pois o tema é pouco comentado pelos policiais. No entanto, o fato de ser policial deve ter sido um facilitador para obter entrevistas. Fiquei surpreso com a grande colaboração”, conta Marcelo, que é delegado há 17 anos e atualmente atua em Fernando de Noronha. O lançamento será na Livraria Cultura do Paço Alfândega, às 19h.

“A tortura é uma política de Estado no Brasil. É algo que está ao nosso lado mas ninguém vê. Posso afirmar que não existem mecanismos para tentar acabar com ela. As comissões de Direitos Humanos que são criadas com essa finalidade não têm poder nenhum”, aponta. Segundo Marcelo, entre os agentes, escrivães e delegados ouvidos na pesquisa que deu origem ao livro, todos conheciam alguém que já praticou tortura, quando não foram eles mesmos que recorreram ao recurso ilegal.

“A academia de polícia não prepara os policiais para serem profissionais exímios e habilidosos em suas atividades básicas. Se não se ensina, portanto, uma maneira nova de investigar, a forma de conseguir uma confissão através da tortura continuará sendo utilizada”.

Entre as perguntas realizadas pelo autor estava “Onde se pratica mais a tortura, na capital ou no interior?” A maior parte dos policiais respondeu que os casos acontecem na capital e sobretudo nas delegacias especializadas. “Alguns disseram que já viram, outros que praticaram, uns revelaram que eram a favor e outros que não concordavam com a prática. Mas posso afirmar, com base nos depoimentos, que as delegacias que investigam crimes de roubos de bancos, de carros, de cargas e tráfico de drogas são os locais onde acontecem mais torturas”, aponta Barros.

Todos os policiais ouvidos na pesquisa são da Polícia Civil e a grande maioria pernambucanos. Uma condição para as entrevistas foi a garantia de que os nomes não seriam publicados. Além de fazer uma revisão histórica sobre o uso da tortura no Brasil e no mundo e de eleborar questões sobre um eventual uso ético da tortura, o autor propõe algumas sugestões para o fim da tortura nas delegacias.

Adolescente confessa homicídio de professor no Galetus

Do Diario de Pernambuco

Um adolescente confessou ter assassinado o estudante de engenharia eletrônica da UPE e professor do Pronatec, José Renato de Souza, 39, durante assalto à churrascaria Galetus, na Caxangá, no domingo. O suspeito de 17 anos foi ouvido pelo delegado Bruno Magalhães.

Ele chegou acompanhado da advogada Cícera Lins. “Os disparos foram atos impensados, na hora do desespero”, disse a defensora. O garoto vai aguardar a decisão da Justiça em liberdade, porque não houve flagrante. “Ele confessou que deu dois tiros e não está se omitindo, o fato é público”, reforçou Cícera.

Na terça-feira, foi preso outro suspeito. Marcelo Henrique dos Santos Silva, 24, foi encontrado na casa de um tio em São José da Coroa Grande. Ele já cumpriu pena por assalto nas penitenciárias Barreto Campelo, em Itamaracá, e Frei Damião de Bozano, no Recife. Marcelo confessou participação no assalto, mas disse que não atirou na vítima. Marcelo foi encaminhado ao Cotel ontem, após expedição de mandado de prisão. A polícia procura outros dois suspeitos.

O radialista José Roberto de Souza, irmão de José Renato, esteve ontem no DHPP para falar com o delegado Bruno Magalhães. Depois da conversa, ele pediu às pessoas que testemunharam o fato que colaborem com a polícia. “Quem tiver imagens, entre em contato, porque isso ajuda a dar mais consistência aos pedidos de prisão. Também apelo ao Ministério Público”, enfatizou José Roberto de Souza.

Preso 1º suspeito de participar do assalto e morte no Galetus

A polícia prendeu na noite dessa terça-feira um dos suspeitos de ter participado do assalto que terminou com a morte do professor José Renato de Souza, 39 anos, na churrascaria Galetus, na Avenida Caxangá, no Cordeiro. Marcelo Henrique dos Santos Silva, 24 anos, foi preso em Várzea do Una, em São José da Coroa Grande, no litoral Sul pernambucano.

O suspeito foi levado para o Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), no Recife. Segundo a Polícia Militar, Marcelo Henrique confirmou a participação no latrocínio, que teria contado com a o envolvimento de mais três pessoas. A polícia já tem o nome dos outros envolvidos e também a identificação de um deles através das impressões digitais recolhidas pelos peritos papiloscopistas do IITB.

O suspeito que é adolescente teria sido o autor do disparo que matou José Renato. As digitais dele foram colhidas no copo usado por ele para tomar refrigerante. Outras digitais também foram encontradas e estão sendo analisadas.

Marcelo Henrique foi preso em São José da Coroa Grande. Foto: Polícia Militar/Divulgação

Marcelo Henrique foi preso em São José da Coroa Grande. Foto: Polícia Militar/Divulgação

Dois homens se passaram por clientes quando outra dupla anunciou o assalto e passou a recolher objetos de quem estava no local. José Renato pediu para manter os documentos consigo e um dos assaltantes ameaçou matá-lo. Com a arma apontada para si, ele reagiu e tentou fugir.

O universitário foi atingido por um tiro e correu para fora da churrascaria pela porta da frente. Ele foi alcançado poucos metros depois, levou uma pancada na cabeça com a arma, foi acertado novamente e morreu no local.

Aspol/PE e Sindasp denunciam licitação do governo de R$ 166 mil para comprar tapetes

A Associação dos Policiais Civis de Pernambuco (ASPOL/PE) e o Sindicato dos Agentes Penitenciários (Sindasp) denunciam que o governo de Pernambuco abriu uma licitação para a compra de 1.000 tapetes e fixou um valor máximo de R$ 166.660,00m, ou seja, cada tapete sairá pelo valor de R$ 166.66.

“Infelizmente, enquanto o Governo de Pernambuco gasta o dinheiro público com a compra de tapetes, a Polícia Civil de Pernambuco é sujeitada a trabalhar em delegacias insalubres, recebendo um salário extremamente defasado”, diz a nota enviada ao blog pela ASPOL/PE.

“Este tipo de gasto mostra que  o Governo de Pernambuco gasta o dinheiro público com a compra de tapetes, enquanto o Sistema Penitenciário de Pernambuco é sujeitado a trabalhar em presídios com coletes vencidos, viaturas sucateadas, falta de efetivo e falta de portais eletrônicos”, diz a nota do Sindasp.

Trinta e oito carros são roubados por dia em Pernambuco

Uma média de 38 carros são roubados ou furtados por dia em Pernambuco. Levantamento feito pela Associação dos Delegados de Pernambuco (ADEPPE) indica que 8 mil veículos foram retirados dos seus donos por criminosos do início do ano até o dia 31 de julho. Atualmente, o estado tem uma frota de 2,7 milhões de carros em circulação nas ruas, segundo dados do Departamento de Trânsito de Pernambuco (Detran-PE).

Números foram apresentados ontem durante assembleia dos delegados. Foto: ADEPPE/Divulgação

Números foram apresentados ontem durante assembleia dos delegados. Foto: ADEPPE/Divulgação

Já os números apresentados pela Secretaria de Defesa Social (SDS) apontam que 3,7 mil carros foram furtados ou roubados no estado do início do ano até o dia 31 de julho. Apesar de divulgarem os números, nem a ADEPPE nem a SDS informaram quais os locais com maior incidência de crimes.

Insatisfeitos com os baixos salários e alegando sucateamento das delegacias do estado, os delegados da Polícia Civil decidiram ontem, após realização de uma assembleia com a presença de 130 policiais, no auditório do Banco Central, que não irão mais realizar as Operações de Repressão Qualificada. De acordo com o presidente da ADEPPE, Francisco Rodrigues, os delegados continuarão a fazer as investigações, os indiciamentos e o encaminhamento dos inquéritos para a Justiça. No entanto, os pedidos de prisões só serão feitos em casos extremos.

Dados de crimes da SDS são diferentes dos números da ADEPPE. Foto: Paulo Paiva/DP/D.A Press

Carros recuperados são levados para o Depatri. Foto: Paulo Paiva/DP/D.A Press

“Por lei, não temos a obrigação de pedir prisão de investigados. Agora os pedidos serão realizados apenas em crimes de grande comoção popular”, ressaltou Rodrigues. Também ontem, a Adeppe iniciou uma campanha denunciando o aumento da violência no estado. Vários outdoors serão espalhados em diversos municípios mostrando à população os números de homicídios, roubos e furtos de veículos e assaltos a ônibus ocorridos em Pernambuco do início do ano até o final do mês de julho.

Assim com o Sindicato dos Policiais Civis (Sinpol), a Adeppe também vai pedir ao Supremo Tribunal Federal (STF) a inconstitucionalidade do Programa de Jornada Extra da Segurança Pública (PJES). O pedido será feito por meio da Associação dos Delegados de Polícia do Brasil (Adepol). Com a entrega dos PJES, o governo criou plantões ilegais e obrigou os delegados a irem para o interior. Aqueles que não foram já tiveram descontos nos seus salários nesse mês. Devido a isso, vamos entrar com ações na Justiça”, completou o presidente da Adeppe.

Por meio de nota, a SDS afirmou que “as reivindicações salariais dos policiais civis e delegados não são possíveis de serem atendidas neste momento em que há impedimento legal pela Lei de Responsabilidade Fiscal.” A respeito dos números da violência, o órgão disse que todos os seus dados são transparentes e publicados na página da SDS na internet.

Sobre a decisão de não mais realizar as Operações de Repressão Qualificadas, a SDS “entende que tal postura em nada auxilia as negociações e ocasiona prejuízos a toda a sociedade, pois de forma proposital os servidores que aderiram a tal diretriz estão deixando de desempenhar suas atribuições.”

Saiba mais

Crimes em Pernambuco segundo a ADEPPE

7.955 carros roubados ou furtados de 1º de janeiro a 31 de julho

2.178 homicídios de 1º de janeiro a 31 de julho

971 ônibus assaltados de 1º de janeiro a 31 de julho na RMR

Crimes em Pernambuco segundo a SDS

3.785 carros roubados ou furtados de 1º de janeiro a 31 de julho

2.178 homicídios de 1º de janeiro a 31 de julho

380 ônibus assaltados de 1º de janeiro a 31 de julho na RMR

Delegados da PCPE não farão mais Operações de Repressão Qualificada

Os delegados da Polícia Civil de Pernambuco decidiram na manhã desta segunda-feira, após realização de uma assembleia com a presença de 130 policiais, que não irão mais realizar Operações de Repressão Qualificada. De acordo com o presidente da Associação dos Delegados de Pernambuco (Adeppe), Francisco Rodrigues, os delegados continuarão a fazer as investigações, os indiciamentos e o encaminhamento dos inquéritos para a Justiça. No entanto, os pedidos de prisões só serão feitos em casos extremos.

Números e campanha foram anunciados pelo presidente da Adeppe, Francisco Rodrigues. Foto: Wagner Oliveira/DP/D.A Press

Números e campanha foram anunciados pelo presidente da Adeppe, Francisco Rodrigues. Foto: Wagner Oliveira/DP/D.A Press

“Por lei, não temos a obrigação de pedir prisão de investigados. Os delegados que fazem ou faziam isso é por amor e dedicação ao trabalho. Agora os pedidos serão realizados apenas em crimes de grande comoção popular”, ressaltou Rodrigues. Também nesta segunda-feira, a Adeppe deu início a uma campanha denunciando o aumento da violência no estado. Vários outdoors serão espalhados em diversos municípios mostrando à população os números de homicídios, roubos e furtos de veículos e assaltos a ônibus ocorridos em Pernambuco do início do ano até o final do mês de julho.

De acordo com a Adeppe, 2.178 homicídios ocorreram no período. Essa é a mesma quantidade informada pela Secretaria de Defesa Social (SDS) na semana passada durante apresentação dos números de violência do mês de julho, onde o estado teve 297 mortes. Quarenta a mais que o mesmo período de 2014. A associação também revelou que 7.955 veículos foram roubados ou furtados e 971 assaltos a ônibus foram registrados em sete meses.

Esse é um dos modelos de outdoors que estarão nas ruas. Foto: Sinpol/Divulgação

Esse é um dos modelos de outdoors que estarão nas ruas. Foto: Adeppe/Divulgação

“Não podemos aceitar essa situação. Os delegados estão adoecendo. As delegacias estão sucateadas e não há nem condições de trabalho nem de bom atendimento à população. Decidimos na assembleia que não iremos mais participar das operações de repressão qualificada. Os delegados de Pernambuco recebem os piores salários do Brasil”, ressaltou Francisco Rodrigues.

Assim com o Sindicato dos Policiais Civis (Sinpol), a Adeppe também vai pedir ao Supremo Tribunal Federal (STF) a inconstitucionalidade do Programa de Jornada Extra da Segurança Pública (PJES). O pedido será feito por meio da Associação dos Delegados de Polícia do Brasil (Adepol). Com a entrega dos PJES, o governo criou plantões ilegais e obrigou os delegados a irem para o interior. Aqueles que não foram já tiveram descontos nos seus salários nesse mês. Devido a isso, vamos entrar com ações na Justiça”, completou o presidente da Adeppe.

Confira a nota divulgada pela SDS em resposta às denúncias da ADEPPE

A Secretaria de Defesa Social – SDS reitera que as reivindicações salariais dos policiais civis e delegados não são possíveis de serem atendidas neste momento em que há impedimento legal pela Lei de Responsabilidade Fiscal.

Sobre o questionamento a respeito dos números da violência, a SDS reafirma que todos os seus dados são transparentes sendo publicados, na página da SDS e na internet, a relação nominal, por dia e cidade onde ocorreu o Crime Violento Letal Intencional – CVLI considerado para formar as estatísticas divulgadas, possibilitando a avaliação e controle por qualquer cidadão. Se houver qualquer dúvida quanto à correção dos dados a SDS está à disposição para dirimi-las.

A respeito da decisão de não mais realizar as Operações de Repressão Qualificadas – ORQ’s, que representam uma resposta firme ao crime organizado, a Secretaria entende que tal postura em nada auxilia as negociações e ocasiona prejuízos a toda a sociedade, pois de forma proposital os servidores que aderiram a tal diretriz estão deixando de desempenhar suas atribuições.

Apesar das medidas anunciadas pelos órgãos de classe indicar radicalização, a SDS informa que todos os canais de negociação continuam abertos e todas as medidas tomadas até o momento observaram a mais absoluta legalidade, como comprovou recente decisão judicial que analisou e indeferiu pedidos de antecipação da tutela.

Sindicato dos Policiais Civis do estado vai ao STF contra o PJES

O Sindicato dos Policiais Civis de Pernambuco (Sinpol) vai ajuizar uma Ação Direta no Supremo Tribunal Federal (STF), na próxima segunda-feira, pedindo a inconstitucionalidade do Programa de Jornada Extra da Segurança Pública (PJES). O anúncio foi feito pelo presidente do sindicato, Áureo Cisneiros, em entrevista coletiva na manhã dessa sexta-feira.

Aúreo Cisneiros rebateu números da SDS. Foto: Sinpol/Divulgação

Aúreo Cisneiros rebateu números da SDS. Foto: Sinpol/Divulgação

Áureo Cisneiros alegou que o programa é o responsável por problemas de saúde na categoria que chega a realizar, por mês, 96 horas extras a mais que a escala normal. Áureo também anunciou números da violência em Pernambuco levantados pelo sindicato. Até 3 de agosto, o Sinpol levantou que já foram mortas em Pernambuco 2.206 pessoas. Levantamento da Secretaria de Defesa Social (SDS) mostra que 2.178 pessoas foram assassinadas do início do ano até o dia 31 de jullho no estado.

Procurada pelo blog, a SDS disse que “não vê qualquer ilegalidade no Programa Jornada Extra de Segurança, o PJES,  criado através do decreto Nº 21.858, de 25 de novembro de 1999. A SDS ainda reitera que a não adesão ao PJES para pressionar o Estado a conceder aumento salarial  ​-​ no atual momento em que há vedação legal  pela Lei de Responsabilidade Fiscal  ​-​​,  com a consequente redução da prestação de serviços da Polícia Civil, é uma variante relevante no aumento  de Crimes Violentos Letais Intencionais (CVLIs) em julho.”

Leia mais sobre o assunto em:

Estado teve 297 mortes no mês de julho

Audiências públicas discutirão regras para indulto natalino em 2015

Do Ministério da Justiça

O Conselho Nacional de Política Criminal e Penitenciária (CNPCP) divulgou nessa sexta-feira (07) que realizará duas audiências públicas nacionais para discutir a composição do decreto presidencial para o indulto natalino, que será divulgado no final de 2015. A ideia é propor diretrizes da política criminal e penitenciária do país, conforme prevê a Lei de Execução Penal.

Barracas são alugadas no pátio do complexo. Foto: Teresa Maia/DP/D.A Press

Encontros discutirão saída dos presos das unidades prisionais. Foto: Teresa Maia/DP/D.A Press

As audiências preveem a participação em conjunto com toda a sociedade civil e instituições públicas. A primeira audiência será realizada no dia 21 de agosto, das 14h às 18h, no auditório Tancredo Neves, na Sede do Ministério da Justiça. Já o segundo encontro está marcado para o próximo dia 11 de setembro, em Porto Alegre, com local ainda a confirmar.

De acordo com os integrantes do CNPCP, os que não puderem comparecer às audiências, mas que tenham a intenção de manifestar sobre o decreto, poderão enviar ao CNPCP no dia 11 de setembro sugestões para a elaboração do Decreto Presidencial de Indulto de 2015.

Todas as contribuições poderão ser encaminhadas por mensagem eletrônica para rafael.sousa@mj.gov.br ou via postal para o endereço: Esplanada dos Ministérios, Bloco T, ed. Sede do Palácio da Justiça, 3º Andar, Sala 303 – CEP 70064-900 – Brasília/DF. Para demais informações (61) 2025-3836.

Após prisão, suspeito nega ter assassinado PM da Patrulha Escolar

Após chegar à sede do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), o ex-presidiário Carlos Eduardo Carvalho e Silva, 22 anos, nega ter sido o autor do disparo que matou o soldado da Polícia Militar Marcílio Ferreira Xavier, 32, e de ter roubado a pistola da vítima, uma ponto 40 que ainda não foi localizada.

Suspeito foi preso no bairro de Dois Irmãos, segundo a PM ele estava tentando fugir. Fotos: Reprodução TV Clube

Suspeito foi preso no bairro de Dois Irmãos, segundo a PM ele estava tentando fugir. Fotos: Reprodução TV Clube

Segundo o sargento do Grupo de Ações Táticas Especiais (Gate) 12º Batalhão Fábio Rio Tinto, o suspeito disse que não tem participação no crime e não revelou para onde estava tentando fugir. “Nosso serviço de inteligência em conjunto com a inteligência do 13º BPM recebeu informações de que o suspeito estaria num táxi vindo da UR-7 para Dois Irmãos. Quando ele desceu do carro, em frente à praça, foi abordado e preso”, revelou o sargento.

Marcílio estava na PM desde 2009 e deixou uma filha de poucos meses

Marcílio estava na PM desde 2009 e deixou uma filha de poucos meses

Ainda de acordo com a PM, Carlos Eduardo disse que passou a noite escondido por trás de uma casa na comunidade do Iraque. No local foram encontradas munições de pistola ponto 40 e papelotes de maconha. O delegado responsável pelo caso ainda não falou com a imprensa sobre a prisão desse suspeito. O segundo envolvido no crime segue foragido.