Ministério Público denuncia policiais militares por homicídio doloso

O Ministério Público de Pernambuco (MPPE) denunciou quatro policiais militares que atuaram no protesto feito por moradores do município de Itambé, que resultou na morte do estudante Edvaldo Alves da Silva, 19 anos. O grupo protestava por segurança na cidade. O MPPE denunciou por homicídio doloso, quando há intenção de matar ou se assume o risco de que isso aconteça, o soldado Ivaldo Batista de Souza Júnior e o capitão Ramon Tadeu Silva Cazé. No inquérito policial, os dois militares haviam sido indiciados por homicídio culposo, sem intenção. Segundo a polícia, Ramon deu a ordem para que Ivaldo disparasse uma bala de borracha contra Edvaldo no dia 17 de março. O jovem morreu no dia 11 de abril, após 24 dias de internamento.

Edvaldo morreu após ter sido atingido por bala de borracha disparada por PM.Foto: Ricardo Fernandes/DP

Além disso, o MPPE também pediu a responsabilização dos dois outros militares que estavam no local no dia do fato. O promotor de Justiça João Elias da Silva Filho pediu que todos sejam levados a júri popular. O inquérito e o parecer do MPPE foram entregues ontem no Fórum de Itambé. Os policiais Ivaldo e Ramon foram afastados das atividades de rua e respondem a processo administrativo também na Polícia Militar de Pernambuco (PMPE). Ambos são lotados na Companhia Independente de Goiana.

No inquérito policial, somente o capitão e o soldado Ivaldo foram indiciados pelo assassinato do jovem. Para a Polícia Civil, os militares não tinham treinamento específico para usar armas com balas de borracha. O capitão também foi indiciado por abuso de autoridade, por ter dado um tapa no rosto da vítima no momento em que ela era socorrida. No entanto, o promotor entendeu que ele cometeu crime de tortura. O tenente Silvino Lopes de Souza e o soldado Alexandre Dutra da Silva foram denunciados por omissão em face da conduta de tortura.

Denúncia foi oferecida pelo promotor João Elias da Silva. Foto: Gabriel Melo/ Esp.

“Com todo respeito que nós temos ao trabalho da Polícia Judiciária, entendemos que houve dolo na prática de homicídio em concurso de pessoas no caso do comandante da operação e do policial que realizou o disparo. Além disso, o capitão vai responder por tortura pela agressão à vítima e os outros dois policiais pela omissão desse crime de tortura”, relatou o promotor João Elias. Ainda segundo o promotor, não restam dúvidas de que o soldado que efetuou o disparo tinha conhecimento do manuseio da arma. “Ele tinha conhecimento técnico da arma. Isso é muito claro no vídeo que analisamos. Realizamos a denúncia junto à Comarca de Itambé e pedimos que os policiais sejam levados a júri popular”, completou o promotor.

Além das denúncias, o MPPE também solicitou medidas cautelares para os policiais envolvidos. Entre elas estão a proibição de comparecer e permanecer no município de Itambé sem autorização ou convocação judicial. Para o presidente da Associação dos Militares do Estado de Pernambuco (AME), Vladimir Assis, os PMs não podem ser responsabilizados pela morte de maneira dolosa. “Respeito a posição do MPPE, mas ele não é o dono da verdade. É um absurdo dizer que os militares queriam matar aquele rapaz. Creio que isso vai ser provado na Justiça”, ponderou Assis.

A Polícia Civil se pronunciou por meio de nota dizendo que “acata respeitosamente o entendimento do Ministério Público, por defender a autonomia das instituições, tão essencial para o Estado Democrático de Direito. O Ministério Público tem a prerrogativa constitucional de inserir, retirar, rejeitar ou aceitar os elementos acusatórios do inquérito policial, tais quais foram remetidos pela PCPE ao órgão e apresentados à sociedade, conforme seu entendimento e fundamentação jurídica e legal.”

Itambé: cidade da revolta e do medo

A cidade de Itambé está de luto. Moradores e trabalhadores do município da Mata Norte pararam ontem para acompanhar a passagem do enterro de Edvaldo da Silva Alves, 21 anos, morto após ter sido baleado por um policial militar. A ação foi filmada e divulgada nas redes sociais, o que causou revolta na sociedade. Depois do velório realizado no Ginásio de Esporte José Mendes Júnior, o corpo do jovem foi levado pelas ruas da cidade acompanhado de centenas de pessoas. Edvaldo, assim como outros moradores de Itambé, protestavam por mais segurança no dia 17 de março, quando ele foi baleado. O jovem estava internado no Hospital Dom Helder Camara, em Paulista, e morreu na manhã da última terça-feira. Familiares, amigos e conhecidos da vítima cobraram justiça durante o enterro.

Centenas de pessoas acompanharam o enterro de Edvaldo Alves. Fotos: Ricardo Fernandes/DP

Centenas de pessoas acompanharam o enterro de Edvaldo Alves. Fotos: Ricardo Fernandes/DP

A mãe de Edvaldo, a dona casa Maria de Lurdes da Silva, 49, não teve forças para acompanhar o cortejo nem o sepultamento do filho. Amparada por parentes, foi levada para casa por volta das 15h. Já o pai do jovem, Nivaldo Alves, 50, pediu a punição dos responsáveis pela morte de Pretinho Alves, como ele era conhecido. “Estou sentindo muita revolta e mágoa. O que fizeram com o meu filho não se faz com ninguém. Ele era um amor de pessoa. Queremos que seja feita justiça. Meu filho era um rapaz bom de saúde, gostava de tocar guitarra, era muito alegre e agora está sendo enterrado. Não me conformo com isso”, desabafou Nivaldo. Por trás do caixão, um banner com a foto de Edvaldo estava pendurada na parede junto a sua guitarra.

Mãe do jovem não ter condições de participar do sepultamento

Mãe do jovem não teve condições de participar do sepultamento

O medo ainda toma conta dos moradores de Itambé. Morador da cidade desde a infância, um pedreiro de 30 anos que preferiu não ter o nome publicado, disse que os assaltos continuam acontecendo. “Antigamente, a gente tinha orgulho de dizer que morava em Itambé. As pessoas podiam dormir de portas abertas e ficar conversando na rua até tarde da noite. Agora, faz até vergonha dizer onde moramos. A situação está fora de controle”, declarou o pedreiro. Além dos roubos realizados dentro de Itambé, ônibus que transportam estudantes para outras cidades estavam sendo assaltados na estrada. No início de março, pelo menos quatro coletivos foram assaltados. Dias depois do protesto, a Polícia Militar anunciou a prisão de dois homens e a apreensão de dois adolescentes responsáveis por crimes na região.

Multidão foi até o Cemitério de Itambé, onde o corpo foi sepultado

Multidão foi até o Cemitério de Itambé, onde o corpo foi sepultado

Pároco de Itambé, o padre Severino Filho também falou sobre a insegurança na cidade. Após celebrar uma missa no velório de Edvaldo, o religioso disse que os moradores do município estão sem paz. “Itambé clama por justiça. Edvaldo foi morto por alguém que deveria estar protegendo a população. Os culpados têm que ser punidos. Além disso, a cidade está sem segurança e sem dignidade. As pessoas estão assustadas”, declarou o padre. Na última terça-feira, o governo do estado anunciou mundanças nos comandos do batalhões e companhias da PM com o objetivo de melhorar a segurança em Pernambuco.

Padre Severino Filho disse que moradores de Itambé estão sem paz

Padre Severino Filho disse que moradores de Itambé estão sem paz

Comandos da PM e dos Bombeiros têm reunião com o governo

Comandantes da Polícia Militar e do Corpo de Bombeiros terão hoje uma reunião com o núcleo de gestão do governo do estado, no Palácio do Campo das Princesas, para discutir propostas de aumento de salário e melhores condições de trabalho para a tropa. A pauta também incluirá reivindicações das esposas dos militares, que ontem fizeram uma passeata pela região central do Recife e foram recebidas por uma comissão da administração estadual.

Ontem, mulheres e familiares de PMs fizeram protesto. Foto: Mandy Oliver/Esp.DP

Ontem, mulheres e familiares de PMs fizeram protesto. Foto: Mandy Oliver/Esp.DP

Nenhum representante de associações de militares ou bombeiros participará do encontro, mas a expectativa é de que os comandantes discutam vários pontos da pauta das categorias, que entregaram os plantões do Programa Jornada Extra de Segurança (PJES), reduzindo o efetivo nas ruas e levando o governo a solicitar tropas federais.

Ontem, cerca de 300 pessoas participaram da caminhada das esposas, que foi reforçada por PMs e Bombeiros de folga. O grupo foi do Derby ao palácio, onde chegou pouco antes das 18h.

Vestidos com camisas pretas e segurando cartazes, os manifestantes pediam “respeito e dignidade” para as categorias. Uma comissão de quatro esposas e um advogado foi recebida pelo chefe da Casa Militar, coronel Eduardo Pereira, num encontro que durou quase duas horas. Ao fim da reunião, as esposas afirmaram que pediram ao coronel uma mudança imediata no tratamento aos policiais nos batalhões. “A perseguição e as retaliações que os policiais estão sofrendo acabam refletindo dentro de casa, em suas esposas, maridos, filhos. Pedimos que isso acabe”, ressaltou Jane Leite, umas das organizadoras do movimento, e esposa do vice-presidente da Associação de Cabos e Soldados (ACS), Nadelson Leite.

Ainda segundo as representantes do comissão recebida no palácio, o governo teria sugerido que para uma abertura de negociações, os militares voltassem a fazer o PJES, o que teria sido negado pela comissão. O estado não se pronunciou após o encontro.

O protesto foi pacífico, mas causou problemas no trânsito em alguns pontos do Centro do Recife. Vias como a Agamenon Magalhães e a Avenida Conde da Boa Vista registraram congestionamentos. “Esse ato é para mostrar para toda a sociedade o que vem acontecendo de absurdo nos batalhões. O policial não é um homem de aço, não é um robô. Eles estão com coletes vencidos, com viaturas sem rádio de transmissão. Os bandidos estão bem mais armados e isso se reflete na sociedade, no medo do cidadão”, comentou a organizadora Verônica Souza, casada com o presidente da ACS, Albérison Carlos.

Ao longo do protesto, alguns familiares de policiais relataram as experiências vividas pelas famílias. “Minha esposa está na PM há dois anos e por pouco não morreu. O local onde trabalha foi metralhado por bandidos, enquanto ela só tinha uma pistola”, declarou um homem em cima do trio elétrico.

Após protesto, parentes de Beatriz Mota são recebidos pelo governador

Depois de realizar um protesto pelas ruas do Centro do Recife durante a manhã e início da tarde desta terça-feira, os pais da menina Beatriz Angélica Mota, 7 anos, assassinada a facadas dentro de uma escola em Petrolina foram recebidos pelo governador do estado Paulo Câmara por volta das 15h.

Um grupo de parentes e amigos da garota saiu do Sertão do estado com o objetivo de entregar um abaixo-assinado ao governador pedindo agilidade nas investigações do crime que aconteceu no dia 10 de dezembro do ano passado. Com camisas com a foto da menina e cartazes, eles queriam chamar a atenção das autoridades de segurança pública para a solução do caso. Até agora, nenhum suspeito foi preso.

Ana Mota e Sandro Romildo foram recebidos por Paulo Câmara. Foto: Nando Chiappetta/DP

Lúcia Mota e Sandro Romildo foram recebidos por Paulo Câmara. Foto: Nando Chiappetta/DP

Ainda pela manhã, depois de serem informados que são seriam recebidos por Paulo Câmara, que não estava no Palácio do Campo das Princesas, os manifestantes seguiram em passeata até a Avenida Guararapes, onde a via foi fechada em protesto. O grupo de mais de 40 pessoas das cidades de Petrolina e Juazeiro (BA), incluindo crianças, viajou de ônibus até o Recife para entregar um abaixo-assinado com mais de 20 mil assinaturas, obtidas em duas semanas.

Durante toda a manhã, muito abalados, os pais da criança aguardaram dentro do ônibus, enquanto os manifestantes gritavam palavras de ordem, cantavam músicas religiosas e pediam por justiça. A irmã de Beatriz também participou do protesto. Antes de voltar ao Palácio do Campo das Princesas, o grupo parou na Ponte Princesa Isabel, o que deixou o trânsito no localidade congestionado.

Parentes e amigos de Beatriz Mota farão protesto no Palácio do Governo

Depois de mais de sete meses sem uma resposta definitiva sobre as investigações da morte da estudante Beatriz Mota, ocorrida em Petrolina, no Sertão do estado, os pais, parentes e amigos da garota prometem fazer um protesto no Recife nesta terça-feira. O movimento  “Somos Todos Beatriz”, que pede justiça para o caso da menina assassinada no Colégio Maria Auxiliadora, vai realizar uma manifestação no Palácio do Campo das Princesas, sede administrativa do poder executivo do estado. O protesto está previsto para iniciar às 8h.

Divulgação

Segundo organizadores, sairá uma caravana de Juazeiro/BA e Petrolina/PE com mais de 40 pessoas, que se juntarão a outros participantes do movimento na capital pernambucana para entregar um abaixo-assinado ao governador Paulo Câmara pedindo mais empenho e celeridade nas investigações. Os pais de Beatriz também participarão do ato no Recife. O documento que circulou pelas duas cidades exige providências do governo do estado, Ministério Público de Pernambuco e Polícia Civil.

“O caso Beatriz não vai cair no esquecimento. Quanto mais o tempo passa, mais aumenta o nosso sentimento de revolta com essa demora na elucidação do crime e mais aumenta também o nosso desejo de justiça. Vamos fazer um ato em frente ao Palácio das Princesas, na terça-feira, às 8 horas da manhã, e a nossa expectativa é de que o governador Paulo Câmara nos atenda e receba o abaixo-assinado”, afirmou uma das cordenadoras do movimento e madrinha de Beatriz, Michelle Chaves.

Leia mais sobre o caso em:

MPPE diz que nenhuma linha está descartada no caso Beatriz Mota

Polícia procura suspeito de estupro em Fernando de Noronha

A Polícia Civil divulgou o retrato falado do homem suspeito de estuprar uma mulher de 30 anos em Fernando de Noronha, na madrugada do último sábado. O agressor teria abordado a vítima – que não é nativa, mas trabalha no arquipélago – em uma moto vermelha e preta, de placa não anotada, e praticado abuso sexual e espancamento na praia do Bode. A vítima saía de uma festa quando foi abordada pelo desconhecido. A polícia investiga se o agressor é morador da ilha ou se também é um turista ou ou um ex-morador que estaria apenas de passagem.

Foto: Polícia Civil/Divulgação

Foto: Polícia Civil/Divulgação

Na manhã de ontem, turistas e moradoras do arquipélago fizeram um protesto na frente da Delegacia de Noronha. Com faixas com dizeres como “Machismo mata” e “Não à violência contra a mulher”, o grupo pediu firmeza nas investigações. A vítima é prestadora de serviço do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICM-Bio) e trabalha no Parque Nacional Marinho da ilha. O boletim de ocorrência foi feito pela Delegacia da Mulher, no Recife. Na capital, a mulher que sofreu violência sexual deu informações para a polícia desenhar um retrato falado que está sendo divulgado, inclusive, nas redes sociais.

Alguns suspeitos foram ouvidos na Delegacia de Noronha. A Coordenadoria da Mulher local está acompanhando o caso. “Nós estamos apoiando a vítima junto com a Secretaria da Mulher. Procuramos o delegado e ele nos relatou que está fazendo a investigação”, informou a coordenadora da Mulher, Cristina Queiroz. O delegado de Noronha, João Paulo, espera concluir o caso dentro de uma semana. Os servidores do órgão estão mobilizados, colhendo informações e na busca de testemunhas para esclarecer o caso.

Moradores do Espinheiro fazem protesto neste sábado

Cansados da violência, moradores do bairro do Espinheiro, Zona Norte do Recife, decidiram sair às ruas para chamar a atenção das autoridades de segurança pública do estado. Neste sábado, a partir das 8h, eles farão uma caminhada pelas principais vias do bairro para pedir por mais policiamento. A caminhada da paz terá concentração ao lado da Igreja Matriz do Espinheiro.

Carro da vítima foi abandonado no Espinheiro. Fotos: Guilherme Verissimo/Esp DP/DA Press

População ficou assustada após crime praticado no bairro, na semana passada, por volta das 12h. Fotos: Guilherme Verissimo/Esp DP/DA Press

Os moradores pretendem percorrer as ruas Padre Silvino Guedes, Manoel de Carvalho, Carneiro Vilela, Avenida Santos Dumont, ruas Teles Júnior e Gomes de Matos Júnior. O ato será encerrado com um minuto de silêncio para lembrar a morte do condutor de transporte escolar Jorge Rodrigues de Lima Maciel, morto com um tiro na cabeça na quarta-feira da semana passada.

A caminhada foi anunciada no fim semana durante a missa da Igreja do Espiheiro. Panfletos convocando a população para a manifestação também estão sendo distribuídos no bairro em pontos comerciais e escolas. Nas ruas, moradores se queixam de assaltos frequentes a qualquer hora do dia. À noite, ninguém se sente seguro. As pessoas estão evitando sair. “Há 15 dias uma senhora foi assaltada por dois homens armados em uma motocicleta enquanto abria a porta da sacristia da igreja”, contou a secretária da paróquia, Zenaide Moraes de Oliveira.

Os autores do homicídio contra Jorge Rodrigues ainda não foram presos. O delegado Bruno Magalhães, do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), informou que está avaliando as imagens captadas pelas câmeras de segurança dos condomínios próximos ao local, onde ocorreu o assassinato, e da Praça da rua 48, local onde os ladrões abandonaram o gol da vítima, logo após o crime. “São muitas imagens estamos fazendo o levantamento para tentar identificar os criminosos”, informou.

O policiamento na área é de responsabilidade do 13º batalhão. Segundo a assessoria de Comunicação Social, a PM faz rondas ostensivamente na região com emprego de viaturas e motos. Também há rondas de rotina com a Patrulha dos Bairros do Espinheiro e da Encruzilhada. Segundo o 13º BPM, não havia registro de homicídio na área nos últimos quatro meses.

Delegados e policiais civis fazem protesto e entregam plantões extras

Os delegados e policiais civis de Pernambuco, que fizeram paralisação de 24 horas nesta quinta-feira, realizaram em frente ao Palácio do Campo das Princesas, sede do governo do estado, o enterro simbólico do programa Pacto pela Vida.

Categorias fizeram protesto e caminharam pelas ruas do Centro. Fotos: Thais Arruda Esp. para o DP/D.A Press

Categorias fizeram protesto e caminharam pelas ruas do Centro. Fotos: Thais Arruda Esp. para o DP/D.A Press

Com um caixão preto e flores, os trabalhadores denunciaram a manipulação de números para apontar redução da criminalidade e cobraram, além de melhores condições de trabalho, a reestruturação das carreiras apontadas como as que têm os piores salários do país.

Também nesta quinta, os profissionais da segurança também fizeram a entrega simbólica das jornadas extraordinárias de trabalho. Segundo eles, os plantões do Programa de Jornada Extra de Segurança (PJES) não conduziam com as condições mínimas necessárias para o bom trabalho.

Caixão preto simbolizou o enterro do Pacto pela Vida

Caixão preto simbolizou o enterro do Pacto pela Vida

A decisão foi tomada durante assembleia conjunta entre o Sindicato dos Policiais Civis de Pernambuco (Sinpol) e a Associação dos Delegados da Polícia do Estado de Pernambuco (Adeppe), no dia 26 de junho. Cerca de 90% dos policiais e mais de 240 delegados aderiram ao à entrega.

Moradores farão protesto contra onda de assaltos na Lagoa do Araçá

Mora perto da Lagoa do Araçá, na Imbiribeira, tem sido sinônimo de medo. Foto: Jailson da Paz/DP.D.A Press

Morar perto da Lagoa do Araçá, na Imbiribeira, tem sido sinônimo de medo. Foto: Jailson da Paz/DP.D.A Press

Um protesto organizado por moradores das proximidades da Lagoa do Araçá, na Imbiribeira, vai ganhar as ruas do bairro nesta sexta-feira. Cansados da onda de assaltos na localidade e da ausência de policiamento, moradores estarão concentrados a partir das 18h na Praça de Eventos da Lagoa para chamar a atenção do poder público para a violência no local. Na manhã desta quinta-feira, pelo menos dois assaltos já foram praticados por suspeitos em motos nas proximidades da Lagoa do Araçá, um na Rua David Kauffman e outro na Engenheiro José Brandão Cavalcante.

Rotina de medo toma conta das proximidades da Lagoa. Foto: Pedro da Hora/Esp. DP/D. A Press

Moradores temem estar nas ruas.  Foto: Pedro da Hora/Esp. DP/D. A Press

Através das redes sociais, a população está convocando o maior número possível de pessoas para participarem do protesto. A saída está prevista para as 19h e o percurso será as ruas, Leôncio Soares Pessoa, Av. Engenheiro Alves de Souza, Arquiteto Luiz Nunes, Grasiela e José Brandão de Cavalcante. A caminhada deve terminar por volta das 21h em frente ao Núcleo de Seguraça Comunitária da Lagoa.

Cartaz está sendo divulgado nas redes sociais

Cartaz está sendo divulgado nas redes sociais

Organizadores do protesto pedem que as pessoas levem cartazes, apitos, panelas ou qualquer coisa que faça barulho para chamar a atenção das autoridades. Também está sendo pedido que quem foi assaltado leve o Boletim de Ocorrência para anexar ao ofício que será entregue à Prefeitura do Recife e à Polícia Militar. Segundo os moradores da área, os assaltos são, geralmente, praticados por suspeitos em motos e em cinquentinhas e acontecem a qualquer hora do dia.

PMs protestam por não conseguirem concluir curso de sargento

Um grupo de policiais militares revoltados com a suspensão do Curso de Formação de Sargentos realizou um protesto na manhã desta quinta-feira para pedir apoio à Assembleia Legislativa de Pernambuco. Eles reclamaram que as aulas do curso foram suspensas quando uma turma ainda estava em andamento.

Os militares afirmaram que as aulas de formação foram encerradas após o Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE) ter concedido ao Executivo uma liminar suspendendo todas as decisões favoráveis aos militares, que haviam entrado com ações no Judiciário por se sentirem prejudicados durante o processo de seleção para o curso, em 2010, devido a uma modificação em um dos itens do edital do concurso.

Grupo está concentrado no Parque 13 de Maio. Foto: Wagner Oliveira/DP/D.A.Press

De acordo com o Gerente Geral de Articulação e Integração Institucional e Comunitária, Manoel Caetano, não houve cancelamento da 6ª turma do Curso de Formação de Sargentos (CFS). Os candidatos da 6ª e última turma do CFS concluíram o curso desde 30 de julho de 2014, sendo a portaria de promoção dos novos sargentos publicada no Diário Oficial do Estado, no dia 2 de agosto de 2014, onde foram formados 228 (duzentos e vinte e oito) graduados.

Ainda segundo Maneon Caetano, não houve suspensão do concurso, pois o mesmo expirou após o término da 6ª turma. Desde o ano de 2011 foram concluídas seis turmas do Curso de Formação de Sargentos, sendo formados 1.952 novos sargentos nas dependências do Campus de Ensino Metropolitano I da Academia Integrada de Defesa Social.

Na época, segundo o advogado dos militares, José Carlos Madruga, a banca examinadora disse aos candidatos que eles teriam que acertar, em média, 40% das questões nas provas gerais, composta por sete disciplinas, e 40% nas provas específicas, com três matérias. No entanto, após a realização dos exames, houve uma retificação, estabelecendo que os candidatos teriam que acertar 40% das questões em cada disciplina nas provas gerais e específicas.

O estado informou que solicitou a liminar porque a formação de novas turmas por determinação judicial causava prejuízo de R$ 2.016, 56 por aluno.

Em nota, a SDS afirma que “o Estado recorreu das liminares (obrigação do Estado através de sua Procuradoria) de centenas e não dezenas, pois foram 519 (quinhentas e dezenove) liminares, muitas delas com mais de quatro autores, beneficiando em vários casos, candidatos com notas abaixo da nota mínima do concurso – 5,00 (cinco). Esses candidatos chegaram ao Campus de Ensino Metropolitano I da Academia Integrada de Defesa Social, depois que o Curso já havia iniciado e algumas disciplinas já tinham sido ministradas.”

A SDS disse ainda que “a continuidade de concessões de liminares vinha forçando a SDS a complementar os cursos já realizados, no sentido de repor as aulas dos que ingressaram depois do início do curso. Tal decisão estava causando um enorme prejuízo ao erário estadual.”

Depois de saírem do Parque 13 de Maio até a Alepe, o grupo foi recebido pelo presidente da Alepe, Guilherme Uchôa, que afirmou que iria analisar o caso e verá o que é possível ser feito.